Carros mais visados para roubo têm seguro mais caro
Seguro automotivo varia significativamente entre modelos populares: de R$ 92,73 a R$ 314,72 por mês nos 10 carros mais vendidos. Marca, modelo, custo de manutenção e índice de sinistros são fatores principais que determinam o preço da apólice de seguro.
- Seguro automotivo varia de R$ 92,73 a R$ 314,72 por mês entre os 10 carros mais vendidos em 2021
- Jeep Compass é o mais caro (R$ 314,72/mês); Chevrolet Onix Sedan Plus é o mais barato (R$ 92,73/mês)
- Marca, modelo, custo de manutenção e índice de sinistros determinam o preço da apólice
- Perfil do consumidor — idade, localização, uso do veículo — também influencia significativamente no valor
Análise dos preços de seguro automotivo dos 10 carros mais vendidos em 2021 revela variação de mais de R$ 2,6 mil entre as apólices, com Chevrolet Onix a partir de R$ 92,73 e Jeep Compass custando R$ 314,72 mensais.
Comprar um carro é apenas o primeiro passo. Quem coloca um automóvel na garagem sabe que o preço de compra é só o começo — combustível, manutenção, documentação e seguro formam uma lista de despesas que cresce rapidamente. Antes de assinar a escritura do veículo dos sonhos, vale a pena parar e contar quanto custará mantê-lo rodando.
A Youse, uma plataforma digital de seguros, fez esse levantamento para os dez carros mais vendidos no Brasil em 2021, segundo dados da Fenabrave, a federação que representa os distribuidores de veículos automotores. O resultado é revelador: entre hatchbacks, sedãs e SUVs, as apólices de seguro variam em mais de dois mil e seiscentos reais mensais. No extremo inferior da lista, o Chevrolet Onix Sedan Plus LT custa a partir de noventa e dois reais e setenta e três centavos por mês. Já o Jeep Compass, modelo de categoria superior, sai por trezentos e quatorze reais e setenta e dois centavos — uma diferença que, ao longo de um ano, representa mais de dois mil e seiscentos reais.
O que explica essa variação tão grande? A Proteste!, associação que defende direitos do consumidor, aponta que marca e modelo do veículo são determinantes porque as seguradoras consideram não apenas o valor do carro em si, mas também o custo de sua manutenção. Rodrigo Boutti, gerente de operações da Ituran, empresa especializada em rastreamento de automóveis, adiciona outro fator crucial: o índice de sinistros. Carros que aparecem com frequência em estatísticas de roubo e furto recebem apólices mais caras. Veículos mais tecnológicos, por sua vez, têm manutenção mais cara, o que também pressiona o preço do seguro para cima. Um consumidor atento, segundo Boutti, buscaria modelos que não figuram nas listas de carros mais roubados.
Mas o valor do carro e seu histórico de sinistros não contam a história toda. O perfil de quem contrata o seguro pesa tanto quanto as características do veículo. Pessoas mais jovens, com menos experiência no trânsito, pagam mais caro. O mesmo vale para quem estaciona em áreas com alto índice de violência ou usa o carro como ferramenta de trabalho. A Youse estabelece o preço da apólice com base no produto escolhido e no perfil do contratante, considerando dados como sexo, idade, além das características do veículo conforme a tabela Fipe — valor, ano de fabricação e marca.
Para fazer a simulação, a seguradora adotou um perfil único para todos os dez carros: homem, trinta e oito anos, solteiro, morador de São Paulo, usando o veículo para fins particulares. Os valores foram cotados para um plano médio que inclui coberturas contra roubo, furto e incêndio; alagamento; colisão e perda total; danos materiais a terceiros; e assistência guincho. Nessas condições, o Hyundai HB20 Vision custa cento e vinte e oito reais e dezesseis centavos por mês. O Fiat Argo fica em cento e quatorze reais e setenta e sete centavos. O Jeep Renegade, em cento e trinta e um reais e noventa e seis centavos. O Chevrolet Onix Hatch sai por noventa e três reais e dezenove centavos. O Jeep Compass, como mencionado, é o mais caro: trezentos e quatorze reais e setenta e dois centavos. O Volkswagen Gol custa cento e vinte e quatro reais e vinte e três centavos. O Fiat Mobi fica em cento e um reais e oitenta e seis centavos. O Hyundai Creta, em cento e vinte e dois reais e trinta centavos. O Volkswagen T-Cross é cento e noventa e oito reais e noventa e dois centavos. E o Chevrolet Onix Sedan Plus, noventa e dois reais e setenta e três centavos.
Essas diferenças importam porque se acumulam. Um motorista que escolhe o Jeep Compass em vez do Chevrolet Onix Sedan Plus pagará, ao longo de um ano, mais de dois mil e seiscentos reais adicionais apenas em seguro. Multiplicado pela vida útil do veículo, esse valor pode chegar a dezenas de milhares de reais. Por isso, antes de sonhar com o carro perfeito, vale contar não apenas o que ele custa na concessionária, mas também o que custará manter seguro na rua.
Notable Quotes
Carros mais visados para roubo e furto têm um seguro mais caro. Como consumidor, procuraria por modelos que não aparecem na lista de carros mais roubados.— Rodrigo Boutti, gerente de operações da Ituran
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Jeep Compass custa tanto mais para segurar do que um Onix?
Não é só porque é um carro mais caro. A seguradora leva em conta o custo de manutenção — peças mais caras, mão de obra especializada — e também quantas vezes esse modelo aparece em sinistros. Se roubam mais Compass, o seguro fica mais caro para todos.
Então um carro roubado com frequência acaba sendo mais caro para quem compra?
Exatamente. É um ciclo. Quanto mais roubos, mais sinistros, mais a seguradora aumenta a apólice. Quem quer economizar deveria procurar modelos que não aparecem nas listas de carros mais visados.
E se eu for um motorista jovem comprando um desses carros populares?
Você pagaria mais do que um motorista de trinta e oito anos. Idade e experiência no trânsito contam muito. Também conta onde você estaciona — se for em bairro violento, sobe o preço.
A simulação que a Youse fez considerou um perfil específico, certo?
Sim. Homem, trinta e oito anos, solteiro, São Paulo, uso particular. Se você fosse mulher, ou tivesse vinte e cinco anos, ou usasse o carro para trabalho, os números seriam completamente diferentes.
Então esses valores são mais um piso do que um teto?
Isso. São valores iniciais para um perfil médio. Muita gente pagará mais dependendo de quem é e de como usa o carro.