'Todo Mundo em Pânico 6' e Lilia Cabral: guia de TV e streaming

A franquia aponta a câmera para a obsessão de Hollywood por remakes
"Todo Mundo em Pânico 6" retorna satirizando a indústria que a criou, 26 anos depois.
Mark

Por que uma franquia de comédia de horror ainda importa em 2026?

Mimi

Porque ela nunca foi realmente sobre os monstros. Desde o começo, "Todo Mundo em Pânico" funcionou como espelho da própria indústria que a criava. Agora, quando Hollywood está tão obcecada por sequências e remakes que mal consegue contar uma história nova, a franquia tem material infinito para trabalhar.

Mark

E os documentários sobre pessoas reais — Salinger, Manson — parecem estar em outro registro completamente.

Mimi

Estão. Mas há algo em comum: todos lidam com isolamento, com o peso de ser conhecido, com como a fama ou a infâmia moldam uma vida. Salinger se escondeu do mundo. Manson criou um culto. Ruth em "Conspiradores" descobre que seu pai se perdeu em teorias. São histórias sobre como as pessoas desaparecem, mesmo quando estão ali na sua frente.

Mark

E a série sobre candomblé? Como ela se encaixa nessa semana?

Mimi

Ela não se encaixa. Ela oferece algo completamente diferente — não é sobre isolamento ou obsessão, é sobre comunidade, sobre tradição que persiste, sobre práticas que continuam vivas porque as pessoas as mantêm vivas. É um respiro.

Mark

Então a programação é sobre pessoas que desaparecem e pessoas que permanecem?

Mimi

Exatamente. E sobre como a gente escolhe qual história quer ouvir.

  • 'Todo Mundo em Pânico 6' chega às lojas digitais 26 anos depois, usando a nostalgia como isca para satirizar a própria indústria que vive de ressuscitar ideias antigas.
  • A HBO Max e a Netflix apostam em biografias perturbadoras — um escritor recluso que fugiu da fama e uma filha que suspeita do pai após a morte misteriosa da mãe criam tensão entre memória e verdade.
  • A Disney+ aprofunda o desconforto ao seguir Sophia, neta de Charles Manson, enquanto ela tenta construir identidade própria à sombra de um dos nomes mais sombrios da história americana.
  • Na TV aberta, Lilia Cabral, Luisa Arraes e vozes da saúde pública dividem espaço com a série 'Àgbára Dúdú', que registra os terreiros do candomblé em cinco estados sem tentar explicar o que apenas se pode sentir.

Em meio à abundância de telas e plataformas, a programação desta terça-feira oferece um mapa das muitas formas pelas quais a cultura se conta a si mesma — do riso que desmonta o próprio cinema de horror à escuta silenciosa dos tambores do candomblé. De Hollywood à Bahia, de J.D. Salinger a Charles Manson, o audiovisual desta semana convida o espectador a habitar vidas e mundos que não são os seus, lembrando que narrar é sempre um ato de escolha sobre o que merece ser visto.

A franquia 'Todo Mundo em Pânico' sempre soube que o melhor jeito de sobreviver ao horror é rir dele. Na sexta edição, os irmãos Wayans voltam 26 anos depois para apontar a câmera para a obsessão de Hollywood com remakes, sequências e prequelas — usando o retorno do próprio Ghostface como piada sobre si mesmo. O filme está disponível em lojas digitais com classificação de 18 anos.

Fora das salas, a semana oferece percursos bem distintos. Na TV Cultura, Lilia Cabral conversa no 'Provoca' sobre carreira, família e o sucesso recente de 'Rita Lee – Uma Autobiografia Musical', numa entrevista que valoriza o silêncio tanto quanto as palavras. Na HBO Max, um documentário sobre J.D. Salinger investiga como a guerra, a fama e os conflitos internos levaram o autor de 'O Apanhador no Campo de Centeio' a desaparecer voluntariamente do mundo.

A Netflix traz 'Conspiradores', em que Ruth retorna à casa da família após a morte da mãe e descobre um pai irreconhecível, obcecado por teorias da conspiração — e possivelmente envolvido no que aconteceu. Na Disney+, 'Meu Avó, Charles Manson' acompanha Sophia, que cresceu sendo uma menina comum até descobrir sua ascendência e precisar enfrentar o peso desse legado, visitando seguidores e tentando entender o que isso diz sobre ela mesma.

