O Supremo Tribunal Federal revelou, nesta semana, as fraturas que correm por baixo de sua superfície institucional: em sessão marcada por confrontos abertos entre ministros, a corte votou por quatro a três para manter separados os procedimentos contra Alexandre de Moraes e André Mendonça, ambos nascidos das investigações sobre o Banco Master. O resultado, porém, permanece suspenso no ar — Flávio Dino pediu vista antes que seu voto fosse proclamado, e sua inclusão na contagem transformaria o placar em empate, abrindo um novo capítulo de incerteza para uma instituição já abalada por suas própria
STF aprova separação de casos Mendonça e Moraes com placar 4x3; Dino pede vista
crise por semana, precificada
Por que essa votação é tão importante? Parece uma questão processual, mas a tensão na sala sugere algo maior.
É que separar os casos permite que cada um seja julgado com sua própria lógica, seu próprio relator, seu próprio cronograma. Mas quando os fatos são os mesmos — quando estamos falando das mesmas investigações — você corre o risco de chegar a conclusões opostas sobre a mesma coisa.
Mas espera. Dino pediu vista, certo? Então tecnicamente o placar ainda não é final. Quantos votos ele precisaria mudar para reverter tudo?
Se Dino votar pela reunião, como indicou que faria, o placar fica 4 a 4. E aí a questão volta para discussão.
E por que Mendonça e Moraes não podem simplesmente se recusar a votar um no caso do outro?
Porque ambos têm interesse direto. Mendonça está sendo investigado em um caso, Moraes em outro. Se um se recusa, o outro pode fazer o mesmo, e você fica sem quórum.
Então a corte está presa em um dilema que ela mesma criou. Ninguém quer admitir que talvez esses casos não devessem estar no STF em primeiro lugar, ou que as pessoas envolvidas têm conflitos de interesse irreconciliáveis.
Exatamente. Dino chamou de "gravíssimos vícios". Ele está dizendo que o processo em si está quebrado.
E Fachin? Ele tem interesse em manter os casos separados porque quer ser o relator?
Fachin argumenta que é função do presidente ser relator. Mas sim, há uma questão de poder ali.
A questão é: o que muda se Dino volta e vota? Porque se o placar fica 4 a 4, ninguém sabe o que acontece depois.
Ninguém sabe mesmo. É por isso que a sessão foi tão tensa.
The Pulse
- A sessão descambou para o confronto aberto: ministros discutiram repetidamente sobre o rito, a competência e os limites de cada um, expondo ao público as rachaduras internas do tribunal.
- Dino denunciou uma 'soma de gravíssimos vícios' no processo e alertou que a corte caminha para uma 'crise por semana, precificada', caso não adote um rito coerente e fundado em lei.
- Moraes levantou o espectro de decisões contraditórias — o mesmo fato julgado de formas opostas em semanas consecutivas — e questionou se ele e Mendonça poderiam votar nos casos um do outro sem conflito de interesse.
- O placar de 4x3 pela separação dos julgamentos foi proclamado por Fachin, mas permanece tecnicamente instável: o voto de Dino, não computado formalmente, poderia transformar a maioria em empate.
- A crise do Banco Master, que originou os dois casos, deixou de ser apenas um problema financeiro para se tornar o epicentro de uma disputa sobre quem controla o rito e o destino dos próprios ministros do STF.
O Supremo Tribunal Federal revelou, nesta semana, as fraturas que correm por baixo de sua superfície institucional: em sessão marcada por confrontos abertos entre ministros, a corte votou por quatro a três para manter separados os procedimentos contra Alexandre de Moraes e André Mendonça, ambos nascidos das investigações sobre o Banco Master. O resultado, porém, permanece suspenso no ar — Flávio Dino pediu vista antes que seu voto fosse proclamado, e sua inclusão na contagem transformaria o placar em empate, abrindo um novo capítulo de incerteza para uma instituição já abalada por suas próprias contradições.
O Supremo Tribunal Federal atravessou uma terça-feira de divisão aguda. O presidente Edson Fachin proclamou o resultado de uma votação que separa formalmente os procedimentos contra Alexandre de Moraes e André Mendonça — dois casos surgidos das investigações sobre o Banco Master que colocaram a corte em campos opostos.
O placar foi de 4 a 3 pela manutenção dos julgamentos em separado. Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia formaram a maioria. Gilmar Mendes, Zanin e Moraes defenderam o julgamento conjunto. Flávio Dino também votou pela reunião dos casos, mas pediu vista antes que seu voto fosse formalmente proclamado — o que o excluiu da contagem oficial e manteve o resultado em quatro a três.
