Semana de resultados da EDP e da AMD, Lagarde em Sofia e decisão do Banco de Inglaterra no centro da agenda

Os analistas dividem-se entre um corte de juros e uma manutenção das taxas
A incerteza sobre os bancos centrais atravessa a semana, do Banco de Inglaterra ao BCE.
Mark

O que é que pesa mais nesta semana, os resultados ou os bancos centrais?

Mimi

Os dois competem. A EDP apresenta nove meses de contas, mas Lagarde em Sofia e a decisão do Banco de Inglaterra ditam o tom dos juros.

Luke

Convém separar: o que sabemos são os números do primeiro semestre da EDP, quedas de 7% e 56% na Renováveis. Os de agora ainda não existem.

Mark

E a EDP, apesar da queda, subiu as perspetivas?

Mimi

Sim, a EDP reviu em alta o resultado líquido esperado para 2025. A Renováveis manteve as perspetivas.

Luke

Quanto ao pessimismo das casas de investimento, o texto só diz que são "várias"; não diz quais nem com que argumentos.

Mark

Sobre os juros, há consenso?

Mimi

Não. Quanto ao BCE em dezembro, os analistas dividem-se, e o mesmo acontece com o Banco de Inglaterra.

Luke

E a inflação britânica, perto de 3,8%, é uma aproximação. Os sinais de abrandamento são apenas isso, sinais, não uma tendência confirmada.

Mark

E o emprego em Portugal?

Mimi

O desemprego de 5,9% foi o mais baixo em quase três anos, mas é o dado do segundo trimestre. O do terceiro sai na quarta-feira.

Luke

Exato. Sem esse dado, não se pode dizer que a tendência continua.

  • A EDP chega aos resultados dos nove meses depois de uma queda de 7% nos lucros no primeiro semestre, mas com as perspetivas de lucro para 2025 revistas em alta.
  • A EDP Renováveis viu os lucros afundarem 56% até junho, mantendo as metas do ano e deixando os investidores em alerta.
  • Lagarde discursa em Sofia uma semana depois de o BCE manter as taxas, e os analistas dividem-se sobre um possível corte em dezembro.
  • O Banco de Inglaterra decide com a inflação perto de 3,8%, dividido entre cortar juros ou manter a cautela.
  • Em Portugal, o emprego acelerou 2,9% e o desemprego caiu para 5,9%, mas o Orçamento do Estado para 2026 avança com o prazo de propostas de alteração a fechar.

Numa semana em que a época de resultados ainda corre a todo o vapor, a economia portuguesa e a europeia olham para o próprio espelho. A EDP apresenta as contas dos nove meses, depois de um primeiro semestre marcado por lucros em queda, enquanto o mundo financeiro aguarda sinais dos bancos centrais sobre o caminho das taxas de juro. É o ritmo habitual de quem tenta ler o futuro a partir de números que já aconteceram, com a inflação ainda a moldar as escolhas de decisores e famílias.

A semana económica arranca com a época de resultados em pleno andamento. Em Portugal, a EDP apresenta as contas dos primeiros nove meses do ano, depois de um semestre em que os lucros caíram 7%. Ainda assim, a empresa reviu em alta as perspetivas de resultado líquido para 2025. A EDP Renováveis foi mais dura: os lucros recuaram 56% até junho, mas as metas do ano mantiveram-se, o que deixa alguns analistas mais pessimistas quanto ao desempenho bolsista do grupo.

Lá fora, o foco está nos bancos centrais. Christine Lagarde discursa em Sofia, uma semana depois de o BCE ter mantido as taxas inalteradas, e os investidores procuram pistas sobre um eventual corte em dezembro. Já o Banco de Inglaterra decide com a inflação perto de 3,8%, num dilema entre aliviar juros e manter a cautela, depois de em setembro ter optado por não mexer nas taxas.

Em Portugal, o INE divulga na quarta-feira os dados do emprego do terceiro trimestre. No segundo, o emprego subiu 2,9% em termos homólogos e o desemprego fixou-se em 5,9%, o valor mais baixo em quase três anos. No plano orçamental, o ministro das Finanças encerra as audições sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2026, e o prazo para propostas de alteração chega ao fim, levando o documento para a fase seguinte de discussão.

A semana económica arranca com a época de resultados ainda em plena marcha. Em Portugal, o grupo EDP apresenta as contas dos primeiros nove meses do ano. Lá fora, o Banco de Inglaterra decide o rumo das taxas de juro, e a presidente do Banco Central Europeu discursa em Sofia.

Começando pela EDP: várias casas de investimento têm-se mostrado mais pessimistas quanto ao desempenho bolsista das duas cotadas do grupo. No primeiro semestre, a EDP reportou uma queda de 7% nos lucros, mas reviu em alta as perspetivas de resultado líquido para o acumulado de 2025. A EDP Renováveis viu os lucros caírem 56% até junho, mas manteve inalteradas as perspetivas definidas para este ano.

Outra cotada portuguesa, a Corticeira Amorim, já tinha fechado os primeiros seis meses com um resultado líquido de 36,8 milhões de euros, um crescimento ligeiro face ao período homólogo. A empresa foi penalizada pelo aumento dos preços de consumo, pela qualidade da matéria-prima cortiça e por um "mix" de produto menos favorável. Os analistas do CaixaBI não esperam uma recuperação significativa das condições de mercado em comparação com o segundo trimestre.

Nos Estados Unidos, a AMD apresenta resultados na terça-feira, depois das tecnológicas que reportaram na semana passada. Os analistas esperam um crescimento das receitas a dois dígitos e vão olhar com atenção para o ímpeto dos negócios ligados à inteligência artificial e à "cloud". A valorização anual da empresa ultrapassa a de pares como a Nvidia e a Intel, o que deverá atrair ainda mais atenção para uma cotada que celebrou recentemente um acordo com a rival.

Na política monetária, Christine Lagarde discursa em Sofia, uma semana depois de o BCE ter mantido inalteradas as taxas de juro de referência. Os investidores procuram sinais sobre os próximos passos, já que os analistas se dividem quanto à possibilidade de um corte em dezembro. Também o Banco de Inglaterra tem decisão marcada, e os analistas dividem-se entre um corte e uma manutenção. A inflação permanece acima da meta, perto de 3,8%, mas há sinais de que a pressão possa estar a abrandar. Em setembro, o banco central britânico manteve os juros, justificando que ainda persistiam fatores de impulso à inflação.

Em Portugal, o INE divulga na quarta-feira os dados do emprego do terceiro trimestre. No segundo trimestre, o emprego acelerou 2,9% em termos homólogos e a taxa de desemprego fixou-se em 5,9%, o valor mais baixo em quase três anos.

Na Zona Euro, várias economias esperam que o consumo privado continue a sustentar o crescimento, e as vendas a retalho de setembro deverão dar maior clareza. Em agosto, as vendas a retalho subiram 0,8%, com Portugal acima da média, com um aumento de 5,4%.

No plano orçamental, Joaquim Miranda Sarmento encerra as audições dos ministros no parlamento sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2026. No mesmo dia termina o prazo para a entrega de propostas de alteração, o que deixa o documento a caminho da fase seguinte de discussão.

Não se espera uma recuperação significativa das condições de mercado em comparação com o segundo trimestre.
— Analistas do CaixaBI, sobre a Corticeira Amorim
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