SED-MS defende IA nas escolas com foco em aprender, não em respostas prontas

Não queremos uma escola que peça para a IA pensar pelos alunos
Paulo César defende que a tecnologia deve orientar aprendizagem crítica, não substituir o pensamento do estudante.
Mark

Então a SED está dizendo que a IA não deveria ser usada nas escolas?

Mimi

Não, é o oposto. Eles querem usar, mas com cuidado. A questão é: para quê? Se a IA só dá respostas prontas, o aluno não aprende a pensar. O professor precisa estar no meio, orientando.

Luke

Mas quem garante que o professor vai fazer isso? Nem todo professor tem formação em IA. E o texto menciona uma parceria com a FGV para formar gestores, não professores. Há uma lacuna aí.

Mimi

Verdade. A formação dos professores é mencionada como necessária, mas não está descrita em detalhe. Sabemos que há um programa de formação em andamento, mas não sabemos o escopo.

Mark

E quanto aos dados dos alunos? Qual é o risco real?

Mimi

O risco é que empresas de IA acessem informações sensíveis de crianças sem proteção adequada. Paulo César diz que muitos desenvolvedores não sabem como lidar com isso.

Luke

Mas o texto não dá exemplos de vazamentos ou problemas concretos que já aconteceram. É um alerta preventivo, não um relato de dano.

Mimi

Exato. É sobre estabelecer protocolos antes que algo ruim aconteça. Anonimização, limites de acesso, responsabilidade clara.

Mark

E a desigualdade digital? Como a IA pode piorar isso?

Mimi

Se só as escolas com melhor infraestrutura conseguem usar IA, os alunos de escolas mais pobres ficam para trás. A tecnologia amplifica diferenças que já existem.

Luke

O texto não oferece números sobre essa desigualdade em MS. É uma preocupação legítima, mas não sabemos a dimensão do problema nas escolas estaduais.

Mark

Quando é esse fórum em novembro?

Mimi

25 de novembro, em Campo Grande. Vai reunir especialistas para discutir segurança, soberania de dados e responsabilidade humana.

Luke

Isso é importante porque essas decisões sobre IA na educação precisam ser públicas, não apenas técnicas.

  • Ferramentas de IA chegam às escolas pedindo acesso a dados sensíveis de alunos sem apresentar protocolos adequados de proteção — um risco concreto que gestores já enfrentam no dia a dia.
  • A tentação de usar a IA como atalho para respostas prontas ameaça substituir o raciocínio do estudante, esvaziando o próprio propósito da educação.
  • A desigualdade digital preexistente pode ser amplificada: sem políticas de inclusão, a inovação beneficia apenas quem já tem acesso a equipamentos e internet de qualidade.
  • A SED-MS e a FGV desenvolvem formação específica para diretores e servidores, e um fórum estadual de IA segura está previsto para novembro em Campo Grande, sinalizando movimento institucional de resposta.
  • O consenso emergente é claro: segurança de dados, supervisão humana e inclusão precisam ser estruturais — não adicionadas depois que a tecnologia já estiver instalada.

Em Mato Grosso do Sul, gestores e especialistas debatem como integrar a inteligência artificial às escolas sem abrir mão do que a educação tem de mais essencial: a formação do pensamento crítico. A tecnologia chega com a promessa da eficiência, mas traz consigo perguntas que nenhum algoritmo responde sozinho — sobre privacidade de crianças, desigualdade de acesso e o papel insubstituível do educador. O desafio não é apenas técnico; é uma escolha sobre que tipo de aprendizagem uma sociedade quer construir.

A inteligência artificial chegou às escolas com uma promessa simples e um problema complexo: ela entrega respostas em segundos, mas como usá-la para ensinar sem deixar que ela pense pelo aluno?

Paulo Cezar Rodrigues dos Santos, superintendente de Informação e Tecnologia da SED-MS, colocou a questão em termos que vão além da tecnologia. Em conversa com o especialista Alcir Abuchaim, ele defendeu que a escola não deve pedir à IA que pense pelos alunos, mas usá-la para que eles aprendam a aprender. O professor permanece insubstituível: cabe ao educador direcionar o uso da ferramenta e verificar se ela contribui de fato para a aprendizagem. Sem essa mediação, a tecnologia vira atalho, não instrumento.

Antes mesmo de a IA entrar na sala de aula, há uma preocupação urgente. Ferramentas chegam às secretarias pedindo acesso a bases de dados com informações sensíveis de crianças e adolescentes, muitas vezes sem demonstrar conhecimento adequado sobre proteção de menores. A primeira pergunta de Paulo César ao avaliar qualquer sistema é se ele promove anonimização. Alcir Abuchaim reforça: é preciso saber quais dados serão usados, quem terá acesso e quais são os limites da tecnologia — com supervisão humana e validação por profissionais qualificados desde o início.

Há ainda o risco de a inovação aprofundar desigualdades já existentes. O acesso desigual à internet e a equipamentos digitais significa que uma política de IA na educação precisa combinar segurança e inclusão — caso contrário, a tecnologia amplia diferenças em vez de reduzi-las.

