Seguro proíbe telemóveis em Belém para evitar fugas de informação

Todos deixam. O primeiro-ministro deixa. Marcelo deixou também.
Nenhuma pessoa, independentemente do cargo, fica isenta da proibição de telemóveis em Belém.
Mark

Porque é que isto é novo agora? Outros presidentes não se preocupavam com fugas?

Mimi

Preocupavam-se, mas de forma diferente. A verdade é que as ameaças mudaram. Não é só alguém a ouvir uma conversa — é alguém a hackear um telemóvel, a aceder a mensagens, a interceptar dados em tempo real. É sofisticado demais para ignorar.

Mark

Mas o Presidente também deixa o telemóvel fora?

Mimi

Sim. Fica com a ajudante de campo. A regra aplica-se a todos, sem exceção. Nem o próprio Seguro o leva para dentro.

Mark

Isto não é um pouco teatral? Deixar papéis em vez de telemóveis?

Mimi

Talvez. Mas é também prático. Um papel não pode ser hackeado remotamente. E força as pessoas a prepararem-se melhor — a trazerem o que precisam, a pensarem antes.

Mark

Marcelo aceitou isto quando visitou?

Mimi

Aceitou. Não há exceções. Nem para ex-presidentes, nem para ninguém. É a regra.

Mark

Isto vai mudar a forma como as pessoas se comportam em Belém?

Mimi

Já mudou. As audiências são mais focadas, mais sérias. Sem o telemóvel, não há distração, não há a tentação de verificar mensagens. É tudo mais direto.

  • Pela primeira vez em Portugal, o Presidente da República proibiu telemóveis em todas as reuniões e audiências no Palácio de Belém, sem exceção para ninguém — nem para o primeiro-ministro, nem para antigos presidentes.
  • A decisão responde a ciberameaças cada vez mais sofisticadas, com os serviços de segurança a alertarem que qualquer interlocutor pode ser, sem saber, um vetor de fuga de informação sensível.
  • A adaptação prática é imediata e visível: os visitantes chegam agora com pastas de papel em vez de tablets, e os telemóveis ficam em cacifos de acrílico antes de cruzarem a porta da Sala das Bicas.
  • Portugal junta-se assim a uma prática já estabelecida na Alemanha, nos EUA, na China e nas reuniões da NATO, onde o silêncio dos dispositivos é condição de entrada há muitos anos.
  • A medida encerra um vazio histórico português — onde episódios como o de José Sócrates no Conselho de Estado mostraram que a ausência de regras claras tinha consequências reais.

Em Belém, o Presidente António José Seguro instituiu uma regra sem precedente em Portugal: nenhum telemóvel entra nas reuniões presidenciais. A medida, já comum em chancelarias e cúpulas da NATO há décadas, reflete a consciência crescente de que o poder moderno é tão vulnerável à escuta digital quanto à palavra dita em voz alta. Num tempo em que a informação é arma, guardar o silêncio começa antes de abrir a boca.

Antes de entrar para reunião com o Presidente da República, qualquer visitante — seja o primeiro-ministro Luís Montenegro, seja Marcelo Rebelo de Sousa — tem de depositar o telemóvel num cacifo de acrílico. Não há exceções. O próprio telemóvel de Seguro fica fora da sala, à guarda da ajudante de campo, acessível apenas em caso de emergência.

A regra é inédita em Portugal. António José Seguro determinou que nenhum dispositivo móvel pode estar presente nas reuniões e audiências presidenciais — sejam de Estado, com chefes de governo estrangeiros ou com representantes sindicais e patronais. A justificação oficial é direta: as ciberameaças são cada vez mais frequentes e sofisticadas, e os departamentos de segurança decidiram agir de forma preventiva. Uma consequência visível é que os interlocutores chegam agora com dossiês em papel debaixo do braço.

A prática não é nova no mundo. Na Chancelaria alemã, desde os tempos de Merkel, os telemóveis ficam à porta. Os EUA, a China e as reuniões da NATO aplicam a mesma restrição há décadas — ficou até célebre o episódio em que Marcelo não conseguiu contactar António Costa durante uma reunião em Madrid, quase derrubando o então ministro das Infraestruturas por causa de um decreto sobre o novo aeroporto.

Em Portugal, a única prática semelhante existia no Conselho de Estado, com barramento total de redes móveis na sala. Mas mesmo aí houve falhas: José Sócrates ficou famoso por ter saído a meio para ir ao carro — momento que alegadamente usou para comunicar o que se discutia. Cavaco Silva foi o primeiro presidente a levantar preocupações com espionagem em Belém, em 2009. Seguro decidiu agora cortar o problema pela raiz.

Antes de entrar na sala onde o Presidente da República o espera, tem de deixar o telemóvel num cacifo de acrílico. Todos deixam. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, deixa. Marcelo Rebelo de Sousa, quando visitou o sucessor, deixou também. Não há exceções em Belém.

A regra é recente e absolutamente nova em Portugal. António José Seguro estabeleceu que nenhum dispositivo móvel pode entrar nas reuniões e audiências presidenciais — nem nas salas onde se discutem assuntos de Estado, nem nas conversas com chefes de Estado estrangeiros, nem nas audiências com líderes sindicais ou patronais. Depois que os visitantes passam pela porta da Sala das Bicas, no Palácio de Belém, todos os telemóveis ficam guardados. O próprio telemóvel do Presidente fica no exterior, à guarda da ajudante de campo e da chefe da Casa Civil, disponível apenas para emergências.

A justificação vem de fontes oficiais da Presidência: as ciberameaças são cada vez mais frequentes e sofisticadas, e qualquer pessoa pode ser alvo. Os departamentos responsáveis pela segurança decidiram adoptar regras específicas de mitigação para garantir que informações sensíveis não vazem. A prática obriga os interlocutores a trazerem dossiês em papel — uma mudança visível nas saídas de algumas audiências, quando se vê gente a sair com pastas de documentação física.

Não é invenção portuguesa, nem sequer invenção de Seguro. A prática existe há anos em vários países. Na Chancelaria alemã, desde os tempos de Angela Merkel, os telemóveis ficam à porta em praticamente todas as reuniões. Os Estados Unidos e a China aplicam a mesma restrição há muito. Em todas as reuniões de alto nível nas principais embaixadas norte-americanas, alemãs e francesas, os dispositivos móveis não entram. Nas reuniões da NATO, a regra é tão antiga que ficou célebre o dia em que Marcelo não conseguiu falar com António Costa porque o primeiro-ministro estava numa reunião em Madrid, sem acesso ao telemóvel, e um decreto sobre o novo aeroporto quase fez cair o então ministro das Infraestruturas.

Em Portugal, porém, a prática era rara. Só acontecia no Conselho de Estado, onde havia um barramento total das redes móveis na sala. Ficou célebre o dia em que José Sócrates saiu para ir buscar um papel ao carro — momento que alegadamente aproveitou para usar o telemóvel e passar informação sobre o que estava a discutir-se. Cavaco Silva, que Seguro convidou para almoçar em Belém há poucos dias, foi o primeiro presidente a preocupar-se com riscos de espionagem em Belém, lá para 2009. Agora, Belém cortou dúvidas pela raiz.

As ciberameaças são cada vez mais frequentes e sofisticadas. Todos podem ser alvo.
— Fonte da Presidência da República
As restrições ao uso de dispositivos móveis inserem-se nas políticas de segurança da informação, constituindo medidas de prevenção e mitigação de riscos, sobretudo quando está em causa informação sensível.
— Fonte de Belém
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