O Brasil, que já chegou a acreditar ter vencido o tracoma, volta agora a encarar essa antiga doença dos olhos com a humildade de quem sabe que a certeza foi prematura. O Ministério da Saúde firmou uma parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular para mapear casos, padronizar tratamentos e tratar sequelas, sobretudo em aldeias indígenas e regiões de difícil acesso. O objetivo final é reunir dados confiáveis que permitam pleitear junto à Organização Mundial da Saúde o reconhecimento da eliminação da doença como problema de saúde pública.
Tracoma segue como ameaça a indígenas e populações vulneráveis, e governo busca eliminá-lo com apoio de especialistas
Tínhamos diagnóstico de erradicação; depois viu-se que a doença estava ativa
O Brasil, que já chegou a acreditar ter vencido o tracoma, volta agora a encarar essa antiga doença dos olhos com a humildade de quem sabe que a certeza foi prematura. O Ministério da Saúde firmou uma parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular para mapear casos, padronizar tratamentos e tratar sequelas, sobretudo em aldeias indígenas e regiões de difícil acesso. O objetivo final é reunir dados confiáveis que permitam pleitear junto à Organização Mundial da Saúde o reconhecimento da eliminação da doença como problema de saúde pública.
O Ministério da Saúde decidiu recolocar no mapa uma doença que o país chegou a considerar erradicada: o tracoma. Em parceria com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular, a iniciativa pretende padronizar as intervenções de controle e enfrentar uma realidade preocupante. No mundo, a doença é a principal causa de cegueira infecciosa, e cerca de 450 mil pessoas já convivem com perda visual irreversível.
No Brasil, o problema é a falta de informação. Há registros de triquíase tracomatosa, sequela grave da doença, em aldeias indígenas, mas os dados sobre prevalência estão desatualizados. Os especialistas lembram que uma antiga suposição de erradicação se mostrou precipitada, e agora é preciso refazer o mapeamento desde o início, tanto para tratar a doença quanto suas consequências.
O plano prevê localizar oftalmologistas credenciados no SUS, capacitá-los para atuar em áreas de difícil acesso e criar uma rede de encaminhamento para casos complexos. A ideia é levar esses profissionais aos locais mais vulneráveis, com atenção especial às comunidades indígenas. Só depois de levantar esse retrato é que a eliminação poderá ser proposta à Organização Mundial da Saúde, etapa mais distante, mas que define o horizonte do trabalho.
O Ministério da Saúde está fechando uma parceria com duas entidades médicas para tentar recolocar no mapa uma doença que o país já chegou a considerar erradicada: o tracoma. O acordo, descrito pela Agência Brasil, envolve o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular, e tem como objetivo padronizar as intervenções de controle da doença.
O tamanho do problema, segundo o próprio ministério, é grande. O tracoma é a principal causa de cegueira infecciosa e responde por prejuízos visuais em 1,9 milhão de pessoas, das quais 450 mil têm cegueira irreversível. É um problema sério de saúde pública em várias regiões pobres do mundo. Os danos, porém, podem ser mitigados, inclusive os da triquíase tracomatosa, descrita como uma condição ocular grave que aparece como sequela do tracoma.
A parceria prevê cinco frentes: padronizar as intervenções, mapear os oftalmologistas credenciados no SUS, capacitar esses profissionais e montar uma rede de referenciamento, coletar dados atualizados sobre a prevalência da doença e, por fim, validar junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) a eliminação do tracoma como problema de saúde pública. O acordo incluiria técnicas cirúrgicas, cuidados de pré e pós-operatório, avaliação de pacientes, encaminhamentos e capacitação de oftalmologistas em áreas de difícil acesso, onde as consultas são mais raras.
Maria de Fátima Costa Lopes, coordenadora técnica da Coordenação-Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do ministério, disse à Agência Brasil que há diversos registros de triquíase tracomatosa em aldeias indígenas pelo país. Por isso, o governo federal quer atuar de forma integrada com o CBO e com os cirurgiões plásticos oculares nessas regiões.
O obstáculo, no entanto, é a falta de informação. Filipe Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular, lembra que o país teve, algumas décadas atrás, um diagnóstico de erradicação. Depois se viu que a doença ainda estava ativa, e os dados atuais não são precisos. Para ele, é preciso recomeçar todo o mapeamento e toda a estruturação, para mapear, tratar a doença e tratar as sequelas. A sociedade propõe localizar onde estão os médicos, sobretudo os credenciados no SUS, para viabilizar atendimentos e cirurgias corretivas. "Só um trabalho conjunto mesmo pode dar conta", afirmou à Agência Brasil.
Vilma Lelis, presidente do CBO, descreveu a rede de referenciamento como uma das propostas centrais: reunir oftalmologistas que possam ajudar no combate ao tracoma e à triquíase tracomatosa e levá-los aos locais mais preocupantes, como as aldeias indígenas, que, na avaliação dela, têm peculiaridades a resolver. Casos encontrados seriam encaminhados a especialistas nesse tipo de tratamento.
Lelis afirmou que existe tracoma no Brasil e existem complicações da doença, e por isso é preciso coletar dados para ter alguma noção da prevalência no país. Só com esse retrato, dizem os envolvidos, será possível traçar estratégias de eliminação, que é o que o ministério deseja. O passo seguinte, e mais distante, é a validação pela OMS, que depende justamente dos números que ainda precisam ser levantados.
Citations marquantes
Só um trabalho conjunto mesmo pode dar conta.— Filipe Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular
Existe tracoma no Brasil e existem complicações; é preciso coletar dados para saber a prevalência.— Vilma Lelis, presidente do CBO (paráfrase)