Desde 2014, o Brasil olha para si mesmo através de uma lista que tenta responder o que faz uma cidade ser inteligente, e a edição de 2020 coloca São Paulo no topo, seguida de Florianópolis e Curitiba. A leitura do especialista Renato de Castro sugere que o ranking pesa menos como veredito do que como tentativa de criar uma linguagem comum, já que, por décadas, cada estudioso definiu a cidade inteligente a partir da própria visão. Ao se apoiar em uma norma internacional, a lista aponta para um futuro em que comparar cidades se torna possível, mesmo que o retrato ainda favoreça o Sudeste.
São Paulo lidera o ranking Connected Smart Cities 2020; Florianópolis sobe cinco posições
Não é preciso ser metrópole para ser uma smart city
Qual é o resultado principal do ranking deste ano?
São Paulo em primeiro, Florianópolis em segundo, depois de subir cinco posições, e Curitiba em terceiro. Campinas e Vitória fecham o top 5.
Como as cidades são avaliadas?
A Urban Systems usa 70 indicadores em 11 setores, ponderados pelo Índice de Qualidade Mercadológica. Ele busca medir inteligência, conexão e sustentabilidade.
Vale lembrar que o IQM é metodologia própria da consultoria. Quem escreve o texto gosta dela e diz que se alinha à ISO 37122, mas isso é a avaliação dele, não uma auditoria.
E o que a ISO muda?
Segundo o autor, dá um padrão mundial para comparar cidades, o que antes dependia de definições regionais e pessoais.
Note que ele afirma o alinhamento, mas o texto não detalha como cada indicador se encaixa na norma.
Há algo sobre desigualdade regional?
Sim. O Sudeste tem mais de 50% do top 20 e 64 das cem cidades. O Norte ficou fora do top 20, com Palmas em 32º.
E o texto é uma coluna de opinião, então a leitura de que o conceito se expande, com 18 cidades pequenas no top 100, é interpretação do autor sobre um dado real.
Il Polso
- São Paulo assume a liderança do Connected Smart Cities 2020, enquanto Florianópolis salta cinco posições para ocupar o segundo lugar.
- O Sudeste concentra mais da metade do top 20 e 64 das cem primeiras, deixando o Norte quase fora do mapa, com Palmas apenas em 32º.
- A metodologia da Urban Systems, com 70 indicadores em 11 setores e alinhada à norma ISO 37122, busca dar um padrão comparável a um debate antes fragmentado.
- Cidades pequenas ganham espaço: 18 entre as cem primeiras têm menos de 100 mil habitantes, e Jaguariúna chega ao 17º lugar geral.
Desde 2014, o Brasil olha para si mesmo através de uma lista que tenta responder o que faz uma cidade ser inteligente, e a edição de 2020 coloca São Paulo no topo, seguida de Florianópolis e Curitiba. A leitura do especialista Renato de Castro sugere que o ranking pesa menos como veredito do que como tentativa de criar uma linguagem comum, já que, por décadas, cada estudioso definiu a cidade inteligente a partir da própria visão. Ao se apoiar em uma norma internacional, a lista aponta para um futuro em que comparar cidades se torna possível, mesmo que o retrato ainda favoreça o Sudeste.
Desde 2014, sai todo ano a lista das cidades mais inteligentes do Brasil, e a edição de 2020 trouxe São Paulo ao primeiro lugar do ranking Connected Smart Cities. Florianópolis subiu cinco posições e ficou em segundo, e Curitiba fechou o pódio. A análise vem de Renato de Castro, especialista em cidades inteligentes que hoje vive em Barcelona.
O ranking é produzido pela consultoria Urban Systems com 70 indicadores distribuídos em 11 setores, de mobilidade a governança. Para De Castro, o grande avanço está no alinhamento com a ISO 37122, norma de 2019 que finalmente oferece parâmetros mundiais. Até então, a ideia de cidade inteligente, em desenvolvimento desde o fim dos anos 1970, variava conforme a visão de cada autor, o que dificultava qualquer comparação.
