Num fim de outubro de 2024, em Brasília, a Câmara dos Deputados começa a desenhar quem ocupará sua presidência a partir de fevereiro de 2025. O Republicanos oficializou o nome de Hugo Motta, deputado paraibano, com o aval do atual presidente, Arthur Lira, que preferiu esse caminho ao de Elmar Nascimento, até então tido como favorito. A disputa, porém, carrega um tema que excede a aritmética interna da Casa: a anistia aos réus do 8 de Janeiro, cuja tramitação pode definir a confiança que a direita terá no novo comando.
Republicanos oficializa Hugo Motta como candidato à presidência da Câmara com apoio de Lira
Não se pode misturar a eleição da Casa com um projeto
Por que esse anúncio de terça importa, se Lira já tinha declarado apoio a Motta em setembro?
Porque agora há formalização dupla: Lira falou ao lado de Motta e de líderes partidários, e o Republicanos oficializou a candidatura em sua sede, depois de reunir a bancada de 44 deputados.
E quem ficou de fora disso?
Elmar Nascimento, do União Brasil da Bahia, que era apontado como favorito e foi preterido por Lira. Ele continua na disputa, junto com Antonio Brito, do PSD baiano.
Vale separar: o apoio de Lira é um fato, declarado por ele mesmo. Mas dizer que isso garante a vitória é inferência. A eleição é só em fevereiro de 2025.
E a anistia entra onde?
Lira levou a proposta para uma comissão especial. Motta disse que não se deve misturar a eleição com o projeto e que o texto deve seguir os trâmites sem pressa.
Atenção: que o PL não vai se afastar dele é a avaliação do próprio Motta. O texto não traz nenhuma declaração do PL confirmando isso.
Por que o PL pesa tanto?
É o maior partido da Câmara, com 92 deputados, e a anistia é pauta central da direita ligada ao bolsonarismo.
Também não sabemos quantos votos cada candidato tem hoje. O texto não traz contagem, só os tamanhos das bancadas.
Então o que observar daqui para frente?
Se o PL mantém o apoio a Motta depois da decisão sobre a comissão especial.
El Pulso
- Lira rompe com o favorito Elmar Nascimento e entrega seu apoio a Hugo Motta, abrindo uma fissura no tabuleiro da Câmara.
- A anistia aos presos do 8 de Janeiro paira sobre a eleição como uma faísca capaz de incendiar alianças.
- Motta tenta isolar a eleição da pauta da anistia, pedindo que o texto siga os trâmites regulares sem atropelos.
- O PL, com 92 deputados, mais que o dobro da bancada do Republicanos, segue como peça decisiva e incerta até fevereiro.
Num fim de outubro de 2024, em Brasília, a Câmara dos Deputados começa a desenhar quem ocupará sua presidência a partir de fevereiro de 2025. O Republicanos oficializou o nome de Hugo Motta, deputado paraibano, com o aval do atual presidente, Arthur Lira, que preferiu esse caminho ao de Elmar Nascimento, até então tido como favorito. A disputa, porém, carrega um tema que excede a aritmética interna da Casa: a anistia aos réus do 8 de Janeiro, cuja tramitação pode definir a confiança que a direita terá no novo comando.
Na manhã desta terça-feira, 29 de outubro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reuniu-se na Residência Oficial da Casa com Hugo Motta (Republicanos-PB) e outros líderes partidários para declarar seu apoio ao paraibano na disputa pela sucessão. A eleição está marcada para fevereiro de 2025. Lira afirmou estar convicto de que Motta tem as melhores condições de construir convergências, por sua capacidade de dialogar com polos antagônicos. A preferência já havia sido sinalizada em um almoço com lideranças, em setembro.
Ainda naquele dia, o Republicanos oficializou a candidatura em sua sede, em Brasília, após reunião da bancada de 44 deputados. O presidente nacional do partido, Marcos Pereira, disse que Motta é o nome capaz de reunir as forças da Casa para enfrentar os desafios do país.
