Teste DNA-HPV no SUS detecta HPV oncogênico em 9.904 amostras e chega a 26 UFs

Mulheres com resultado positivo para HPV de alto risco enfrentam medo, ansiedade e sentimentos de culpa, além da necessidade de acompanhamento clínico.
Positivo não significa câncer: a conduta depende do genótipo
Das 93 mil amostras analisadas no SUS em 2026, 9.904 deram positivo para HPV de alto risco.
Mark

Dez por cento de positivos parece muito. Como ler esse número?

Mimi

São 9.904 positivos para tipos de alto risco em 93 mil amostras. Mas positivo não é câncer: indica uma infecção que precisa ser avaliada conforme o genótipo.

Luke

E convém notar que é um balanço do próprio ministério, cedido ao G1. O texto não diz de quais regiões vêm as amostras, então não dá para generalizar o índice para o país.

Mark

Qual a diferença na conduta?

Mimi

Os tipos 16 e 18 vão direto à colposcopia. Os outros passam por citologia reflexa na mesma amostra, e só seguem se houver alteração ou material insuficiente.

Mark

E a questão emocional?

Mimi

A médica Giovanna Yui fala de medo, ansiedade e culpa. Para ela, explicar que o HPV é comum e que muitas vezes some em um a dois anos é parte do cuidado.

Luke

Vale separar: essa é a visão de uma médica, não um dado de pesquisa sobre como as pacientes reagem.

Mark

A cobertura é nacional?

Mimi

Em 26 de 27 UFs, mas cada estado começou por ao menos um município. O Espírito Santo ainda não começou; os insumos devem chegar em 2026.

Luke

O que não sabemos é quantos municípios já têm o teste nem quando a oferta será completa. A matéria não informa isso.

  • Quase 10 mil resultados positivos em 93 mil testes acendem alerta, mas cada um exige leitura cuidadosa antes de qualquer conclusão.
  • Mulheres que recebem a notícia de um HPV de alto risco enfrentam medo imediato e, muitas vezes, culpa sobre a origem da infecção.
  • O sistema redireciona cada caso pelo genótipo: tipos 16 e 18 vão direto à colposcopia, os demais passam por citologia reflexa.
  • O teste já chega a 26 das 27 unidades da federação, mas ainda de forma parcial dentro dos estados, com o Espírito Santo aguardando insumos.

Num país que há décadas convive com o câncer do colo do útero como uma das doenças mais evitáveis e, ao mesmo tempo, mais persistentes entre mulheres, o Ministério da Saúde passa a medir com números concretos a aposta no teste DNA-HPV. Entre as 93 mil amostras analisadas no SUS em 2026, cerca de 10% apontaram vírus de alto risco, um sinal que não é sentença, mas convite a uma investigação mais atenta. A mudança reflete a convicção de que rastrear antes do sintoma é o caminho mais seguro para reduzir a doença, e que a transparência sobre o que um resultado positivo realmente significa é tão importante quanto o exame em si.

O Ministério da Saúde divulgou um balanço que dá forma concreta ao novo rastreamento do câncer do colo do útero. Das 93 mil amostras do teste DNA-HPV analisadas no SUS em 2026, 9.904 deram positivo para tipos de HPV de alto risco, pouco acima de 10%. Desde 2025, a rede pública somou 153 mil coletas, e o exame já está em 26 estados, ainda que de forma parcial dentro de cada um.

Positivo não significa câncer. Tipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos, seguem direto para colposcopia; os demais passam por citologia reflexa na mesma amostra. Médicos como Giovanna Tiemy Marchelli Yui, da Afya, lembram que o resultado costuma provocar medo e culpa, e que a conversa precisa esclarecer que o HPV é comum e que, na maioria das vezes, o organismo elimina o vírus em um ou dois anos. O que exige atenção é a persistência do tipo oncogênico.

