Rússia acelera Rassvet, sua alternativa à Starlink, para guerra na Ucrânia

A Rússia não tinha nada que pudesse competir com isso
Especialista do CSIS descreve por que o Kremlin precisava urgentemente de sua própria rede de satélites.
Mark

Por que a Rússia não conseguiu simplesmente continuar usando a Starlink clandestinamente?

Mimi

Porque a SpaceX e os EUA perceberam o que estava acontecendo. Quando você está em um campo de batalha, sua localização é rastreável. Os terminais deixam rastros. No início de 2026, essa vantagem desapareceu.

Luke

Mas o artigo não explica exatamente como a Starlink foi cortada. Ele diz que a Rússia "perdeu acesso clandestino", mas não detalha o mecanismo — foi bloqueio de software? Confisco de equipamento? Isso importa.

Mark

Faz sentido. E quanto à Rassvet — ela realmente pode substituir a Starlink?

Mimi

Não. Pelo menos não em breve. A capacidade é cem vezes menor. Os satélites estão em órbitas erradas. Mas mesmo assim, para comunicações militares básicas, pode ser suficiente.

Luke

E aqui está o ponto que o artigo levanta mas não resolve completamente: a Ucrânia está preocupada, mas os especialistas dizem que o sistema é ainda muito limitado. Qual é a verdade? Skibitsky fala em "neutralizar" a rede — isso sugere que ela será uma ameaça real em algum momento.

Mark

Então é uma corrida contra o tempo?

Mimi

Exatamente. A Rússia está acelerando os lançamentos. A Ucrânia está observando. Ninguém sabe ainda se a Rassvet funcionará bem o suficiente para importar.

Luke

E há um terceiro ponto que merece atenção: isso não é só sobre a Rússia e a Ucrânia. É sobre o mundo inteiro percebendo que depender de uma empresa americana para comunicações militares é um risco geopolítico. China, Europa, Amazon — todos estão construindo alternativas. Isso é uma mudança estrutural.

  • Rússia perdeu acesso clandestino à Starlink no início de 2026
  • Rassvet tem 31 satélites em órbita, meta de 292 até 2027
  • Capacidade de 1 Gbps vs 100 Gbps da Starlink
  • Segundo lançamento em julho alcançou órbita incorreta (300-400 km)

A Rússia perdeu acesso à Starlink no início de 2026 e agora desenvolve a Rassvet, com 31 satélites em órbita e meta de 292 até 2027. O sistema Rassvet tem capacidade muito inferior à Starlink (1 Gbps vs 100 Gbps) e enfrenta desafios técnicos, como satélites em órbitas incorretas.

A Rússia está acelerando o desenvolvimento da Rassvet, sua própria rede de satélites de internet, após perder acesso clandestino à Starlink. O sistema ainda enfrenta limitações técnicas significativas, mas preocupa autoridades ucranianas.

No início de 2026, a Rússia perdeu algo que havia conquistado clandestinamente meses antes: acesso aos terminais da Starlink. A rede de internet via satélite da SpaceX tinha se tornado indispensável para as operações militares russas na Ucrânia, assim como era para os ucranianos. Num campo de batalha moderno, a diferença entre vitória e derrota pode ser medida em milissegundos — o tempo que leva para transmitir vídeo de um drone, receber coordenadas de ataque, ajustar a trajetória de um míssil. Quando a Starlink desapareceu do arsenal russo, o Kremlin enfrentou um vazio estratégico que nenhuma tecnologia doméstica conseguia preencher.

A resposta foi a Rassvet, cujo nome significa "aurora" em russo. Desenvolvida pela Bureau 1440, uma empresa aeroespacial estatal, a rede representa a tentativa do Kremlin de reduzir sua dependência de tecnologias estrangeiras e recuperar a paridade que havia perdido. Clayton Swope, diretor de defesa e segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, resumiu a situação com precisão: a Rússia tentou durante muito tempo usar a Starlink para seus próprios fins militares, mas simplesmente não tinha nada que pudesse competir com ela. Agora, estava tentando construir.

