Esse rapaz me imita sempre na Jovem Pan. Conheço ele
Em meio às tensões institucionais que marcaram o período pós-Sete de Setembro, Michel Temer discou para Jair Bolsonaro para desfazer um equívoco nascido de uma imitação em jantar — mas o gesto carregava um peso maior: era a confirmação silenciosa de que as negociações pela pacificação do país seguiam vivas. O episódio revela como, nos bastidores da política brasileira, até uma brincadeira pode tornar-se o pretexto para manter abertos os canais que evitam rupturas mais profundas.
- Um vídeo de imitação feita durante jantar do empresário Naji Nahas começa a circular e é interpretado por alguns como tentativa de desqualificar Bolsonaro, criando desconforto político.
- Temer, preocupado com a repercussão e com o frágil momento institucional, toma a iniciativa de ligar diretamente ao presidente para esclarecer o episódio.
- Bolsonaro desarmou a tensão com leveza, dizendo conhecer André Marinho e estar acostumado com suas imitações na Jovem Pan — o mal-entendido se dissipou na conversa.
- O telefonema revelou sua verdadeira dimensão: Temer reafirmou que as negociações para a pacificação do país, iniciadas após os ataques de Bolsonaro ao STF no Sete de Setembro, continuavam intactas.
- O pano de fundo é sombrio — Bolsonaro havia declarado que não cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito das Fake News que investiga o presidente e aliados.
Michel Temer pegou o telefone preocupado. Na noite anterior, durante um jantar oferecido pelo empresário Naji Nahas, o comunicador André Marinho havia feito imitações de diversas personalidades — entre elas, Bolsonaro. O vídeo começou a circular, e havia quem enxergasse no episódio uma tentativa de desqualificar o presidente.
Temer explicou que tudo não passava de brincadeira: Marinho havia imitado muita gente naquela noite, inclusive o próprio ex-presidente. Bolsonaro riu. Disse que conhecia Marinho, que o rapaz o imitava com frequência na Jovem Pan. A tensão que Temer temia se desfez na conversa.
O detalhe que tornava o episódio politicamente delicado era o sobrenome do comunicador: André Marinho é filho de Paulo Marinho, empresário que cedeu sua casa ao Rio para a campanha presidencial de Bolsonaro — e com quem o presidente havia rompido relações.
Mas o telefonema tinha um propósito maior do que resolver um mal-entendido sobre uma imitação. Temer havia sido o autor intelectual da 'Carta à nação' publicada por Bolsonaro dois dias após o Sete de Setembro — quando o presidente atacou o STF e declarou que não mais cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito das Fake News. Ao ligar, Temer reafirmou que toda a negociação pela pacificação do país permanecia de pé. O telefonema era, na verdade, um sinal de que o trabalho nos bastidores continuava — e Bolsonaro havia recebido a mensagem.
Michel Temer pegou o telefone e discou para Jair Bolsonaro. O ex-presidente estava preocupado — um vídeo circulava, e ele queria ter certeza de que nada entre eles havia se quebrado. Na noite anterior, durante um jantar que o empresário Naji Nahas ofereceu a políticos e jornalistas, o comunicador André Marinho havia feito imitações. Bolsonaro foi um deles. Todos riram. Mas o vídeo começou a ganhar repercussão, e havia quem interpretasse aquilo como uma tentativa de desqualificar o presidente.
Temer explicou que tudo não passava de brincadeira. Marinho havia imitado muita gente naquela noite — inclusive o próprio ex-presidente. Era só diversão. Bolsonaro, ao ouvir a explicação, riu da situação. Ele disse a Temer que já estava acostumado com as imitações de André Marinho. "Esse rapaz me imita sempre na Jovem Pan. Conheço ele", respondeu o presidente. Não havia motivo para preocupação. A tensão que Temer temia desapareceu na conversa.
O comunicador em questão é filho de Paulo Marinho, empresário que funciona como suplente do senador Flávio Bolsonaro pelo Patriotas do Rio de Janeiro. Marinho havia cedido sua casa no Rio para a campanha presidencial de Bolsonaro anos antes. Mas agora os dois estavam rompidos — uma fissura que tornava o episódio do vídeo ainda mais delicado politicamente.
O telefonema, porém, tinha um propósito que ia além de dissipar um mal-entendido sobre uma imitação. Temer aproveitou para reafirmar que toda a negociação para a pacificação do país permanecia de pé. Ele havia sido o autor intelectual da "Carta à nação" que Bolsonaro publicou dois dias após o Sete de Setembro — aquele discurso em que o presidente atacou o Supremo Tribunal Federal e, em particular, o ministro Alexandre de Moraes, chegando a dizer que não cumpriria mais as decisões dele. Moraes é o responsável pelo inquérito das Fake News, que investiga Bolsonaro, seus filhos e aliados por disseminação de notícias falsas e ataques à democracia.
O contexto, portanto, era tenso. Bolsonaro havia se colocado em rota de colisão com a corte suprema. Temer, como ex-presidente que havia vivido seus próprios conflitos institucionais, estava trabalhando nos bastidores para evitar que aquela escalada se tornasse irreversível. O telefonema sobre a imitação era, na verdade, um sinal de que aquele trabalho continuava — que as conversas, as negociações, o esforço pela pacificação não haviam parado. Bolsonaro havia recebido a mensagem.
Notable Quotes
Esse rapaz me imita sempre na Jovem Pan. Conheço ele— Jair Bolsonaro, em telefonema com Michel Temer
Temer reafirmou que toda a negociação para a pacificação do país está mantida— Relato sobre o telefonema entre Temer e Bolsonaro
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Temer se preocupou tanto com um vídeo de imitação? Parece coisa menor.
Não era sobre a imitação em si. Era sobre o que o vídeo poderia significar — uma rachadura pública entre Bolsonaro e pessoas próximas a ele, no momento em que ele estava em conflito aberto com o Supremo.
E por que Temer é a pessoa certa para fazer esse telefonema?
Porque Temer estava trabalhando nos bastidores para evitar que Bolsonaro e o Supremo chegassem a um ponto de não retorno. Ele tinha credibilidade para isso — havia vivido conflitos institucionais similares.
Bolsonaro realmente não se importou?
Aparentemente não. Ele conhecia Marinho, sabia que era só brincadeira. Mas o importante é que Temer conseguiu reafirmar que as negociações para pacificação continuavam acontecendo.
E quanto a Paulo Marinho, o pai? Ele estava rompido com Bolsonaro?
Sim. Havia cedido sua casa para a campanha de Bolsonaro, mas agora estavam em lados opostos. Isso tornava o vídeo ainda mais carregado politicamente — parecia que até pessoas próximas estavam rindo do presidente.
Então o telefonema era mais sobre política institucional do que sobre um vídeo?
Exatamente. Era Temer sinalizando que, apesar de tudo — dos ataques ao Supremo, das tensões — o trabalho de pacificação continuava. O vídeo foi apenas o pretexto.