O padrão regional se repete: o Sudeste ocupa mais da metade do top 20 e o Sul surpreende com duas cidades entre as cinco primeiras. Recife, do Nordeste, subiu oito posições, enquanto o Norte ficou praticamente de fora, com Palmas em 32º. Entre as cem primeiras, 64 cidades são do Sudeste, embora esse número tenha caído em relação ao ano anterior.
Um dado chama a atenção: 18 das cem mais inteligentes têm menos de 100 mil habitantes. Para De Castro, não é preciso ser metrópole para ser smart city, e Jaguariúna, perto de Campinas, é a prova disso ao chegar ao 17º lugar geral. Já o Rio de Janeiro, em 12º no geral, lidera o quesito empreendedorismo pelo terceiro ano seguido. A lista foi divulgada em evento totalmente digital, em razão da pandemia, e o relatório completo permite a cada leitor conferir a posição da sua cidade.
Todo ano desde 2014 sai a lista das cidades mais inteligentes do Brasil, e a edição de 2020 colocou São Paulo no primeiro lugar do ranking Connected Smart Cities. Florianópolis ficou logo atrás, em segundo, depois de subir cinco posições. Curitiba, a capital paranaense, aparece em terceiro, seguida por Campinas e Vitória. A análise é de Renato de Castro, especialista em cidades inteligentes, embaixador de Smart Cities do TM Fórum de Londres e hoje morador de Barcelona, onde é CEO de uma spinoff de tecnologia para o setor.
O ranking usa indicadores desenvolvidos pela consultoria Urban Systems, que aplica uma metodologia própria de ponderação, o Índice de Qualidade Mercadológica (IQM). São 70 indicadores distribuídos em 11 setores: mobilidade e acessibilidade, urbanismo, saúde, educação, energia, economia, meio ambiente, tecnologia e inovação, segurança, empreendedorismo e governança. Eles pretendem retratar inteligência, conexão e sustentabilidade.
De Castro destaca o alinhamento dessa metodologia com a ISO 37122, norma de maio de 2019 sobre indicadores para cidades inteligentes. Segundo ele, a dificuldade histórica de comparar cidades e países vinha da falta de padrões mundiais: a definição de cidade inteligente se desenvolve desde o fim dos anos 1970, mas sempre com viés regional e baseada no entendimento pessoal de cada autor. A norma, afirma, permite projetos com parâmetros únicos e alto grau de replicabilidade.
O desenho regional da lista mantém um padrão. O Sudeste ocupa mais de 50% das posições do top 20, e o Sul aparece de novo em segundo lugar, com duas cidades entre as cinco primeiras. O Centro-Oeste está representado por Brasília e Campo Grande, que perderam posições em relação ao ano anterior. O Nordeste entra com Recife, que subiu oito posições e está em 15º. O Norte ficou fora do grupo principal, e Palmas, sua melhor colocada, está em 32º.
No recorte das cem primeiras, 64 cidades são do Sudeste, três a menos que no ano anterior, e 43 delas ficam no estado de São Paulo, número também em queda. Dezenove estados e o Distrito Federal têm representantes na lista.
Outro dado é o tamanho das cidades: 18 das cem mais inteligentes têm menos de 100 mil habitantes, três a mais que em 2019. Para De Castro, que diz insistir nisso há tempo, não é preciso ser metrópole para ser smart city. Jaguariúna, na região metropolitana de Campinas, lidera a faixa de 50 a 100 mil habitantes e ocupa a 17ª posição geral.
O estudo também classifica as cidades por setor. O Rio de Janeiro aparece só em 12º no geral, mas é o primeiro em empreendedorismo pelo terceiro ano seguido. Os números citados são 23 incubadoras de empresas e 5 parques tecnológicos, 108,1 depósitos de patente por 100 mil habitantes e crescimento de 21,5% dos MEIs.
A lista é divulgada durante o evento Connected Smart Cities, que por causa da pandemia foi totalmente digital em 2020, nos dias 8, 9 e 10 de setembro. O relatório completo, com as cem cidades, permite ao leitor conferir a posição da sua.
Citazioni salienti
Não é necessário ser uma metrópole para ser uma smart city; Jaguariúna, 17ª, é exemplo na faixa de 50 a 100 mil habitantes.— Renato de Castro, colunista do UOL