Num mercado de telecomunicações que já não se contenta com a venda isolada de minutos e gigabytes, a TIM Brasil decide reconhecer que o futuro das operadoras passa por reunir, numa única fatura, a internet do celular, a banda larga da casa e o entretenimento digital. A guinada contrasta com a postura de pouco tempo atrás, quando a própria companhia relativizava essa estratégia, e ganha sentido à medida que concorrentes grandes e regionais já caminham pelo mesmo trilho. Trata-se de uma tentativa de ampliar a base de clientes e extrair mais valor de cada usuário, num movimento que ainda precisa
TIM muda de rota e aposta em combos convergentes com internet móvel, fixa e streaming
Antes era só Vivo e Claro. Hoje, há mais empresas.
Por que essa mudança chama atenção? A TIM sempre disse que convergência não era prioridade.
Exatamente. Em maio do ano passado o próprio presidente, Alberto Griselli, disse que a convergência não era tão importante. Agora a empresa revisa o portfólio e passa a priorizá-la.
O que mudou, segundo ele?
Dois fatores: os combos se espalharam, com Nio, Brisanet, Unifique e Vero, além de Vivo e Claro, e a TIM comprou toda a I-Systems, que tem fibra em São Paulo e Rio.
Vale notar que esses motivos vêm do próprio executivo. A reportagem não traz análise independente de que foi isso que motivou a virada.
E os números da banda larga sustentam a aposta?
Crescem 27% no ano, para R$ 416 milhões no segundo trimestre. Mas é cerca de 5% de um faturamento de R$ 6,9 bilhões.
Ou seja, crescimento rápido sobre base pequena. Cerca de 95% da receita ainda vem do móvel. Não há dado sobre quantos clientes os combos trarão.
E a Starlink?
Há negociação para internet por satélite direto no celular, mas a tecnologia atual só faz chamadas de emergência e mensagens de texto.
E nada está fechado. O executivo falou em possibilidade de expandir, não em acordo assinado.
Le Pouls
- A TIM, antes cética, agora aposta em combos que unem celular, fibra e streaming para conter a perda de clientes por portabilidade.
- A concorrência já não é só Vivo e Claro: provedores regionais como Nio, Brisanet, Unifique e Vero também empurram pacotes convergentes.
- A compra total da I-Systems dá à operadora mais autonomia para desenhar ofertas, e a banda larga cresce 27%, embora ainda pese apenas cerca de 5% do faturamento.
- Planos como o Controle Fit, pagos no cartão e a partir de R$ 30, buscam atrair quem está no pré-pago e reduzir a inadimplência.
- A negociação com a Starlink para internet por satélite direto no celular pode levar sinal a áreas remotas, mas a tecnologia atual ainda se limita a voz de emergência e texto.
Num mercado de telecomunicações que já não se contenta com a venda isolada de minutos e gigabytes, a TIM Brasil decide reconhecer que o futuro das operadoras passa por reunir, numa única fatura, a internet do celular, a banda larga da casa e o entretenimento digital. A guinada contrasta com a postura de pouco tempo atrás, quando a própria companhia relativizava essa estratégia, e ganha sentido à medida que concorrentes grandes e regionais já caminham pelo mesmo trilho. Trata-se de uma tentativa de ampliar a base de clientes e extrair mais valor de cada usuário, num movimento que ainda precisa provar que a aposta vai além do discurso.
Durante anos, a TIM Brasil tratou os pacotes que reúnem serviços numa mesma fatura como um território das concorrentes. Agora, a operadora revisa esse entendimento e passa a dar mais peso aos chamados combos convergentes, que juntam internet móvel, banda larga fixa e serviços digitais como o streaming. O objetivo declarado é ampliar a base de clientes e elevar a receita média por usuário.
A virada chama atenção porque, até pouco tempo atrás, o presidente Alberto Griselli dizia que a convergência não era tão importante. A empresa, que não tem cobertura nacional de fibra e obtém cerca de 95% do faturamento dos planos móveis, concentrava ali seu esforço comercial, enquanto sofria com a perda de clientes por portabilidade. Segundo Griselli, o mercado mudou: as ofertas combinadas já aparecem em ações de grandes e pequenos provedores, e a compra total da I-Systems, com rede de fibra em São Paulo e no Rio, deu à TIM mais autonomia para montar pacotes.
