Em um país onde trajetórias políticas raramente seguem linha reta, Sergio Moro — ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça e atual senador — chega à sabatina da Folha e do UOL como favorito à disputa pelo governo do Paraná, carregando consigo décadas de controvérsia e uma liderança sólida nas pesquisas. A entrevista, marcada para esta sexta-feira, é mais do que um ritual eleitoral: é o momento em que uma figura que moldou capítulos decisivos da história jurídica e política brasileira se submete ao escrutínio público em busca de um novo mandato executivo.
Sergio Moro participa de sabatina Folha/UOL nesta sexta para governança do PR
Manteve-se em vantagem nas pesquisas apesar dos obstáculos internos
Por que Moro decidiu sair da magistratura justamente em 2018, no momento em que a Lava Jato estava em seu auge?
Ele aceitou o convite para ser ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Era uma oportunidade de ampliar sua influência além da sala de julgamentos, de levar suas convicções para a política de segurança pública em nível nacional.
E o que o fez sair do ministério apenas 16 meses depois?
Alegou que Bolsonaro tentava interferir na autonomia da Polícia Federal. Havia tensão entre a lealdade que o presidente esperava e a independência que Moro acreditava ser necessária para a instituição.
Sua trajetória depois disso parece errática — Podemos, União Brasil, agora PL. Como ele explica essas mudanças?
Cada movimento foi uma tentativa de encontrar espaço para crescer politicamente. Quando viu que não tinha estrutura no Podemos para presidente, buscou outro partido. Quando o União Brasil não o abriu espaço, foi para o Senado. Agora está no PL, que oferece plataforma e alianças para o governo estadual.
A anulação de parte da Lava Jato não prejudica sua candidatura?
Formalmente, não. Ele ainda é visto por seus apoiadores como símbolo de combate à corrupção, mesmo que a operação tenha sido contestada judicialmente. A narrativa que constrói é de continuidade dessa agenda.
Como ele conseguiu sair de uma posição de dificuldade interna no partido para liderar as pesquisas?
Manteve-se visível, conquistou apoios de outras legendas, e sua reputação nacional — para bem ou para mal — o diferencia dos outros candidatos. As pesquisas mostram que ele tem penetração eleitoral que seus rivais não conseguem alcançar.
O que esperar dessa sabatina?
Provavelmente perguntas sobre sua atuação na Lava Jato, sobre as mudanças de partido, sobre suas propostas para o Paraná. É uma oportunidade para ele responder críticas e consolidar sua narrativa antes da reta final da campanha.
The Pulse
- Moro lidera com folga — 39% contra 18% do segundo colocado —, mas carrega o peso de uma trajetória repleta de rupturas e contestações judiciais.
- A sabatina coloca em evidência as tensões entre sua imagem de combatente à corrupção e as críticas que acompanham sua passagem pela magistratura e pelo governo Bolsonaro.
- Sua filiação ao PL em março surpreendeu o grupo do governador Ratinho Junior, criando fissuras internas no campo conservador paranaense.
- Com apoio do Novo, Podemos e Democracia Cristã, Moro tenta consolidar uma frente ampla à direita antes do pleito de outubro.
- A transmissão ao vivo no YouTube do UOL e na Folha amplia o alcance da sabatina para além do eleitorado paranaense, projetando o debate em escala nacional.
Em um país onde trajetórias políticas raramente seguem linha reta, Sergio Moro — ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça e atual senador — chega à sabatina da Folha e do UOL como favorito à disputa pelo governo do Paraná, carregando consigo décadas de controvérsia e uma liderança sólida nas pesquisas. A entrevista, marcada para esta sexta-feira, é mais do que um ritual eleitoral: é o momento em que uma figura que moldou capítulos decisivos da história jurídica e política brasileira se submete ao escrutínio público em busca de um novo mandato executivo.
Sergio Moro, senador pelo Paraná e candidato ao governo estadual pelo PL, será entrevistado pela Folha e UOL nesta sexta-feira, 7 de agosto, a partir das 12h30. A sabatina integra um ciclo de entrevistas com candidatos a governador — iniciado na véspera com Anthony Garotinho, que disputa o Rio de Janeiro — e terá duração de uma hora, com transmissão ao vivo no YouTube do UOL e na home da Folha.
