Onze dias após ser parcialmente expelido pela janela de um avião em pleno voo, o empresário sérvio Ljubisa Karović, de 61 anos, carrega no corpo e na mente as marcas de um instante em que a fronteira entre a vida e o vazio era apenas um cinto de segurança. O incidente, ocorrido a bordo de um voo da Ryanair entre a Grécia e a Alemanha, levanta questões antigas sobre o dever de cuidado em situações extremas — e sobre quem, afinal, age quando o protocolo falha. Sua recuperação, física e psicológica, é o espelho de uma pergunta que a aviação moderna ainda não respondeu completamente.
Sobrevivente de sucção em avião relata trauma persistente: 'A explosão é o que lembro'
A explosão é o que eu lembro, o barulho antes do caos
O que o manteve preso ao avião naquele momento?
Ele acredita que foi o cinto de segurança. Ou talvez o destino — ele é um homem de fé. Mas honestamente, ninguém sabe ao certo. O que sabemos é que passageiros o puxaram de volta.
E a tripulação? Onde estava durante tudo isso?
Essa é a questão que seu advogado está fazendo. Testemunhas dizem que entraram em choque. A Ryanair diz que ajudou assim que puderam. Mas ninguém discorda que foram os passageiros que salvaram sua vida.
Como é acordar com aquele som ainda na cabeça?
Ele diz que é o barulho antes do caos. Está sempre lá quando fecha os olhos para dormir. Onze dias depois, e ainda é a coisa mais marcante da experiência inteira.
Ele vai voltar a voar?
Ele não consegue imaginar quando isso acontecerá. Viajava frequentemente a trabalho, mas agora a ideia de entrar em um avião parece impossível.
Sua esposa testemunhou tudo?
Ela estava três fileiras atrás. Viu o marido sendo sugado para fora. Correu para ajudar. Ela se lembra de cada detalhe — o rosto dele inchado, a pressão deformando seus traços. Ele não se lembra de muita coisa.
O que ele quer agora?
Recuperação. E compensação. Não apenas e-mails sobre remarcar o voo. Ele quer que alguém reconheça o que aconteceu e o que lhe foi tirado.
El Pulso
- Uma explosão rompeu a cabine pressurizada e Karović foi sugado para fora da fuselagem, permanecendo suspenso no exterior por mais de um minuto a milhares de metros de altitude.
- Foram passageiros — não a tripulação — que o puxaram de volta para dentro, enquanto sua esposa assistia ao horror a apenas três fileiras de distância.
- O corpo de Karović acusa queimaduras, hematomas extensos e desmaios repetidos; sua mente, porém, é assombrada por uma explosão que ressoa cada vez que tenta dormir.
- A Ryanair defende a conduta de sua equipe após a aeronave atingir altitude segura, mas o advogado da vítima contesta a ausência de resposta nos momentos mais críticos.
- Com cirurgia ainda incerta e trauma psicológico sem prazo de resolução, Karović exige mais do que e-mails de remarcação — exige respostas e indenização.
Onze dias após ser parcialmente expelido pela janela de um avião em pleno voo, o empresário sérvio Ljubisa Karović, de 61 anos, carrega no corpo e na mente as marcas de um instante em que a fronteira entre a vida e o vazio era apenas um cinto de segurança. O incidente, ocorrido a bordo de um voo da Ryanair entre a Grécia e a Alemanha, levanta questões antigas sobre o dever de cuidado em situações extremas — e sobre quem, afinal, age quando o protocolo falha. Sua recuperação, física e psicológica, é o espelho de uma pergunta que a aviação moderna ainda não respondeu completamente.
Ljubisa Karović dormia no assento junto à janela quando um estrondo o arrancou do sono. Em segundos, a cabine do voo Ryanair entre a Grécia e a Alemanha perdeu pressão e ele foi puxado para fora da aeronave, suspenso contra a fuselagem por mais de um minuto. O que o manteve vivo foi o cinto de segurança — e a coragem de desconhecidos.
Sua esposa Svetlana, três fileiras atrás, correu até ele. Um passageiro, possivelmente albanês, foi o mais decisivo: puxou Karović de volta para dentro com toda a força que tinha e tentou tampar a janela destruída. Uma bolsa foi imediatamente sugada para fora; uma mala funcionou como barreira. Karović desmaiou duas ou três vezes. Nenhum comissário de bordo, segundo Svetlana, ofereceu ajuda naqueles momentos.
