Em agosto de 2021, centenas de figuras proeminentes da vida pública brasileira — economistas, empresários, diplomatas e líderes religiosos — uniram suas vozes em um manifesto em defesa da Justiça Eleitoral e do voto eletrônico, respondendo às investidas do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral. O gesto transcendia a política partidária: era a sociedade civil, em sua diversidade, reafirmando que a legitimidade democrática não é negociável. Num momento em que a dúvida era semeada como estratégia, a resposta coletiva funcionou como um lembrete de que as instituições têm guardiões a
Sociedade civil assina manifesto em defesa da Justiça Eleitoral e voto eletrônico
A sociedade brasileira não aceitará aventuras autoritárias
Por que um manifesto assim importa? Bolsonaro é o presidente — ele pode simplesmente ignorar.
Claro que pode ignorar. Mas um manifesto assim não é para convencê-lo. É para deixar claro, para o resto do país e para a história, que existe uma linha que não será cruzada sem resistência. É um aviso.
Mas por que esses nomes específicos? Por que economistas e empresários, não apenas políticos?
Porque economistas e empresários têm poder real — sobre mercados, sobre empregos, sobre a confiança internacional. Se eles dizem que o sistema eleitoral é confiável, isso importa para investidores, para bancos, para a estabilidade do país. É diferente de um político dizer a mesma coisa.
E os líderes religiosos? Que papel eles têm aqui?
Legitimidade moral. Quando um cardeal e um rabino assinam juntos, não é sobre política partidária. É sobre princípios. É sobre dizer que isso transcende divisões. Que a democracia é um valor que une pessoas de diferentes credos.
Você acha que funcionou? Que o manifesto mudou algo?
Provavelmente não mudou a mente de Bolsonaro. Mas criou um registro público. Mostrou que havia uma barreira. E talvez tenha dado coragem a outras pessoas para também se posicionarem. Às vezes a resistência não é sobre vencer imediatamente. É sobre não desistir.
E o site aberto para mais assinaturas — isso era importante?
Era. Transformava um gesto de elite em algo potencialmente maior. Dizia: isso não é só coisa de gente importante. Qualquer um pode assinar. Qualquer um pode dizer que acredita na democracia.
Le Pouls
- Bolsonaro atacava repetidamente o sistema de voto eletrônico sem apresentar provas, criando um clima de desconfiança que ameaçava a legitimidade das eleições futuras.
- A tensão crescia diante da possibilidade de que o presidente pudesse rejeitar resultados eleitorais desfavoráveis, abrindo caminho para uma crise institucional sem precedentes.
- Centenas de nomes de peso — de Arminio Fraga a dom Odilo Scherer, de Luiza Trajano ao rabino Michel Schlesinger — assinaram um manifesto público como resposta coordenada e simbólica.
- O documento declarava a Justiça Eleitoral brasileira como uma das mais modernas do mundo e alertava que 'aventuras autoritárias' não seriam toleradas pela sociedade civil.
- O movimento extrapolou o papel impresso: um site aberto a novas adesões transformou o manifesto em uma plataforma viva de resistência democrática.
Em agosto de 2021, centenas de figuras proeminentes da vida pública brasileira — economistas, empresários, diplomatas e líderes religiosos — uniram suas vozes em um manifesto em defesa da Justiça Eleitoral e do voto eletrônico, respondendo às investidas do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral. O gesto transcendia a política partidária: era a sociedade civil, em sua diversidade, reafirmando que a legitimidade democrática não é negociável. Num momento em que a dúvida era semeada como estratégia, a resposta coletiva funcionou como um lembrete de que as instituições têm guardiões além dos que ocupam o poder.
Numa quinta-feira de agosto, centenas de nomes da vida pública brasileira assinaram um manifesto com uma mensagem direta ao presidente: a Justiça Eleitoral funciona, o voto eletrônico é seguro, e o Brasil não aceitará ataques à democracia. O gesto era uma resposta às investidas repetidas de Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral eletrônico — críticas sem provas que muitos liam como preparação para contestar resultados futuros.
O documento reunia figuras de peso em campos distintos. Economistas como Arminio Fraga, Pedro Malan e Roberto Setúbal; empresários como Luiza e Fred Trajano e Guilherme Leal; líderes religiosos como o cardeal dom Odilo Scherer e o rabino Michel Schlesinger; e políticos com trajetória institucional como Cristovam Buarque e Roberto Freire. A diversidade dos signatários era, em si, parte da mensagem.
O texto afirmava que uma democracia saudável exige eleições livres e respeito aos seus resultados, descrevia a Justiça Eleitoral como uma das mais modernas e respeitadas do mundo, e concluía com uma declaração de confiança na sociedade brasileira como guardiã da Constituição. Para além do papel, foi criado o site Eleição se Respeita, mantendo o manifesto aberto a novas adesões — um convite para que a rede de resistência democrática continuasse a crescer.
Na quinta-feira de agosto, centenas de nomes conhecidos da vida pública brasileira — economistas, empresários, diplomatas, líderes religiosos — colocaram suas assinaturas em um documento que funcionava como um recado direto ao presidente. O manifesto era simples em sua mensagem: a Justiça Eleitoral funciona, o voto eletrônico é seguro, e o Brasil não aceitará ataques à democracia.
O gesto não era casual. Jair Bolsonaro havia feito, repetidamente e sem apresentar provas, ataques ao sistema de votação eletrônico do país, defendendo a volta do voto impresso. Essas investidas contra o mecanismo eleitoral funcionavam como uma ameaça velada ao próprio processo democrático — a possibilidade de que, se os resultados não agradassem, o presidente pudesse questionar sua legitimidade. O manifesto era uma resposta a isso: um aviso de que a sociedade civil estava atenta e não permitiria "aventuras autoritárias".
O documento reunia figuras de peso em seus respectivos campos. Entre os economistas estavam Pedro Moreira Salles, Arminio Fraga, Pedro Malan e Roberto Setúbal — nomes que carregam décadas de influência sobre a política econômica do país. Os empresários incluíam Luiza e Fred Trajano, do varejo; Carlos Jereissati Filho, da indústria; e Guilherme Leal, do setor de consumo. Havia também líderes religiosos como o cardeal dom Odilo Scherer e o rabino Michel Schlesinger, representando diferentes tradições de fé. Políticos com histórico de atuação — Cristovam Buarque, Roberto Freire, Eduardo Jorge — também assinavam.
O texto do manifesto era direto. Dizia que uma democracia saudável depende de eleições livres e da aceitação de seus resultados por todos. Afirmava que a Justiça Eleitoral brasileira era uma das mais modernas e respeitadas do mundo. E concluía com uma declaração de confiança: a sociedade brasileira era guardiã da Constituição e não permitiria desvios autoritários. O Brasil teria eleições, e seus resultados seriam respeitados.
A mobilização não ficou apenas no documento impresso. Foi criado um site chamado Eleição se Respeita, onde o manifesto permanecia aberto para novas assinaturas. Era um convite para que mais pessoas da sociedade civil se juntassem ao recado. O gesto coletivo tinha peso: não era um único crítico falando, mas uma rede ampla de influência — econômica, religiosa, intelectual — dizendo a mesma coisa ao mesmo tempo. Era a elite civil brasileira, em suas múltiplas formas, se posicionando contra o que via como uma ameaça existencial ao sistema democrático.
Citations marquantes
O princípio chave de uma democracia saudável é a realização de eleições e a aceitação de seus resultados por todos os envolvidos. A Justiça Eleitoral brasileira é uma das mais modernas e respeitadas do mundo.— Manifesto da sociedade civil