Numa semana em que o tempo económico parece querer medir-se em decisões e números, a economia mundial volta a olhar para Washington, onde a Reserva Federal deverá manter os juros, enquanto a guerra no Médio Oriente ameaça prolongar a inflação. Em Portugal, a mesma pausa atravessa as empresas cotadas, que apresentam os resultados do segundo trimestre, e o país que, depois de estagnar no início do ano, ainda cresce mais de dois por cento face ao ano anterior. É um retrato de equilíbrio frágil, em que cada número pode ser lido como alívio ou como aviso.
Semana decisiva: Fed, resultados das cotadas do PSI e das tecnológicas, PIB e inflação em foco
Crédito à habitação cresce quase 11%, o ritmo mais alto desde 2003
Se tivesse de escolher um acontecimento da semana, qual seria?
A decisão da Fed, na quarta-feira. Espera-se que os juros fiquem iguais, mas o discurso de Kevin Warsh é que interessa, porque ele prometeu dar menos pistas sobre o futuro.
E porque é que o mercado olha para uma possível subida de juros?
Por causa da guerra no Médio Oriente, que pode tornar a inflação mais persistente. Os investidores já estão a incorporar uma subida ainda este ano.
Convém separar: o que se espera é a manutenção dos juros. A subida é uma leitura dos investidores, não uma decisão nem uma previsão confirmada.
E os CTT? Houve uma subida em bolsa.
Sim, ganharam 60 milhões de euros de capitalização em dois dias, depois de a Bloomberg noticiar a aproximação ao Cajamar.
Mas a parceria é só uma notícia da Bloomberg sobre um alerta da divisão bancária. Não há acordo confirmado.
E a inflação de julho?
Em junho houve o primeiro alívio desde o início da guerra no Irão: 2,8% na Zona Euro e 3,2% em Portugal.
Quanto a julho, só se sabe que o petróleo voltou a subir. Quanto isso pesa nos números, ainda é desconhecido até quinta e sexta-feira.
Der Puls
- A Galp abriu a semana com uma margem de refinação que saltou 175%, sinal de que a guerra reconfigurou os lucros do setor energético.
- Os CTT estão sob atenção redobrada depois de a Bloomberg noticiar o interesse do Cajamar numa parceria com a sua divisão bancária, e a cotada já ganhou 60 milhões em valor bolsista.
- A Reserva Federal, liderada por Kevin Warsh, deverá manter os juros, mas os investidores já descontam uma subida ainda este ano e aguardam pistas no discurso.
- O PIB português estagnou no primeiro trimestre, embora cresça 2,3% em termos homólogos, e os números de julho da inflação podem mostrar a pressão renovada do petróleo após o fim do cessar-fogo.
Numa semana em que o tempo económico parece querer medir-se em decisões e números, a economia mundial volta a olhar para Washington, onde a Reserva Federal deverá manter os juros, enquanto a guerra no Médio Oriente ameaça prolongar a inflação. Em Portugal, a mesma pausa atravessa as empresas cotadas, que apresentam os resultados do segundo trimestre, e o país que, depois de estagnar no início do ano, ainda cresce mais de dois por cento face ao ano anterior. É um retrato de equilíbrio frágil, em que cada número pode ser lido como alívio ou como aviso.
Na segunda-feira, a Galp abriu a semana com as contas do segundo trimestre e uma surpresa: a margem de refinação aumentou 175%. É o primeiro de vários resultados das cotadas do PSI que vão marcar os próximos dias, numa semana em que a agenda económica junta também a Reserva Federal, as grandes tecnológicas, o PIB e a inflação.
Na terça-feira chega a vez dos CTT, uma empresa observada com atenção desde que a Bloomberg noticiou o interesse do espanhol Cajamar numa possível parceria com a sua divisão bancária. Em dois dias, as ações valorizaram o suficiente para acrescentar 60 milhões de euros em capitalização bolsista.