O sistema Starlink funciona de forma radicalmente diferente dos satélites de comunicação tradicionais. Em vez de um pequeno número de satélites em órbitas muito altas, a SpaceX opera milhares deles em órbita baixa, criando uma cobertura praticamente contínua sobre qualquer ponto do planeta. Pequenos terminais em solo se conectam ao satélite que passa sobre a região, permitindo acesso à internet mesmo quando a infraestrutura terrestre — torres de telefonia, cabos de fibra óptica — foi destruída por bombardeios ou quando tropas operam em áreas remotas. No início da invasão, essa vantagem tecnológica havia dado à Ucrânia uma superioridade tática que a Rússia não possuía.

A Rassvet começou a tomar forma concretamente em março de 2026, quando a Bureau 1440 lançou seus primeiros 16 satélites de banda larga. Hoje já são 31 em órbita, e o plano é chegar a 292 até 2027. Os números, porém, escondem limitações profundas. A capacidade de cada satélite Rassvet é de até 1 gigabite por segundo. A geração atual da Starlink oferece 100 gigabits por segundo — cem vezes mais. Até mesmo a OneWeb, um sistema europeu, fornece 10 gigabits por segundo. A Rassvet, em termos de capacidade bruta, está na extremidade inferior da escala das megaconstelações de satélites.

Os problemas técnicos são ainda mais preocupantes. O primeiro lançamento, em março, atingiu a altitude prevista. O segundo, em julho, ficou abaixo do esperado, com satélites alcançando entre 300 e 400 quilômetros de altitude em vez da altitude planejada. Isso importa porque quanto mais alta a órbita, maior a área que um satélite consegue cobrir. Como os satélites estão em movimento constante, cada um oferece apenas uma pequena janela de conectividade sobre uma determinada área conforme se desloca. Para obter uma boa cobertura, são necessários muitos mais satélites do que a Rússia dispõe atualmente. Alguns dos satélites já lançados sofreram o que especialistas chamam de "falhas completas" e não estão nas órbitas corretas esperadas. Neste momento, segundo Swope, a utilidade do sistema é muito pequena, oferecendo apenas uma janela curta de cobertura algumas vezes por dia sobre a Ucrânia.

Mas a Ucrânia não está esperando para ver se a Rússia conseguirá resolver esses problemas. Vadym Skibitsky, vice-chefe da inteligência militar ucraniana, alertou que a Rússia está acelerando a implantação muito mais rapidamente do que o planejado originalmente. Mesmo que o sistema ainda funcione de forma intermitente, quando um satélite passa sobre o território ucraniano, Skibitsky reconhece que quando a constelação completa estiver operacional, funcionará como a Starlink. Já há discussões em Kiev sobre como neutralizá-la. Outros especialistas apontam que mesmo uma infraestrutura menos avançada que a Starlink pode ter utilidade militar significativa — comunicações entre unidades, coordenação de drones, operações táticas que não exigem a velocidade máxima que a SpaceX oferece.

O que está acontecendo com a Rassvet é parte de uma corrida global muito maior. A guerra na Ucrânia convenceu governos de que depender da infraestrutura de uma única empresa privada em cenários de conflito é arriscado demais. A China desenvolve suas próprias megaconstelações de satélites. A União Europeia investe bilhões no projeto Iris², uma rede soberana de comunicações via satélite. A Amazon trabalha no Projeto Kuiper. Todos estão tentando reduzir a dependência da SpaceX, que hoje controla essencialmente o mercado global de lançamentos espaciais e conectividade por satélite. A OneWeb é o único concorrente europeu significativo, mas está longe de ter a capacidade da Starlink. O que começou como uma questão de vantagem tática em um campo de batalha se transformou em uma questão de soberania estratégica global — quem controla as comunicações por satélite controla, em muitos sentidos, as capacidades militares do futuro.

A Starlink era tão importante que os russos tentaram durante muito tempo usá-la para seus próprios propósitos militares. A Rússia não tinha nada que pudesse competir com isso.
— Clayton Swope, diretor de defesa e segurança do CSIS
Eles já começaram os lançamentos muito mais rapidamente do que o planejado originalmente. Quando a Rússia implantar uma constelação completa de satélites, o sistema funcionará como a Starlink. Já há discussões sobre como neutralizá-lo.
— Vadym Skibitsky, vice-chefe da inteligência militar da Ucrânia
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