Figura central da política brasileira, Moro ficou conhecido por conduzir os processos da Operação Lava Jato a partir de 2014. Parte significativa da operação foi posteriormente anulada. Formado em direito pela Universidade Estadual de Maringá, ele permaneceu na magistratura por mais de duas décadas antes de deixar a toga em 2018 para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro. Saiu da pasta em abril de 2020, alegando que o presidente tentava interferir na autonomia da Polícia Federal.
Sua trajetória política posterior foi marcada por oscilações: tentou uma candidatura presidencial pelo Podemos, migrou para o União Brasil sem conseguir espaço no Planalto e optou pelo Senado em 2022, vencendo com 33,5% dos votos. Em março deste ano, filiou-se ao PL — movimento que surpreendeu o grupo do governador Ratinho Junior, que contava com o apoio da legenda. Sua esposa, a deputada federal Rosângela Moro, transferiu o domicílio eleitoral de São Paulo para o Paraná.
Pesquisa Quaest de 27 de julho aponta Moro com 39% em primeiro turno, à frente de Requião Filho (18%), Rafael Greca (12%) e Sandro Alex (7%). Ele também conquistou o apoio de Novo, Podemos e Democracia Cristã, e tem como candidato a vice Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Paraná.
Sergio Moro, senador pelo Paraná e candidato ao governo estadual pela legenda do PL, será entrevistado pela Folha e UOL nesta sexta-feira, 7 de agosto, a partir das 12h30. A sabatina marca a segunda rodada de um ciclo de entrevistas com candidatos a governador, iniciado na quinta-feira com Anthony Garotinho, que disputa o Rio de Janeiro.
Moro é figura central na política brasileira contemporânea, conhecido nacionalmente por sua atuação como juiz federal à frente dos processos da Operação Lava Jato, deflagrada em 2014. Sua condução daqueles casos — e as decisões que tomou — foram posteriormente contestadas judicialmente, com parte significativa da operação sendo anulada. Aos 54 anos, formado em direito pela Universidade Estadual de Maringá em 1995, ele permaneceu na magistratura por mais de duas décadas antes de deixar a toga no final de 2018 para assumir o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Saiu da pasta em abril de 2020, alegando que o presidente tentava interferir na autonomia da Polícia Federal.
Sua trajetória política após deixar o ministério foi marcada por oscilações. Filiou-se ao Podemos em 2021 e ensaiou uma candidatura presidencial, mas concluiu não ter estrutura partidária suficiente. Migrou então para o União Brasil, onde também não conseguiu espaço para disputar o Planalto em 2022. Optou pelo Senado naquele ano e venceu com 33,5% dos votos em disputa acirrada contra Paulo Martins, que obteve 29,1%. Durante essa campanha, reaproximou-se de Bolsonaro e manteve pauta anti-PT ao longo do mandato na Casa.
Sua esposa, a advogada Rosângela Moro, foi eleita deputada federal por São Paulo em 2022 com 217 mil votos. Atualmente integra a chapa do PL para a Câmara Federal, mas transferiu seu domicílio eleitoral de São Paulo para o Paraná. Em 2024, Moro começou a admitir publicamente interesse em disputar o governo estadual. Naquele ano, contestou escolhas de candidatos a prefeituras feitas pelo próprio partido e enfrentou dificuldades para costurar alianças. Apesar dos obstáculos internos, manteve-se em vantagem nas pesquisas de intenção de voto e, em março deste ano, filiou-se ao PL — movimento que surpreendeu o grupo do governador Ratinho Junior, que até então contava com apoio da legenda.
Pesquisa Quaest divulgada em 27 de julho mostra Moro com 39% em cenário de primeiro turno, seguido por Requião Filho com 18%. Rafael Greca, do MDB, registra 12%, enquanto Sandro Alex, candidato do atual governador Ratinho Junior pelo PSD, pontua com 7%. Moro também conquistou apoio do Novo, Podemos e Democracia Cristã para o pleito de outubro. Seu candidato a vice-governador é Edson Vasconcelos, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado do Paraná.
A entrevista terá duração de uma hora e será conduzida por jornalistas do UOL e da Folha. Será transmitida ao vivo no YouTube do UOL e no Canal UOL, com transmissão também na home da Folha de S.Paulo.
Notable Quotes
Deixou a magistratura no final de 2018 para assumir a pasta da Justiça sob o governo de Jair Bolsonaro, saindo em abril de 2020 alegando que o então presidente tentava interferir na autonomia da Polícia Federal— Informação do histórico de Moro