Num momento em que São Paulo se prepara para escolher quem governará sua maior cidade, o colunista José Roberto de Toledo, do UOL, examina um velho dilema da política: quando o eleitor tem pouco tempo para pensar em política, ele tende a votar contra alguém antes de votar a favor de alguém. Nessa lógica de eliminação, Boulos pareceria em melhor posição diante de Marçal do que diante de Nunes, porque a rejeição cresce sobre ambos os extremos e o centro ainda não tem dono. O ponto de atenção, portanto, não é apenas quem vence, mas quem consegue chegar à disputa final.
Toledo: para Boulos, é melhor enfrentar Marçal do que Nunes no 2º turno
Nunes só leva vantagem num cenário: o segundo turno por eliminação
Por que Toledo diz que Boulos preferiria enfrentar Marçal e não Nunes?
Porque, na leitura dele, o segundo turno é uma eleição por eliminação. Marçal e Boulos têm rejeição alta, 34% e 37%, e Nunes tem cerca de 10 pontos a menos.
Vale marcar: é a análise de um colunista, não um resultado. Os percentuais são citados por ele, sem que o texto diga de qual pesquisa vêm.
Mas ele mesmo desconfia de simulações de segundo turno, não?
Sim. Diz que não gosta delas, porque pedem ao eleitor que pouco acompanha política que imagine um cenário distante. Ele separa isso da leitura estratégica.
Então a conclusão se apoia na rejeição, não em uma simulação. Ainda assim é uma inferência: ninguém mediu esse confronto no texto.
E o que acontece com Marçal?
Cresceu em intenção de voto, mas a rejeição foi de 25% em maio para 34% agora. Ele ganha simpatia de uns e ódio de outros.
O desfecho segue em aberto. O próprio Toledo diz que o problema de Nunes é chegar ao segundo turno, e isso depende de votos que ainda não foram dados.
Der Puls
- A rejeição de Pablo Marçal subiu junto com sua intenção de voto e já alcança 34%, pondo em xeque a ascensão do candidato.
- Guilherme Boulos chega a 37% de rejeição, um número que pesa sobre sua candidatura e cria tensão no campo progressista.
- Ricardo Nunes, pouco conhecido pelo eleitorado, mantém rejeição cerca de 10 pontos menor, o que o coloca numa posição de vantagem silenciosa.
- O principal desafio de Nunes é furar a barreira do primeiro turno, e Marçal aparece como o obstáculo mais difícil nesse caminho.
Num momento em que São Paulo se prepara para escolher quem governará sua maior cidade, o colunista José Roberto de Toledo, do UOL, examina um velho dilema da política: quando o eleitor tem pouco tempo para pensar em política, ele tende a votar contra alguém antes de votar a favor de alguém. Nessa lógica de eliminação, Boulos pareceria em melhor posição diante de Marçal do que diante de Nunes, porque a rejeição cresce sobre ambos os extremos e o centro ainda não tem dono. O ponto de atenção, portanto, não é apenas quem vence, mas quem consegue chegar à disputa final.
José Roberto de Toledo, colunista do UOL, admite que não confia muito em pesquisas que simulam segundo turno antes de a campanha ter começado. Para ele, o eleitor comum não acompanha política diariamente e só se dedica ao tema a cada dois anos, o que torna esse tipo de simulação precipitada. Ainda assim, ele reconhece que a leitura estratégica é clara: quando o centro está vazio, quem parece menos radical costuma levar vantagem.
Na disputa paulistana, Toledo avalia que Pablo Marçal fez tanto barulho que deve parecer mais radical que Guilherme Boulos. Por isso, acredita que Boulos teria mais chance num confronto contra Marçal do que contra o atual prefeito, Ricardo Nunes. A rejeição de Marçal cresceu de 25% em maio para 34% agora, acompanhando o avanço nas intenções de voto. Boulos também viu sua rejeição subir, de 32% para 37%.
Nunes, por sua vez, é desconhecido de boa parte da população e tem rejeição cerca de 10 pontos abaixo dos adversários. Segundo Toledo, no segundo turno o eleitor vota contra quem não quer ver eleito, o que favoreceria Nunes apenas nesse cenário. Assim, o desafio do prefeito é outro: chegar à final. E, para isso, o principal obstáculo seria justamente Marçal.
Numa análise feita no UOL News, o colunista José Roberto de Toledo disse, com franqueza, que não gosta muito das pesquisas que simulam o segundo turno antes de ele existir, nem das pesquisas de véspera do primeiro. O argumento é simples: pense numa pessoa que não consome política sete dias por semana e só se dedica ao assunto a cada dois anos, na hora de votar. Pedir a ela que simule um segundo turno, diz ele, é pedir que vá longe demais.
Toledo lembra que bolsonaristas ainda hoje exibem as simulações de segundo turno de antes da eleição de 2018, que colocavam Haddad à frente de Bolsonaro, para sustentar que as pesquisas não funcionam. Ainda assim, ele separa a precisão das pesquisas da leitura estratégica. Do ponto de vista estratégico, afirma, não há dúvida: se o centro estiver desocupado, quem carregar a pecha de menos radical leva vantagem.
É aí que entra a avaliação sobre a disputa pela prefeitura de São Paulo. Para o colunista, Pablo Marçal fez tanto barulho que, aparentemente, vai conseguir parecer mais radical do que Guilherme Boulos. Por isso, na leitura dele, Boulos teria mais chance de vencer enfrentando Marçal do que enfrentando o atual prefeito, Ricardo Nunes, num eventual segundo turno.
Toledo observa que Marçal subiu na intenção de voto na pesquisa mais recente, mas que a rejeição dele subiu na mesma proporção. Quando faz escarcéu, explica, ganha a simpatia de uma parte do eleitorado e o ódio de outra. Os números que cita mostram a trajetória: 25% diziam não votar nele em maio, 29% em julho, 30% no começo de agosto e agora 34%.
Boulos também cresce em rejeição: 32%, depois 33%, 35% e agora até 37%. Segundo Toledo, os índices de 37% e 34% continuam ali, pesando sobre os dois. Nunes, por sua vez, tem a vantagem de ser desconhecido de boa parte do eleitorado, e sua rejeição fica cerca de 10 pontos abaixo da dos dois adversários.
A lógica do segundo turno, afirma o colunista, é a de uma eleição por eliminação: o eleitor escolhe em quem não quer que seja eleito e vota em quem for capaz de derrotar esse nome. Segundo ele, é o único cenário em que Nunes leva vantagem. Por isso o problema do prefeito passa a ser outro: chegar ao segundo turno. E o grande obstáculo nesse caminho, na avaliação de Toledo, é justamente Marçal.
O UOL News vai ao ar de segunda a sexta, ao vivo, às 10h, com Fabíola Cidral, e às 17h, com Diego Sarza. A disputa pela vaga no segundo turno, entre Nunes e Marçal, é o ponto a acompanhar nas próximas pesquisas.
Bemerkenswerte Zitate
O grande empecilho de Nunes para chegar ao segundo turno vai ser realmente o Marçal.— José Roberto de Toledo, colunista do UOL