Os números da banda larga ainda são modestos, com R$ 416 milhões no segundo trimestre e cerca de 5% do faturamento, mas crescem 27% no ano. Para reforçar a estratégia, a empresa lançou a plataforma TIM Play e o plano Controle Fit, pago no cartão de crédito e com preços a partir de R$ 30. A aposta é que essas medidas tornem a operadora mais atraente e a façam ganhar participação nas novas adições de clientes.
No horizonte, surge a parceria em negociação com a Starlink para levar internet por satélite direto ao celular, tecnologia que poderia cobrir áreas remotas onde o 4G e o 5G não chegam. Por enquanto, as duas empresas já atuam juntas em conectividade para escolas públicas, e a tecnologia atual ainda é limitada. Os próximos trimestres dirão se a convergência de fato trará mais clientes e se a parceria avançará além das escolas.
A TIM Brasil, que por anos tratou os pacotes de serviços reunidos numa única fatura como assunto das concorrentes, decidiu rever o próprio portfólio e passar a dar mais peso a eles. Os chamados combos convergentes juntam internet móvel, banda larga fixa e serviços digitais, como streaming de vídeo. O objetivo declarado é ampliar a base de clientes e a receita média por usuário.
A mudança contrasta com o que a empresa dizia até pouco tempo atrás. Em entrevista ao Estadão/Broadcast em maio do ano passado, o presidente da operadora, Alberto Griselli, avaliou que "a convergência não é algo tão importante". A TIM não priorizava o modelo em parte porque não tem cobertura nacional de fibra ótica, e cerca de 95% do seu faturamento vem dos planos de internet e telefonia móveis, onde concentrava o esforço comercial. Analistas e investidores, porém, costumavam perguntar se a companhia seguiria o caminho de Vivo e Claro, sobretudo porque vinha perdendo clientes por portabilidade.
Em nova entrevista exclusiva, Griselli disse que a empresa recalibrou a estratégia. O móvel continua sendo o negócio principal, mas houve, nas palavras dele, evoluções e ajustes finos. Ele citou dois motivos. O primeiro é que as ofertas convergentes ganharam espaço nas ações comerciais do mercado inteiro e já são usadas também por grandes provedores regionais, como Nio, Brisanet, Unifique e Vero. "Antes era só Vivo e Claro. Hoje, há mais empresas", afirmou.
O segundo motivo é que a TIM comprou toda a participação na I-Systems, empresa de fibra ótica com rede relevante em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. A aquisição dá à operadora mais autonomia para definir ofertas comerciais. Segundo Griselli, a banda larga é pequena, mas é a receita que mais cresce. No segundo trimestre, ela somou R$ 416 milhões, alta de 27% sobre o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, representa cerca de 5% do faturamento total de R$ 6,9 bilhões. A empresa também lançou a plataforma TIM Play, que reúne canais ao vivo, filmes e séries.
Outra mudança no portfólio é o plano Controle Fit, com opções mensais e anuais pagas no cartão de crédito, o que reduz a chance de inadimplência. As ofertas partem de R$ 30 por mês com 30 gigabytes e miram consumidores que permanecem no pré-pago. Para o presidente, o conjunto de medidas busca aumentar a monetização da base, ganhar receita média e tornar a empresa mais atraente, o que deve resultar em maior participação na adição de clientes nos próximos trimestres.
Griselli confirmou ainda que a TIM negocia com a Starlink uma parceria para oferecer internet por satélite diretamente no celular, tecnologia conhecida como D2D. As duas empresas já trabalham juntas em projetos de conectividade para escolas públicas, e ele disse haver possibilidade de expandir para outras áreas, incluindo o D2D. A ideia é complementar o sinal em áreas remotas, onde 4G e 5G não chegam por depender de torres e antenas no solo. A geração atual da tecnologia, porém, é limitada a chamadas de voz emergenciais e mensagens de texto.
Perguntado sobre o desinteresse pela Oi Soluções, leilão do qual a TIM se habilitou mas não deu lances, o executivo disse que o valor mínimo do edital não correspondia ao valor dos ativos. "A nossa análise mostrou que o valor não estava congruente", afirmou.
O que observar daqui para frente é se a nova ênfase em convergência se traduzirá em mais clientes nos próximos trimestres, como a empresa promete, e se a negociação com a Starlink avançará além dos projetos para escolas.
Citations marquantes
Continuamos tendo o setor móvel como core, mas há algumas evoluções e ajustes finos em nossa estratégia.— Alberto Griselli, presidente da TIM Brasil