A escolha tem custo visível. Elmar Nascimento (União Brasil-BA), tido como favorito, foi preterido, mas segue na disputa, junto com Antonio Brito (PSD-BA). Nas perguntas dos jornalistas, o tema que mais pesou foi a anistia aos condenados por participação nos atos de 8 de Janeiro, texto que Lira decidiu enviar a uma comissão especial e que é uma bandeira central da direita ligada ao bolsonarismo. Motta disse que não se deve misturar a eleição com o projeto e defendeu a mesma tramitação regular.
A grande incógnita é numérica. O PL, maior partido da Câmara, com 92 deputados, indicava apoio a Motta, e ele avalia que o partido não vai se afastar por causa da ação de Lira. Até fevereiro, resta saber se essa aposta se sustenta depois que a anistia avançar.
Na manhã desta terça-feira, 29 de outubro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi à Residência Oficial da Casa, ao lado do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e de outros líderes partidários, e anunciou formalmente seu apoio ao paraibano na disputa para sucedê-lo. A eleição para a presidência da Câmara está marcada para fevereiro de 2025.
Em seu pronunciamento, Lira disse que, depois de muito conversar e ouvir, estava convicto de que Motta é o candidato com maiores condições políticas de construir convergências no parlamento. Segundo o presidente da Câmara, o deputado demonstrou capacidade de aliar polos aparentemente antagônicos, com diálogo, leveza e altivez. O apoio não era exatamente novidade: Lira já havia confirmado a preferência por Motta em um almoço com lideranças partidárias, em 11 de setembro.
Mais tarde no mesmo dia, a candidatura ganhou o carimbo do partido. O Republicanos oficializou o nome de Motta em evento na sede da legenda, em Brasília. Antes de falar com os jornalistas, a bancada, que soma 44 deputados, se reuniu para formalizar a decisão. Motta é o líder do partido na Câmara.
No anúncio, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira (SP), afirmou que Motta é o nome capaz de unir todas as forças da Casa. Segundo ele, o deputado representa hoje quem pode agregar as forças políticas da Câmara para fortalecer a agenda legislativa e enfrentar os desafios que o Brasil tem pela frente.
A escolha de Lira tem um custo político visível. Elmar Nascimento (União Brasil-BA), que era apontado como favorito, acabou preterido pelo presidente da Câmara. Ele segue na disputa, assim como Antonio Brito (PSD-BA). Ao todo, portanto, há três candidatos declarados.
O tema que mais pesou nas perguntas dos jornalistas foi a anistia. Lira decidiu levar à análise de uma comissão especial a proposta que anistiaria os presos por participação ou financiamento dos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro de 2023. O texto virou pauta crucial da direita brasileira ligada ao bolsonarismo. Questionado sobre o assunto, Motta disse que não se pode misturar a disputa pela eleição da Casa com um projeto.
O deputado defendeu a mesma posição de Lira: que o texto percorra todos os trâmites regulares na Câmara e não seja debatido de forma apressada. Na avaliação de Motta, o PL, que indicava apoio a ele na disputa, não vai se afastar de sua candidatura por causa da ação do atual presidente da Casa.
O que está em jogo é numérico. O PL é o maior partido da Câmara, com 92 deputados, mais que o dobro da bancada do Republicanos. Até fevereiro, resta saber se a aposta de Motta se confirma e se o partido manterá o apoio depois que a anistia foi encaminhada a uma comissão especial.
Citas Notables
Motta é o candidato com maiores condições políticas de construir convergências no parlamento, por aliar polos aparentemente antagônicos.— Arthur Lira, presidente da Câmara (paráfrase)
Motta é o nome capaz de agregar todas as forças políticas da Câmara para fortalecer a agenda legislativa.— Marcos Pereira, presidente do Republicanos (paráfrase)