Em Washington, a decisão da Fed é conhecida na quarta-feira. Os economistas esperam juros inalterados na segunda reunião presidida por Kevin Warsh, que prometeu dar menos pistas sobre o futuro, pelo que o discurso será decisivo. O regresso da guerra no Médio Oriente pode tornar a inflação mais persistente, e os investidores já admitem uma subida ainda este ano.
Na quinta-feira, o PIB de Portugal e da Zona Euro ganha os holofotes. No primeiro trimestre, a economia portuguesa estagnou face ao último trimestre de 2025, mas cresceu 2,3% em termos homólogos. A semana fecha com a inflação de julho: em junho tinha abrandado para 2,8% na Zona Euro e 3,2% em Portugal, o primeiro alívio desde o início da guerra no Irão. Os números de julho poderão agora revelar o efeito da nova subida do petróleo.
Na segunda-feira, a Galp abriu a semana com as contas do segundo trimestre e um número que saltou à vista: a margem de refinação aumentou 175%. Foi o primeiro de vários resultados das cotadas do PSI que vão marcar os próximos dias, numa semana em que a agenda económica junta ainda a Reserva Federal norte-americana, as grandes tecnológicas, o PIB e a inflação.
Na terça-feira é a vez dos CTT. A empresa chega a esta data com a atenção reforçada: na semana passada, a Bloomberg noticiou que a divisão bancária dos correios chamou a atenção do espanhol Cajamar para uma possível parceria entre os dois. As ações valorizaram e, em dois dias, a cotada ganhou 60 milhões de euros em capitalização bolsista.
O Banco de Portugal atualiza entretanto os números de junho sobre empréstimos e depósitos de empresas e particulares. O ponto de partida é o mês anterior, em que o crédito à habitação cresceu quase 11% em termos anuais, a subida mais elevada desde fevereiro de 2003, prolongando a trajetória de aumento iniciada em 2024. Já o stock de depósitos das famílias continuou a crescer, mas ao ritmo mais baixo desde fevereiro: 4,6%.
Em Washington, os membros do Comité Federal do Mercado Aberto reúnem-se durante dois dias, e a decisão de política monetária da Fed é conhecida na quarta-feira. Os economistas esperam que os juros fiquem inalterados na segunda reunião presidida por Kevin Warsh. O responsável prometeu dar menos pistas sobre o rumo futuro das taxas diretoras, pelo que as atenções vão concentrar-se no seu discurso. O contexto pesa: o regresso da guerra no Médio Oriente poderá tornar a inflação mais persistente, e os investidores já estão a incorporar uma subida de juros ainda este ano.
No mesmo dia, a Microsoft e a Meta apresentam as contas do segundo trimestre; na quinta-feira seguem-se a Amazon e a Apple. Microsoft, Meta e Amazon estão sob elevado escrutínio dos investidores quanto aos planos de investimento em inteligência artificial financiados por dívida, sobretudo depois de a dona da Google ter elevado o teto de investimento em IA para 15 mil milhões de euros.
Também na quinta-feira conhecem-se as estimativas do PIB de Portugal e da Zona Euro. No primeiro trimestre, a economia portuguesa estagnou face aos últimos três meses de 2025. Em termos homólogos cresceu 2,3%, acima dos 1,9% do trimestre anterior. A tendência de abrandamento acompanhou a da Zona Euro, cujo PIB cresceu 0,1% em cadeia.
A semana fecha com a inflação de julho, em Portugal e nos países da moeda única. Em junho, a inflação abrandou para 2,8% na Zona Euro e para 3,2% em Portugal, o primeiro alívio desde o início da guerra no Irão, ajudado pela descida dos preços dos combustíveis. Os números de julho poderão mostrar o efeito da nova subida do petróleo, depois do fim do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão.
Bemerkenswerte Zitate
Os economistas esperam que a Fed mantenha os juros inalterados na segunda reunião presidida por Kevin Warsh.— Jornal de Negócios, sobre as expectativas dos economistas