As sequelas são duplas. No corpo, queimaduras e hematomas extensos no braço direito, axila e peito, além de um colar cervical que deverá ser usado por ao menos seis semanas antes de se avaliar a necessidade de cirurgia. Na mente, o barulho da explosão que retorna toda vez que fecha os olhos. Karović, que viajava frequentemente a trabalho, não consegue imaginar quando voltará a embarcar em um avião.
Apesar de tudo, ele reconhece a sorte de estar vivo e agradece a Deus diariamente. Mas a gratidão não silencia as perguntas. Seu advogado, Vasilis Tsiaras, questiona a resposta da tripulação de cabine durante a emergência, enquanto a Ryanair afirma que sua equipe prestou assistência assim que a altitude foi estabilizada e garantiu a presença de um médico a bordo até o pouso em Tessalônica. O incidente segue sob investigação, e Karović deixa claro o que espera: recuperação, respostas e uma indenização à altura do que viveu.
Onze dias depois de ser parcialmente sugado para fora de um avião em voo, Ljubisa Karović ainda acorda com o som da explosão ecoando em sua cabeça. O empresário sérvio de 61 anos estava dormindo no assento 11F, junto à janela de um voo da Ryanair entre a Grécia e a Alemanha, quando um estrondo o despertou. Segundos depois, a cabine perdeu pressão e ele foi puxado para fora da aeronave, permanecendo suspenso no ar por mais de um minuto enquanto a força da despressurização o mantinha contra o exterior da fuselagem.
O que salvou Karović não foi a tripulação, mas passageiros que agiram por instinto. Sua esposa, Svetlana, viajava três fileiras atrás e correu para ajudar. Um homem que ela acredita ser albanês foi particularmente decisivo — puxou Karović de volta para dentro com toda a força que conseguiu reunir, depois tentou tampar a janela destruída. Uma bolsa foi imediatamente sugada para fora; uma mala funcionou. Svetlana relata que nenhum comissário de bordo ofereceu assistência durante aqueles momentos críticos. Seu marido desmaiou duas ou três vezes — uma enquanto estava parcialmente fora da janela, outras duas já dentro da cabine — e seu rosto ficou inchado e deformado pela pressão e pela corrente de ar.
A recuperação de Karović é física e psicológica ao mesmo tempo. Ele sofreu queimaduras e hematomas extensos no braço direito que se estendem até a axila e o peito. Um colar cervical foi prescrito, e os médicos indicam que ele precisará usá-lo por pelo menos seis semanas antes que seja avaliada a necessidade de cirurgia. Mas o dano invisível pode ser mais profundo. "A explosão é o que eu lembro", disse ao The Guardian. "É o barulho antes do caos, o som que está sempre presente quando fecho os olhos para dormir." Karović, que viajava frequentemente a trabalho, agora não consegue imaginar quando voltará a embarcar em um avião.
Apesar do trauma, ele encontra alguma medida de gratidão. "Tenho sorte", afirmou. "Não me lembro de muita coisa e minha cabeça e meu pescoço ainda doem, mas continuo vivo." Ele atribui sua sobrevivência ao cinto de segurança que o manteve preso, ou talvez ao destino — ele é religioso e agradece a Deus diariamente. Mas essa gratidão não o impede de buscar respostas sobre o que aconteceu e compensação pelo ocorrido.
Seu advogado, Vasilis Tsiaras, sustenta que a resposta da tripulação foi inadequada. Testemunhas relataram que os comissários entraram em estado de choque durante a emergência e não ofereceram ajuda enquanto Karović estava sendo puxado para fora. A Ryanair nega essa versão. A companhia afirmou que, assim que a aeronave atingiu uma altitude segura, sua tripulação prestou assistência, transferindo Karović para assentos ao lado de sua esposa e garantindo que um médico a bordo permanecesse com ele até o pouso seguro em Tessalônica. A empresa também organizou atendimento médico no desembarque.
O advogado não se convence. Ele elogia o piloto por ter seguido os protocolos de segurança e lidado bem com a situação, mas questiona a resposta da equipe de cabine. O incidente ainda está sendo investigado, e as circunstâncias exatas que causaram a explosão que rompeu a janela permanecem sob escrutínio. Enquanto isso, Karović tenta superar o trauma — as imagens que voltam à sua cabeça, o barulho da explosão, o caos. "Eu quero me recuperar", disse. "E, sim, também deve haver uma indenização. Não apenas e-mails focados em remarcar o voo."
Citas Notables
A explosão é o que eu lembro. É o barulho antes do caos, o som que está sempre presente quando fecho os olhos para dormir.— Ljubisa Karović, ao The Guardian
Nenhum dos comissários ajudou. Foram os passageiros. Um homem, acho que era albanês, foi incrível.— Svetlana Karović, esposa da vítima