Fachin sustentou que cabe ao presidente da corte ocupar a posição de relator nos casos principais e zelar pelas prerrogativas do tribunal. Mendonça acompanhou essa posição, argumentando que as ações não são comparáveis e que, em relação a ele, houve apenas um 'suposto relato', voltando ainda a mencionar a atuação de uma 'PF paralela'.
Dino foi o mais contundente na crítica ao caminho adotado. Denunciou vícios graves no processo, pediu um rito baseado em lei e alertou que a situação atual pode gerar uma crise recorrente, prejudicando a autoridade técnica do tribunal. Moraes reforçou o argumento, apontando o risco concreto de decisões contraditórias sobre os mesmos fatos e questionando se ele e Mendonça poderiam votar nos processos um do outro sem conflito de interesse.
Com o voto de Dino fora da contagem, o placar permanece em quatro a três — mas sua inclusão futura transformaria o resultado em empate, com consequências imprevisíveis para o andamento dos procedimentos. A sessão deixou exposto algo maior do que uma disputa processual: as fraturas que a crise do Banco Master abriu no interior do próprio tribunal.
O Supremo Tribunal Federal viveu uma terça-feira de tensão e divisão nesta semana. O presidente Edson Fachin proclamou o resultado de uma votação que separa formalmente os procedimentos contra o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça — dois casos que nasceram das investigações em torno do Banco Master e que dividiram a corte em linhas profundas.
O placar ficou em 4 votos a 3 pela manutenção dos julgamentos em separado. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia formaram a maioria. Do outro lado, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam que os casos fossem julgados juntos. Mas há uma complicação: Flávio Dino também votou pela reunião dos procedimentos, alinhando-se com Gilmar, Zanin e Moraes. Porém, após expressar insatisfação com o rumo da sessão — marcada por sucessivas discussões entre os ministros — Dino pediu vista antes que seu voto fosse formalmente proclamado. Por essa razão, seu voto não entrou na contagem oficial.
A questão de fundo é processual, mas carregada de implicações políticas. Fachin argumentou que cabe ao presidente da corte ocupar a posição de relator nos casos principais. "Cabe ao presidente velar pelas prerrogativas do tribunal, representá-lo perante os demais poderes de autoridade, e dirigir-lhe os trabalhos e presidir-lhe as sessões plenárias", afirmou. Mendonça acompanhou essa posição, sustentando que as ações não são comparáveis e que, em relação a ele, houve apenas um "suposto relato". O ministro também voltou a mencionar a atuação de uma "PF paralela".
Dino, porém, foi contundente em sua crítica. Denunciou o que chamou de "soma de gravíssimos vícios" no processo e pediu que a corte adotasse "um rito que seja baseado na lei e um rito coerente". Alertou que a situação atual prejudica a autoridade técnica do tribunal e pode levar a uma "crise por semana, precificada". Sua preocupação era clara: se os casos seguirem separados, a corte corre o risco de tomar decisões contraditórias sobre os mesmos fatos.
Moraes reforçou essa preocupação. Apontou o "risco concreto de decisões contraditórias" e de "tumulto processual julgando as mesmas coisas só que com sinal invertido hoje e na próxima quarta-feira". Ele também levantou uma questão delicada: se ele e Mendonça poderiam votar nos processos um do outro sem conflito de interesse. "Ele poderia julgar e afastar alegações de seu próprio interesse na outra ação de seu julgamento na semana que vem? Eu poderei julgar ação do ministro André afastando alegações que ele mandou a Vossa Excelência em relação a mim?", perguntou.
O fato de Dino ter pedido vista antes da proclamação deixa em aberto a possibilidade de mudança no placar. Seu voto, se computado, alteraria o resultado para 4 a 4, o que teria consequências significativas para o andamento dos procedimentos. A sessão refletiu as fraturas profundas que a crise do Banco Master abriu no tribunal, com ministros discordando não apenas sobre o mérito dos casos, mas sobre como a própria corte deveria conduzi-los.
Notable Quotes
Cabe ao presidente velar pelas prerrogativas do tribunal, representá-lo perante os demais poderes de autoridade, e dirigir-lhe os trabalhos e presidir-lhe as sessões plenárias— Edson Fachin
Para a autoridade técnica do tribunal não é bom e acho que isso conduzirá a um caminho de dissolução irreparável, porque vai ser uma crise por semana, precificada— Flávio Dino
Risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual julgando as mesmas coisas só que com sinal invertido— Alexandre de Moraes