Albuquerque confirma renúncia de Sérgio Marques e classifica como "normal"

Ele pediu a denúncia, alegou as razões e está tudo resolvido
Albuquerque minimiza a saída de Sérgio Marques, classificando-a como uma decisão rotineira sem consequências para o partido.

Na ilha que sempre soube guardar os seus segredos, uma renúncia parlamentar veio à superfície não como escândalo, mas como sintoma: quando um deputado acusa o próprio partido de obras inventadas e favores a grupos económicos poderosos, e o líder responde chamando-lhe 'juízos de valor', revela-se a tensão permanente entre lealdade institucional e memória histórica. Sérgio Marques deixa a Assembleia da República e a comissão política do PSD/Madeira, e Dinis Ramos ocupa o seu lugar — mas as perguntas que Marques deixou no ar demorarão mais a dissipar-se do que a transição de mandato.

  • Sérgio Marques acusou o seu próprio partido de ter inventado obras e favorecido grupos económicos durante a era Jardim — palavras que tornaram a sua permanência insustentável.
  • A renúncia ao mandato e à comissão política regional foi confirmada pelo presidente do Governo Regional como algo 'normal', numa tentativa de desinflar o impacto público da crise.
  • Dinis Ramos, quarto elemento da lista regional, assume funções já na quinta-feira, sinalizando que a máquina partidária quer rapidez na normalização.
  • O PSD/Madeira enfrenta simultaneamente um processo judicial contra a deputada Patrícia Dantas por fraude em subsídios, acumulando pressão sobre a liderança antes das legislativas regionais.
  • Albuquerque aproveitou o momento para atacar o Governo da República, descrevendo o PS como um partido em 'degradação' por concentrar poder há mais de vinte anos — deslocando o foco das turbulências internas para o adversário nacional.

Miguel Albuquerque confirmou na quarta-feira, à margem de uma cerimónia no Funchal, que Sérgio Marques renunciou ao mandato de deputado na Assembleia da República e abandonou a comissão política regional do PSD/Madeira. Dinis Ramos, o quarto elemento da lista regional, assumirá as funções já a partir de quinta-feira.

A saída de Marques não foi silenciosa. O deputado havia denunciado publicamente ao Diário de Notícias a existência de 'obras inventadas a partir de 2000', durante a presidência de Alberto João Jardim, e acusou grupos económicos de terem crescido à sombra da influência política — chegando a afirmar que foi afastado de funções por pressão de um desses grupos. Marques tinha sido secretário regional dos Assuntos Europeus e Parlamentares entre 2015 e 2017.

Albuquerque minimizou o episódio, classificando a renúncia como 'normal' e as acusações como meros 'juízos de valor'. Garantiu que o partido não fica fragilizado e que as críticas não terão impacto nas eleições legislativas regionais deste ano, nas quais o PSD concorre em coligação com o CDS-PP.

O líder regional abordou ainda o caso de Patrícia Dantas, deputada arguida num processo de fraude na obtenção de subsídios, defendendo que ser arguido 'não é um estatuto de condenação' e expressando confiança na sua absolvição. Aproveitou também para criticar o Governo da República, descrevendo o PS como um partido em 'degradação' por concentrar o recrutamento político dentro de uma estrutura fechada há mais de vinte anos.

Miguel Albuquerque confirmou na quarta-feira que Sérgio Marques renunciou ao seu mandato de deputado na Assembleia da República e abandonou a comissão política regional do PSD/Madeira. A decisão segue-se a uma polémica em torno de críticas públicas do deputado à governação regional. Albuquerque, falando à margem de uma cerimónia de entrega de divisas a novos polícias florestais no Funchal, afirmou estar tudo preparado para que Dinis Ramos, o quarto elemento da lista regional, assuma as funções já a partir de quinta-feira.

O líder do PSD/Madeira classificou a saída de Marques como "normal". "Ele pediu a denúncia, alegou as razões e está tudo resolvido", disse, minimizando o impacto da decisão. Marques havia sido um dos três deputados social-democratas madeirenses no parlamento nacional e integrou também o Governo Regional como secretário regional dos Assuntos Europeus e Parlamentares entre 2015 e 2017.

A renúncia de Marques surgiu após acusações que o deputado dirigiu ao partido, em declarações ao Diário de Notícias. Marques denunciou a existência de "obras inventadas a partir de 2000", durante a presidência de Alberto João Jardim, e apontou grupos económicos que teriam crescido com influência política. O social-democrata afirmou ainda ter sido afastado de funções por pressão de um grande grupo económico regional.

Apesar destas acusações internas, Albuquerque insistiu que o PSD/Madeira "não fica fragilizado". Descreveu as críticas de Marques como "juízos de valor" e reafirmou que o partido continuará focado no futuro. Sublinhou também que as acusações não afectarão o desempenho nas eleições legislativas regionais previstas para este ano, nas quais o PSD concorre em coligação com o CDS-PP.

O presidente do Governo Regional abordou ainda a situação de Patrícia Dantas, deputada social-democrata madeirense que é arguida num processo de fraude na obtenção de subsídios. Albuquerque defendeu que o estatuto de arguido "não é um estatuto de condenação" e expressou confiança na absolvição de Dantas, descrevendo-a como "uma pessoa íntegra e honesta". Afirmou que o processo "já foi explicado" e "está tudo dissecado".

Na mesma ocasião, Albuquerque aproveitou para criticar o Governo da República, liderado pelo PS. Descreveu-o como vivendo uma "situação de fragilidade" resultante do facto de o recrutamento do poder político ser feito "num partido que está há vinte e tal anos no poder, dentro de uma estrutura onde todos se conhecem". Segundo o líder regional, esta dinâmica leva a uma "degradação do sistema político".

Não fica fragilizado o PSD. Neste momento, a vida continua. Temos de olhar para a frente.
— Miguel Albuquerque, líder do PSD/Madeira
A Patrícia sempre foi uma pessoa íntegra, honesta e eu tenho toda a certeza que ela será absolvida.
— Miguel Albuquerque, sobre a deputada Patrícia Dantas
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que razão é que Sérgio Marques decidiu sair agora, depois de ter sido secretário regional no governo de Albuquerque?

Model

As acusações que fez sugerem uma ruptura profunda. Marques denunciou obras que considera fictícias e grupos económicos que cresceram com favores políticos — coisas que não se denuncia levemente.

Inventor

Albuquerque diz que tudo é "normal". Mas é normal um deputado sair depois de acusar o seu próprio partido de irregularidades?

Model

Não é normal, não. O que é normal é tentar fazer parecer normal. Albuquerque está a gerir uma crise — tem um deputado que saiu, tem outra deputada arguida por fraude — e precisa que o partido pareça estável.

Inventor

Patrícia Dantas é arguida num processo de fraude. Como é que Albuquerque consegue dizer que não há problema?

Model

Porque arguida não é condenada. Mas a confiança que ele expressa — "tenho toda a certeza que ela será absolvida" — é uma aposta. Se não for absolvida, a fragilidade que ele nega torna-se real.

Inventor

E quanto às eleições regionais? Isto não prejudica o PSD/Madeira?

Model

Albuquerque insiste que não. Mas quando um líder tem de insistir que o partido não fica fragilizado, é porque há razão para questionar. As eleições dirão.

Inventor

Ele critica o Governo nacional por estar há vinte anos no poder. Não é hipócrita, vindo de quem governa a Madeira?

Model

É uma crítica válida, mas também é conveniência política. Quando estás em dificuldades locais, apontar para os problemas nacionais distrai.

Contact Us FAQ