São Paulo descarta segundo caso suspeito de ebola após exames negativos

Resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas não descarta a infecção
Explicação do protocolo que levou ao descarte do segundo caso suspeito de ebola em São Paulo.

Pela segunda vez em menos de duas semanas, São Paulo afastou o espectro do ebola de suas fronteiras: uma mulher de 31 anos, recém-chegada da República Democrática do Congo, foi investigada com rigor científico e, após dois testes laboratoriais negativos conduzidos pelo Instituto Adolfo Lutz, teve o diagnóstico descartado. O episódio revela menos uma ameaça imediata do que a maturidade de um sistema de vigilância que aprendeu a distinguir o medo justificado da doença confirmada — e a agir com precisão onde outros agiriam com pânico.

  • Uma mulher de 31 anos retornou do Congo com febre e diarreia, sintomas que acionaram imediatamente os protocolos de investigação para ebola em São Paulo.
  • A transferência para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas e a coleta de duas amostras em momentos distintos evidenciam a seriedade com que o estado trata qualquer sinal de alerta.
  • O protocolo da OMS exige segunda coleta quando a primeira ocorre antes de 72 horas do início dos sintomas, pois o vírus pode não ser detectável nos estágios iniciais — uma nuance técnica que evita tanto falsos negativos quanto alarmes precipitados.
  • Ambas as amostras voltaram negativas, e a paciente evolui favoravelmente, tratada agora para gastroenterocolite aguda — o diagnóstico real por trás dos sintomas que geraram o alerta.
  • É o segundo caso suspeito descartado em São Paulo em pouco mais de uma semana, sinalizando que a vigilância epidemiológica está ativa e que viajantes do Congo continuarão sendo monitorados de perto.

Na noite de sexta-feira, a Secretaria de Saúde de São Paulo descartou o segundo caso suspeito de ebola do estado em 2026. Uma mulher de 31 anos havia retornado recentemente da República Democrática do Congo e procurado atendimento médico com febre e diarreia — sintomas que, combinados ao histórico de viagem para uma região com transmissão ativa do vírus, a colocaram imediatamente sob investigação.

Notificada como caso suspeito na quarta-feira, ela foi transferida de um hospital particular para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde permanece internada com evolução favorável e tratamento para gastroenterocolite aguda. O Instituto Adolfo Lutz coletou duas amostras em momentos distintos, seguindo as diretrizes da OMS: quando a primeira coleta ocorre antes de 72 horas do início dos sintomas, o material genético viral pode ainda não ser detectável, tornando obrigatória uma segunda análise. Ambas as amostras apresentaram resultado negativo, atendendo ao critério laboratorial para descarte.

As técnicas empregadas — RT-qPCR e sequenciamento genômico — garantem precisão na identificação do vírus. O caso foi comunicado ao Ministério da Saúde e investigado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac, o mesmo que havia descartado, em 1º de junho, um caso suspeito envolvendo um homem de 37 anos também vindo do Congo.

A Secretaria de Saúde lembra que o ebola não se transmite por via respiratória nem durante o período de incubação — apenas pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas já sintomáticas. A vigilância sobre viajantes de regiões com circulação ativa do vírus segue em curso.

São Paulo descartou na noite de sexta-feira o segundo caso suspeito de ebola notificado no estado este ano, após testes laboratoriais confirmarem a ausência do vírus. Uma mulher de 31 anos havia retornado recentemente da República Democrática do Congo e procurou atendimento com febre e diarreia, sintomas que a colocaram sob investigação imediata. O Instituto Adolfo Lutz analisou duas amostras coletadas em momentos distintos e ambas apresentaram resultado negativo para o vírus.

A paciente foi notificada como caso suspeito na quarta-feira, após atender aos critérios clínicos e epidemiológicos estabelecidos para investigação de ebola. Ela foi transferida de um hospital particular da capital para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde permanece internada com evolução clínica favorável e em tratamento para gastroenterocolite aguda. O protocolo de investigação seguiu as diretrizes da Organização Mundial da Saúde, que exigem uma segunda coleta de amostra quando a primeira é realizada antes de 72 horas do início dos sintomas, justamente porque o material genético viral pode não estar detectável nos estágios iniciais da infecção.

Adrianaugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, explicou que um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas não é suficiente para descartar a infecção. Nesse cenário, o protocolo prevê uma nova coleta após esse período. Como as duas análises apresentaram resultado negativo, o caso atendeu ao critério laboratorial para descarte. O Instituto Adolfo Lutz utiliza técnicas avançadas de biologia molecular, como RT-qPCR e sequenciamento genômico, capazes de identificar material genético viral com precisão.

Este é o segundo caso suspeito descartado em São Paulo em pouco mais de uma semana. No dia 1º de junho, o estado já havia descartado outro caso suspeito, um homem de 37 anos que também havia viajado à República Democrática do Congo. Ambos os pacientes foram investigados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac, e as notificações foram comunicadas ao Ministério da Saúde.

A doença pelo vírus ebola costuma começar de forma súbita, com febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em casos graves, podem ocorrer manifestações hemorrágicas, além de choque e insuficiência de múltiplos órgãos. A Secretaria de Estado da Saúde reforça que o vírus não é transmitido por via respiratória. A transmissão ocorre apenas após o início dos sintomas, por meio do contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas. Não há transmissão durante o período de incubação.

É considerado suspeito o indivíduo que, nos 21 dias anteriores ao início dos sintomas, tenha permanecido, residido ou viajado para local com transmissão ativa da doença, ou vindo de país com circulação do vírus sem que seja possível determinar com segurança os locais visitados, e apresente febre e/ou calafrios, acompanhados ou não de diarreia, vômitos ou manifestações hemorrágicas. A vigilância epidemiológica continua monitorando viajantes de regiões com circulação ativa do ebola, particularmente da República Democrática do Congo, onde o vírus permanece em circulação.

Um resultado negativo em amostra coletada antes de 72 horas do início dos sintomas não é suficiente para afastar a infecção
— Adriana Bugno, diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que foi necessário fazer duas coletas de amostra se a primeira já tinha sido feita?

Model

Porque a primeira coleta aconteceu antes de 72 horas do início dos sintomas. Nesse período inicial, o material genético viral pode não estar em quantidade detectável no sangue, então um resultado negativo não descarta a infecção. O protocolo da OMS exige uma segunda coleta após esse período para ter certeza.

Inventor

E se a segunda amostra também tivesse sido positiva?

Model

Aí o caso seria confirmado como ebola, e a paciente continuaria internada em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas com protocolos de contenção muito mais rigorosos. Mas não foi o caso.

Inventor

Como a mulher está agora?

Model

Ela permanece internada, mas com evolução clínica favorável. Os médicos identificaram que ela tem gastroenterocolite aguda, que explica os sintomas que apresentava. Não é ebola.

Inventor

Qual é o risco real de alguém trazer ebola do Congo para São Paulo?

Model

O risco existe porque a doença está em circulação ativa lá, mas é controlável. A vigilância epidemiológica está atenta a viajantes que retornam daquela região. O vírus só é transmitido após o início dos sintomas e por contato direto com sangue ou fluidos corporais, não pelo ar. Então se a pessoa é identificada e isolada rapidamente, como aconteceu aqui, o risco de propagação é muito baixo.

Inventor

Por que dois casos suspeitos em tão pouco tempo?

Model

Provavelmente porque há fluxo de viajantes entre São Paulo e a República Democrática do Congo, e a vigilância está funcionando — as pessoas estão sendo testadas. Não significa que há um surto. Significa que o sistema está funcionando como deveria.

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