Senado aprova projeto que institui 'OAB dos Médicos' com votação apertada

Concentrar tudo em uma única prova ao final do curso é arriscado
Parlamentares que votaram contra o Profimed expressaram preocupação com a estrutura do exame e sua coordenação pelo CFM.
Mark

Por que a votação foi tão apertada se a ideia de um exame nacional de proficiência parece razoável?

Mimi

Porque não é só sobre o exame. É sobre quem manda. Alguns senadores acham que o Conselho Federal de Medicina não deveria ter esse poder de coordenação — que deveria ser o Ministério da Educação.

Luke

E qual é a diferença prática? O CFM vai aplicar a prova de forma diferente do MEC?

Mimi

Não sabemos exatamente. Mas o CFM é um órgão corporativo, representa os médicos. O MEC é estatal. A preocupação é que o CFM possa usar o exame para controlar quem entra na profissão de forma mais restritiva.

Mark

Então alguns parlamentares temem que seja uma forma de fechar a porta para novos médicos?

Mimi

Não exatamente fechar, mas talvez tornar mais difícil. E há também a questão de concentrar tudo em uma única prova no final do curso — se você falha, não há segunda chance fácil.

Luke

Mas o projeto também cria essa categoria de Inscrição de Egresso em Medicina, certo? Quem não passa no Profimed pode fazer atividades técnico-científicas restritas.

Mimi

Sim, mas é uma categoria intermediária, não é o mesmo que estar registrado como médico. É uma espécie de limbo profissional.

Mark

E quanto ao plano de expansão de residências? Isso não ajuda a absorver mais médicos?

Mimi

Ajuda, mas é uma meta para 2035. Estamos falando de dez anos. Enquanto isso, o Profimed já estaria em vigor.

Luke

Então a votação apertada faz sentido — há questões reais aqui que não têm resposta óbvia.

Mimi

Exatamente. E o projeto ainda precisa de mais uma votação na comissão antes de ir para a Câmara. Pode mudar.

  • A aprovação por margem mínima — 11 votos contra 9 — expõe uma divisão profunda entre parlamentares sobre se um único exame ao fim da graduação é uma garantia justa de competência ou uma barreira arbitrária.
  • O ponto mais explosivo do debate é a escolha do CFM, e não do MEC, como coordenador do Profimed, levantando suspeitas de que um conselho corporativo estaria assumindo um papel que deveria ser do Estado.
  • Para não deixar recém-formados em um limbo jurídico, o projeto cria a 'Inscrição de Egresso em Medicina', uma categoria intermediária que permite atividades restritas a quem ainda não passou no exame.
  • O texto ainda precisa de uma votação suplementar na própria Comissão de Assuntos Sociais antes de seguir para a Câmara dos Deputados, mantendo o desfecho incerto e o debate aberto.

Em um momento em que o Brasil debate a qualidade da formação médica e a proliferação de novos cursos, o Senado deu um passo significativo ao aprovar o Profimed — um exame nacional obrigatório que funcionaria como porta de entrada para o exercício da medicina. A votação apertada, 11 a 9, revela que a sociedade ainda não chegou a um consenso sobre quem deve guardar as chaves da profissão: o Estado, pela via do Ministério da Educação, ou a própria corporação médica, pelo Conselho Federal de Medicina. O projeto segue seu caminho legislativo carregando consigo uma pergunta antiga sobre autonomia profissional, responsabilidade pública e os limites do poder corporativo.

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou, por 11 votos a 9, um projeto de lei que cria o Profimed — Exame Nacional de Proficiência em Medicina —, tornando-o requisito obrigatório para que novos médicos obtenham registro nos conselhos regionais. Apelidado de 'OAB dos Médicos', o texto é um substitutivo do relator Dr. Hiran, do Progressistas de Roraima, ao projeto original do senador Marcos Pontes. Antes de ir à Câmara, o projeto ainda passará por uma votação suplementar na mesma comissão.

O aspecto mais polêmico é a atribuição da coordenação do exame ao Conselho Federal de Medicina, e não ao Ministério da Educação. Críticos temem a concentração de poder em um órgão corporativo, enquanto defensores argumentam que a medida garante um padrão nacional de competência antes do exercício da profissão. O MEC continuaria responsável pelo Enamed, aplicado aos estudantes do quarto ano para avaliar a qualidade dos cursos.

Além do exame final, o projeto traz outras mudanças: expansão da residência médica com meta de 0,75 vaga por médico formado até 2035, competência exclusiva da União para autorizar cursos de medicina e a criação de uma 'Inscrição de Egresso', categoria intermediária para quem ainda não foi aprovado no Profimed. A aprovação frágil e o debate aceso indicam que o caminho até a sanção ainda será longo.

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou nesta quarta-feira um projeto de lei que cria o Exame Nacional de Proficiência em Medicina, batizado de Profimed, transformando-o em requisito obrigatório para que novos médicos consigam se registrar nos conselhos regionais. A votação foi apertada: 11 votos a favor, 9 contra. O projeto, que alguns chamam de "OAB dos Médicos", é um substitutivo elaborado pelo relator Dr. Hiran, do Progressistas de Roraima, ao Projeto de Lei nº 2.294/2024, originalmente apresentado pelo senador Astronauta Marcos Pontes, do PL de São Paulo.

Antes de seguir para a Câmara dos Deputados, o texto ainda precisa passar por uma votação suplementar na própria comissão para aprovação definitiva. Essa etapa adicional é necessária porque a CAS tem poder de decisão final sobre a matéria. A margem estreita de aprovação já sinaliza o quanto a proposta divide os parlamentares, mesmo entre aqueles que reconhecem a relevância de um exame nacional de proficiência.

O ponto mais controverso é quem coordenará o Profimed. O texto aprovado atribui essa responsabilidade ao Conselho Federal de Medicina, não ao Ministério da Educação. Essa escolha gerou críticas de vários parlamentares, que temem uma concentração de poder na mão de um órgão corporativo em vez de uma instituição estatal ligada à educação. O MEC, historicamente, coordena avaliações de qualidade dos cursos de medicina através do Enamed, que continuaria sendo aplicado aos alunos do quarto ano.

Além do Profimed como barreira final para registro profissional, o projeto propõe outras mudanças no ecossistema da formação médica. Estudantes do quarto ano deverão fazer o Enamed, uma avaliação obrigatória sob coordenação do MEC para medir a qualidade dos cursos de origem. Há também um plano de expansão da residência médica, com meta de alcançar, até 2035, pelo menos 0,75 vaga de residência por médico formado. A União ganharia competência exclusiva para autorizar e supervisionar cursos de medicina. E há uma categoria intermediária criada: a Inscrição de Egresso em Medicina, que permitiria atividades técnico-científicas restritas para quem ainda não foi aprovado no Profimed.

A tensão entre centralizar a avaliação no CFM ou no MEC reflete uma questão mais ampla sobre quem deve controlar a qualidade e o acesso à profissão médica. Parlamentares que votaram contra argumentaram que concentrar tudo em uma única prova ao final do curso é arriscado e que a coordenação deveria ficar com o ministério responsável pela educação, não com um conselho profissional. Aqueles que votaram a favor destacaram a importância de garantir um padrão nacional de competência antes que novos médicos exerçam a profissão. O projeto segue agora para a próxima etapa, com a aprovação ainda frágil e o debate longe de encerrado.

Parlamentares reconheceram a importância do Profimed, mas demonstraram preocupação com a aplicação concentrada em uma única prova ao final do curso e com a coordenação da avaliação pelo CFM
— Relatos da votação na Comissão de Assuntos Sociais
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