A TV Brasil mistura sem cerimônia teatro, literatura e saúde pública no 'Sem Censura', com Luisa Arraes estreando em Nelson Rodrigues, a escritora Tatiana Salem Levy e um infectologista alertando sobre hepatites virais. E a Futura encerra o mapa com 'Àgbára Dúdú – Narrativas Negras', série documental que percorre terreiros do candomblé em cinco estados brasileiros, escolhendo observar em vez de explicar, deixando os tambores e as imagens dizerem o que as palavras não alcançam.

A franquia que transformou o cinema de horror em alvo de suas próprias piadas está de volta. "Todo Mundo em Pânico 6" chega aos cinemas com a mesma irreverência que marcou seus antecessores, desta vez apontando a câmera para um fenômeno que tomou conta de Hollywood: a obsessão por remakes, sequências, spin-offs, prequelas e tudo aquilo que se alimenta do carcaço de uma ideia original. Os irmãos Wayans, que assinaram o roteiro, colocam seus personagens em um cenário que faz sentido narrativo — 26 anos se passaram desde que escaparam de Ghostface — mas que serve principalmente como desculpa para satirizar a indústria que os rodeia. Desta vez, porém, o vilão volta. O filme está disponível em lojas digitais com classificação indicativa de 18 anos.

A programação de televisão e streaming desta semana oferece caminhos bem diferentes. Na TV Cultura, o programa "Provoca" recebe Lilia Cabral em conversa que percorre sua carreira desde o início, passando pelos desafios enfrentados na teledramaturgia e chegando ao sucesso recente da peça "Rita Lee - Uma Autobiografia Musical". A atriz compartilha reflexões sobre família, tempo e trajetória — o tipo de conversa que funciona melhor quando há espaço para respirar, para voltar atrás, para deixar as coisas não ditas flutuarem no ar.

Para quem busca narrativas biográficas, a HBO Max oferece "O Rebelde no Campo de Centeio – A Vida de J.D. Salinger", documentário que examina como a experiência do autor na Segunda Guerra Mundial, seus conflitos pessoais e a fama repentina moldaram sua obra e levaram ao isolamento voluntário que marcou seus últimos anos. É a história de um homem que criou um dos personagens mais icônicos da literatura americana e depois desapareceu do mundo.

A Netflix traz "Conspiradores", drama que começa com um retorno — Ruth volta para casa após a morte da mãe — e se transforma em investigação pessoal. Ela reencontra o pai depois de anos e descobre que ele mudou, que agora é agressivo e obcecado por teorias da conspiração. A suspeita cresce: será que ele teve algo a ver com a morte dela? Na Disney+, "Meu Avó, Charles Manson" segue caminho semelhante mas com peso histórico diferente. Sophia sempre foi uma menina certinha até descobrir que seu avó é Charles Manson, o assassino americano. O documentário acompanha como ela lida com esse legado, conhecendo os seguidores dele e tentando entender o que tudo isso significa para sua própria identidade.

Na TV Brasil, o programa "Sem Censura" reúne três conversas distintas: Luisa Arraes fala sobre sua estreia na montagem de "O Beijo no Asfalto", de Nelson Rodrigues; a escritora Tatiana Salem Levy apresenta seu livro "Diga a Coisa como Ela É"; e o médico infectologista Ricardo Kores, conhecido nas redes sociais, alerta sobre os riscos das hepatites virais. É programação que não teme misturar artes, literatura e saúde pública no mesmo espaço.

Por fim, a Futura exibe "Àgbára Dúdú – Narrativas Negras", série documental que acompanha festas religiosas, celebrações tradicionais e práticas comunitárias nos terreiros do candomblé de Bahia, Pernambuco, Sergipe, Rio de Janeiro e Maranhão. O foco está na preservação de tradições ancestrais e na forma como essas práticas mantêm viva a identidade negra brasileira. É documentário que escolhe observar em vez de explicar, que deixa as imagens e os sons falarem por si.

A trama ironiza remakes, sequências, spin-offs, prequelas e qualquer coisa derivada do cinema de terror
— Descrição de "Todo Mundo em Pânico 6"
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