Super El Niño pode cortar 10% da soja do Brasil e custar R$ 33 bi, aponta Serasa

Mais do que um “Mato Grosso do Sul de soja” pode sumir da safra
A Serasa simula perda de 17,6 milhões de toneladas com El Niño forte, acima da colheita sul-mato-grossense de 15,8 milhões.
Mark

Por que comparar a perda com Mato Grosso do Sul?

Mimi

Porque dá escala. São 17,6 milhões de toneladas a menos, e o estado produziu 15,8 milhões em 2025/26, segundo a Conab.

Mark

De onde sai o número?

Mimi

De uma simulação. Aplicam à área atual a produtividade de 2023/24, ano de El Niño forte, e a de 2024/25, de clima neutro.

Luke

Então não é previsão, certo?

Mimi

Não, a própria Serasa diz isso. É um cenário.

Luke

E os R$ 33 bilhões? Isso é prejuízo?

Mimi

Também não. É valor bruto da produção a preços de outubro, constantes, sem seguro, travas de preço ou cenário externo.

Mark

A área plantada muda?

Mimi

Não, são 49,9 milhões de hectares nos dois casos. A perda vem só do rendimento por hectare.

Luke

Vale lembrar que tudo depende de o El Niño ser forte. Isso a reportagem não confirma que vá acontecer.

Mark

E todo mundo perde?

Mimi

Não. O Rio Grande do Sul tende a ganhar com mais chuva, enquanto a perda se concentra em Mato Grosso e Goiás.

  • Uma simulação aponta queda de 10% na produção nacional de soja, de 181,2 para 163,6 milhões de toneladas, sob um El Niño forte.
  • A perda de 17,6 milhões de toneladas pode se concentrar em Mato Grosso e Goiás, centros decisivos do agronegócio.
  • O impacto potencial, a preços de outubro, chega a cerca de R$ 33 bilhões em valor bruto da produção, sem considerar seguros ou travas de preço.
  • O Rio Grande do Sul surge como possível contraponto, já que mais chuva no Sul pode reduzir o risco de estiagem na floração e no enchimento dos grãos.
  • O desfecho depende de o fenômeno se confirmar com a intensidade simulada, e os números servem como alerta, não como previsão.

Há momentos em que a natureza parece escrever uma conta que ainda não chegou ao caixa de ninguém. Uma simulação da Serasa Experian sugere que um El Niño forte, o chamado Super El Niño, poderia retirar do campo brasileiro, na safra 2026/27, uma quantidade de soja maior que toda a produção de Mato Grosso do Sul. O exercício é hipotético e a própria empresa faz questão de lembrar disso, mas ele ajuda a enxergar quanto da riqueza agrícola depende de um clima que não controlamos. Entre o cálculo e a colheita, existe a incerteza que o agricultor atravessa todos os anos.

O Brasil pode perder, na safra 2026/27, mais soja do que toda a produção de Mato Grosso do Sul. A estimativa é da Serasa Experian, que simulou os efeitos de um El Niño forte. Para dimensionar, o Centro-Oeste colheu 15,8 milhões de toneladas no ciclo 2025/26, segundo a Conab.

Na simulação, a produção nacional cairia de 181,2 para 163,6 milhões de toneladas, uma redução de 10%. A empresa deixa claro que não se trata de previsão de safra, mas de um cenário construído com modelos climáticos, duas décadas de mapeamento por satélite e dados de produtividade. A área plantada é mantida fixa, de modo que a perda viria apenas da queda de rendimento por hectare, concentrada em Mato Grosso e Goiás.

A preços de outubro, a diferença equivaleria a cerca de R$ 33 bilhões em valor bruto da produção. O número não representa prejuízo efetivo, pois não inclui seguro, travas de preço nem o cenário externo. Serve como uma ordem de grandeza do capital em risco.

Nem todo o país sentiria o fenômeno da mesma forma. O Rio Grande do Sul tende a ganhar, já que o El Niño costuma trazer mais chuva ao Sul e reduz o risco de estiagem justamente nas fases mais sensíveis da lavoura. O que se acompanha agora é se o evento se confirmará com a intensidade projetada.

O Brasil pode perder, na safra 2026/27, mais do que a produção inteira de soja de Mato Grosso do Sul. A conta é da Serasa Experian, que simulou o efeito de um episódio forte de El Niño, o chamado Super El Niño, e chegou a uma perda de 17,6 milhões de toneladas no país. Para comparar: no ciclo 2025/26, o estado do Centro-Oeste colheu 15,8 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Pelo estudo, sem a influência de eventos climáticos, El Niño ou La Niña, a produção nacional estimada para a safra seria de 181,2 milhões de toneladas. Com um El Niño forte, ela cairia para 163,6 milhões, uma redução de 10%.

A Serasa faz questão de dizer o que o número não é. Não se trata de previsão de safra, e sim de uma simulação de cenários. O estudo combinou modelos climáticos, 20 anos de mapeamento por satélite de áreas agrícolas e dados de produtividade da Conab.

O método funciona assim: aplica à área agrícola atual os padrões de produtividade de duas safras. Uma é a de 2023/24, a do último El Niño forte. A outra é a de 2024/25, de clima neutro. A área plantada é idêntica nos dois cenários, 49,9 milhões de hectares, de modo que a perda viria apenas da queda no rendimento por hectare. Segundo o estudo, ela se concentraria em Mato Grosso e Goiás.

A preços de outubro deste ano, a diferença de produção entre os dois cenários equivaleria a cerca de R$ 33 bilhões no valor bruto da produção (VBP). A própria Serasa ressalva que isso não indica prejuízo efetivo dessa magnitude. O cálculo usa preço constante e não considera seguro, travas de preço nem o cenário externo. A intenção, segundo a empresa, é oferecer “uma ordem de grandeza” do capital em risco.

O fenômeno também não age da mesma forma em todo o país. “O El Niño não significa só menos chuva no Brasil. Os efeitos são diversos e dependem da distribuição e da intensidade do evento”, afirmou Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian, em coletiva de imprensa.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, tende a ganhar. Num cenário de El Niño, a região Sul costuma receber mais chuva, e a maior disponibilidade de água reduz o risco de estiagem em fases críticas da lavoura, como a floração e o enchimento dos grãos. Foi justamente esse problema que derrubou a produção gaúcha em safras recentes.

O que acompanhar daqui em diante é se o fenômeno de fato se confirmará com a intensidade simulada, já que os números dependem dessa hipótese e não incorporam proteções financeiras do produtor.

O El Niño não significa só menos chuva no Brasil. Os efeitos são diversos e dependem da distribuição e da intensidade do evento.
— Daniel de Oliveira, gerente de geoprocessamento agro da Serasa Experian
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