Rover Perseverance detecta partículas ultrafinas de poeira em Marte e expõe desafio para missões tripuladas

Partículas 30 vezes mais finas que um fio de cabelo
O PIXL do Perseverance registrou partículas finas de poeira marciana com menos de 2,5 micrômetros.
Mark

Por que um tamanho tão pequeno muda tanto a conversa sobre Marte?

Mimi

Porque partículas com menos de 2,5 micrômetros poderiam chegar aos pulmões e à corrente sanguínea. Na Lua, a preocupação era a forma afiada dos grãos; em Marte, pesam o tamanho e a química.

Luke

Vale separar as coisas: o rover mediu o tamanho das partículas. Que elas causem dano a astronautas é uma possibilidade, não algo demonstrado nesses dados.

Mark

E a química da poeira?

Mimi

VanBommel cita sílica, compostos de ferro e de cloro, como o perclorato, prejudiciais em doses altas na Terra. Ele insiste que a toxicidade depende de dose e duração.

Luke

Ou seja, ainda não sabemos qual dose um astronauta receberia numa missão real. Isso não está na reportagem.

Mark

E os trajes? Já foram danificados?

Mimi

Não há evidência disso. Só se viu que Vectran e Teflon interagem de modo diferente: o Vectran reteve partículas maiores, o Teflon reteve menos poeira, porém mais fina.

Luke

Essa diferença é atribuída por VanBommel a propriedades eletrostáticas. É uma explicação dele, não uma conclusão comprovada no texto.

Mark

O que isso muda na prática?

Mimi

Deve orientar a escolha de materiais, métodos de limpeza e protocolos toxicológicos para missões previstas para a década de 2030.

  • Partículas menores que 2,5 micrômetros, finas como um trinta avos de fio de cabelo, foram detectadas pelo rover Perseverance na superfície marciana.
  • A poeira contém sílica, compostos de ferro e perclorato, substâncias que podem ser perigosas em doses altas, e pode chegar aos pulmões e ao sangue.
  • Amostras de trajes, como Vectran e Teflon, estão sendo testadas no próprio planeta para ver como cada material reage à poeira.
  • Os primeiros resultados não mostram dano aos trajes, mas revelam que cada material atrai partículas de tamanhos diferentes, o que pode orientar escolhas técnicas.
  • A Nasa busca, antes das missões tripuladas da década de 2030, materiais, métodos de limpeza e protocolos de toxicidade capazes de conter essa ameaça.

Entre as dunas e rochas avermelhadas de Marte, o rover Perseverance da Nasa encontrou algo que lembra à humanidade o preço de habitar outro mundo: uma poeira tão fina que cabe muito abaixo da espessura de um fio de cabelo. Ela pode penetrar nos pulmões e na corrente sanguínea, e pode desgastar aquilo que protege quem a respira. Como tantas vezes na história da exploração, a pergunta não é se o desafio existe, mas quanto ele pesa e de que forma se pode enfrentá-lo antes que a presença humana chegue, prevista para a década de 2030.

O Perseverance, rover da Nasa que percorre a superfície de Marte, carrega consigo um problema que qualquer missão tripulada terá de enfrentar: a poeira. Seus instrumentos registraram partículas aderidas ao equipamento, incluindo materiais de trajes espaciais levados a bordo, e revelaram que parte delas é ainda menor que as já conhecidas, abaixo de 2,5 micrômetros.

Partículas desse tamanho podem atingir os pulmões e a corrente sanguínea. Segundo o cientista VanBommel, a toxicidade depende da dose e da duração da exposição, e a poeira marciana contém sílica, compostos de ferro e perclorato, substâncias conhecidas por fazerem mal em doses altas na Terra.

A Nasa já conhece o problema por causa da Lua. Na missão Apollo, a poeira lunar danificou camadas externas dos trajes, vedações e viseiras. Em Marte, porém, a questão é outra: a poeira é mais química do que cortante, e o desafio está na composição e no tamanho das partículas.

Por isso, o rover leva amostras de Vectran e Teflon, expostas à poeira marciana. Até agora não há sinais de dano, apenas de que cada material retém partículas de forma diferente. Os achados devem orientar a escolha de materiais, os sistemas de limpeza e as diretrizes de toxicidade para as missões tripuladas previstas para a década de 2030.

O Perseverance, rover da Nasa de seis rodas que percorre a superfície de Marte, carrega consigo um problema que qualquer missão tripulada ao planeta terá de enfrentar: a poeira. Novos dados do veículo mostram o tamanho do desafio. O instrumento PIXL, o Instrumento Planetário para Litoquímica de Raios X, mediu partículas que aderiram ao equipamento do rover, incluindo materiais de trajes espaciais levados a bordo, para observar como elas se comportam no ambiente hostil do planeta.

Medições anteriores tinham identificado partículas de poeira marciana de até cerca de 3 micrômetros de diâmetro. O PIXL registrou duas categorias ainda menores. Uma delas é a das partículas ultrafinas. A outra é a das partículas finas, com menos de 2,5 micrômetros, o equivalente a 30 vezes menos que a espessura de um fio de cabelo.

O tamanho importa por uma razão concreta. Partículas tão pequenas poderiam penetrar nos pulmões de um astronauta, entrar na corrente sanguínea e, potencialmente, causar danos a órgãos vitais. VanBommel, que comentou os resultados, lembrou que a toxicidade depende da dose e da duração da exposição. Segundo ele, a poeira marciana contém sílica, compostos de ferro e compostos de cloro, como o perclorato, conhecidos por serem prejudiciais em doses suficientemente altas na Terra.

Há ainda uma segunda preocupação: o ambiente marciano e as propriedades físicas da poeira podem degradar, com o tempo, os materiais de trajes espaciais e de habitats. Por isso o Perseverance leva amostras de possíveis materiais para trajes, como a fibra sintética Vectran e o revestimento protetor Teflon, cada uma com cerca de três quartos de polegada (20 mm) de lado.

Os resultados até agora são cautelosos. "Não temos evidências de que a poeira tenha danificado os materiais dos trajes espaciais, apenas de que os materiais tendiam a interagir com a poeira de maneiras diferentes", disse VanBommel. O Vectran pareceu reter partículas maiores, com maior prevalência na parte inferior de sua trama. O Teflon reteve menos poeira, mas a que ficou era mais fina. Isso reflete, segundo ele, como propriedades eletrostáticas podem fazer partículas de tamanhos distintos aderirem preferencialmente a cada material.

A Nasa tem experiência com o problema desde os pousos lunares da missão Apollo, de 1969 a 1972. A poeira da Lua degradou as camadas externas dos trajes, danificou vedações e arranhou viseiras. Também pode ter sido associada a sintomas semelhantes à febre do feno em alguns astronautas.

Mas as duas poeiras não são iguais. Na Lua, ela é gerada principalmente por impactos na superfície, inclusive de micrometeoritos, e, sem atmosfera ou vento para desgastá-las, as partículas permanecem afiadas e angulares. A preocupação lunar vem sobretudo da forma. No caso de Marte, disse VanBommel, as principais questões são a composição química e o tamanho das partículas.

A Nasa pretende enviar astronautas a Marte já na década de 2030. Segundo VanBommel, as descobertas ajudarão a orientar o projeto de sistemas de suporte humano, a escolha de materiais para trajes e habitats e métodos de limpeza eficazes para partículas submicrométricas, além de contribuir para as diretrizes e protocolos toxicológicos da agência.

Não temos evidências de que a poeira tenha danificado os materiais dos trajes espaciais, apenas de que os materiais tendiam a interagir com a poeira de maneiras diferentes.
— VanBommel
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