O Espírito Santo ainda não iniciou o rastreamento com o novo método, mas a remessa de insumos está prevista para este ano. Onde o DNA-HPV não chegou, o Papanicolau segue válido. O INCA projeta cerca de 19,3 mil casos novos por ano entre 2026 e 2028, e a expectativa é que a expansão do teste ajude a reduzir incidência e mortalidade.

O Ministério da Saúde chegou a um número concreto sobre o novo rastreamento do câncer do colo do útero: de 93 mil amostras do teste DNA-HPV analisadas no SUS em 2026, 9.904 tiveram resultado positivo para tipos de HPV de alto risco, ou seja, oncogênicos. O índice fica pouco acima de 10%. Os dados fazem parte de um balanço da pasta divulgado com exclusividade ao G1.

O balanço traz também um retrato da expansão. Desde 2025, a rede pública brasileira somou 153 mil coletas, e o teste já está disponível em 26 das 27 unidades da federação. O acesso, porém, ainda é parcial dentro dos estados, porque cada um começou por pelo menos um município. Gestores das 27 UFs foram treinados no novo protocolo e orientam as equipes das unidades básicas de saúde, responsáveis pela coleta. Nos casos previstos, a autocoleta é admitida, desde que haja orientação profissional.

Os kits vêm do Instituto de Biologia Molecular do Paraná, ligado à Fiocruz. O ministério informa que avalia ainda outras tecnologias de qualidade compatível com o SUS, o que pode diversificar a oferta do exame. O Espírito Santo é a exceção: até a publicação da matéria, o estado não havia iniciado o rastreamento com o novo método, mas a remessa de insumos está prevista para 2026.

Um resultado positivo não significa câncer, e a conduta depende do genótipo identificado. Pelas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, de 2025, os tipos 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos, levam direto à colposcopia. Nos demais tipos oncogênicos, faz-se citologia reflexa na mesma amostra, e a colposcopia depende de alteração ou de material insuficiente. Pela recomendação do INCA, a persistência de HPV não 16/18 por 24 meses também indica colposcopia.

Há um lado humano nisso. Giovanna Tiemy Marchelli Yui, médica da Afya, lembra que receber um resultado positivo pode provocar muito medo e ansiedade. Muitas mulheres associam o resultado imediatamente ao câncer ou sentem culpa e insegurança pela transmissão sexual do vírus. Por isso, diz ela, acolhimento e comunicação são fundamentais. Os médicos precisam explicar que o HPV é extremamente comum e que não é possível determinar quando a infecção foi adquirida. Na maioria dos casos, o sistema imunológico controla o vírus, que se torna indetectável em um a dois anos. O que merece atenção, segundo ela, é a persistência do HPV oncogênico, associada ao risco de lesões precursoras.

As diretrizes de 2025 tornaram o teste molecular o exame primário entre 25 e 64 anos, pela sensibilidade maior que a da citologia. Com resultado negativo, a repetição é a cada cinco anos. Após os 60 anos, um teste negativo encerra o rastreamento, salvo depois de tratamento de NIC2, NIC3 ou adenocarcinoma in situ; nesses casos, a recomendação 14 prevê seguimento prolongado, até 25 anos após o tratamento, enquanto o rastreamento for possível e aceitável.

Onde o DNA-HPV ainda não chegou, o Papanicolau continua válido, com intervalo de três anos depois de dois exames anuais normais. O pano de fundo é a projeção do INCA de cerca de 19,3 mil casos novos da doença por ano entre 2026 e 2028, e a avaliação do instituto de que programas organizados de rastreamento podem reduzir incidência e mortalidade. O que fica para acompanhar é a chegada do teste aos municípios restantes e ao Espírito Santo.

Mais do que comunicar um resultado, nosso papel é esclarecer, combater o estigma e garantir que a mulher compreenda os próximos passos, sem alarmismo e sem julgamentos.
— Giovanna Tiemy Marchelli Yui, médica da Afya
Contattaci Domande frequenti