Como resposta, a SED-MS desenvolve, em parceria com a FGV, uma formação sobre IA na gestão pública voltada a diretores e servidores. O tema também estará no centro do 1º Fórum MS de IA Segura, previsto para 25 de novembro em Campo Grande, reunindo especialistas e representantes de diferentes setores. Para Paulo César, a escolha é clara: a capacidade de uma ferramenta produzir respostas só tem valor se resultar em mais capacidade de o estudante compreender, questionar e aprender. Tudo o mais é apenas velocidade.

A inteligência artificial chegou à porta das escolas com uma promessa simples e um problema complexo. Ela pode entregar respostas em segundos. Mas como usá-la para ensinar sem deixar que ela pense pelo aluno?

Em Mato Grosso do Sul, essa pergunta ganhou peso na voz de Paulo Cezar Rodrigues dos Santos, superintendente de Informação e Tecnologia da Secretaria de Estado de Educação. Em conversa com o especialista em inteligência artificial Alcir Abuchaim, ele colocou a questão em termos que vão além da tecnologia: o professor não é quem apenas ensina, mas quem desenvolve pensamento crítico e sociabilidade. A escola não deveria pedir à IA que pense pelos alunos. Deveria usá-la para que eles aprendam a aprender.

A distinção importa porque tem consequências reais. Obter uma resposta pronta é diferente de compreender um problema, confrontar informações e construir um raciocínio próprio. Por isso o papel do professor permanece insubstituível: cabe ao educador direcionar o uso da ferramenta e verificar se ela contribui de fato para a aprendizagem. Sem essa mediação, a tecnologia vira atalho, não instrumento.

Mas há uma preocupação que começa antes de a IA chegar à sala de aula. Quando uma solução de inteligência artificial é oferecida às escolas, ela precisa acessar dados. Muitos desses dados são sensíveis: informações sobre crianças e adolescentes armazenadas nas bases da secretaria. Paulo César relata que ferramentas chegam pedindo acesso a esses bancos sem demonstrar conhecimento adequado sobre proteção de menores. A primeira pergunta que ele faz é se o sistema promove anonimização. Não é possível usar ferramentas sem conhecer os riscos e sem estabelecer protocolos claros de proteção.

Alcir Abuchaim, fundador da i4t, amplia o escopo dessa preocupação. Não basta desenvolver uma ferramenta de inteligência artificial e colocá-la dentro de uma escola. É preciso saber quais dados serão utilizados, quem terá acesso a essas informações e quais são os limites de atuação da tecnologia. Segurança, protocolos, processos e supervisão humana precisam fazer parte da estrutura desde o início. As decisões devem permanecer sob responsabilidade das pessoas, com validação do conteúdo produzido por profissionais qualificados. Isso exige definir responsáveis e procedimentos para acompanhar o funcionamento das ferramentas.

Outro desafio é impedir que a inovação aprofunde diferenças que já existem. Paulo César chamou a atenção para as condições desiguais de acesso à internet e aos equipamentos digitais entre os estudantes. Uma política de uso da IA na educação precisa combinar segurança e inclusão para que as oportunidades não fiquem restritas a quem já dispõe de mais recursos. Caso contrário, a tecnologia amplifica desigualdades em vez de reduzi-las.

A preparação dos gestores é uma das frentes em andamento na rede estadual. A SED desenvolve, em parceria com a Fundação Getulio Vargas, uma formação sobre inteligência artificial na gestão pública voltada a diretores escolares e servidores do órgão central. A proposta é orientar sobre possibilidades e limites da tecnologia, especialmente no tratamento de informações institucionais e de dados dos alunos. O debate também fará parte do 1º Fórum MS de IA Segura, previsto para 25 de novembro em Campo Grande, com realização do Campo Grande News e da i4t. O encontro reunirá especialistas e representantes de diferentes setores para discutir segurança, soberania de dados, regras de uso e responsabilidade humana.

Paulo César defende a participação da sociedade na definição dos caminhos para a tecnologia. Na educação, essa escolha passa por um critério essencial: a capacidade de uma ferramenta produzir respostas precisa resultar em mais capacidade de o estudante compreender, questionar e aprender. Tudo o mais é apenas velocidade.

O professor não é aquele que somente ensina, é aquele que desenvolve o pensamento crítico e a sociabilidade dentro da sala de aula. Nós não queremos uma escola que peça para a IA pensar pelos nossos alunos. Queremos uma escola que use a inteligência artificial para que eles aprendam a aprender.
— Paulo Cezar Rodrigues dos Santos, superintendente de Informação e Tecnologia da SED-MS
Não basta desenvolver uma ferramenta de inteligência artificial e colocá-la dentro de uma escola. É preciso saber quais dados serão utilizados, quem terá acesso a essas informações e quais são os limites de atuação da tecnologia.
— Alcir Abuchaim, fundador da i4t
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