Renan Santos é sexy? Calma que vai passar

Todo político pretensamente herói faz love bombing
A autora identifica o padrão recorrente de atração política que leva eleitores a se decepcionarem.
Mark

Por que a autora está tão preocupada com a atração que as pessoas sentem por Renan Santos agora?

Mimi

Porque ela reconhece um padrão que se repete: eleitores desenvolvem uma atração quase irracional por políticos carismáticos durante campanhas, confundem carisma com competência, e depois se decepcionam quando a realidade bate.

Luke

Mas ela está sendo justa? Renan pode ser realmente competente. Só porque as pessoas se sentem atraídas por ele não significa que ele vá decepcionar.

Mimi

Verdade, mas o ponto dela não é sobre Renan especificamente. É sobre o padrão histórico dela mesma com Alexandre de Moraes, Randolfe, Janones — políticos que ela admirava e depois viu de forma diferente.

Mark

Então ela está dizendo que nenhum político merece admiração?

Mimi

Não exatamente. Ela está dizendo que a admiração cega, aquela que confunde a pessoa com a imagem que ela projeta, é perigosa. Todo político faz "love bombing".

Luke

Mas "love bombing" é uma acusação forte. Ela tem evidência de que Renan está fazendo isso deliberadamente, ou é interpretação dela?

Mimi

É mais interpretação dela sobre o padrão geral. Ela não está dizendo que Renan é malicioso. Está dizendo que o carisma político funciona assim naturalmente.

Mark

E por que ela menciona que a foto do "L" foi gerada por inteligência artificial?

Mimi

Para mostrar que até as imagens que nos atraem podem ser fabricadas. Não é nem real.

Luke

Mas ela não explica como sabe que foi IA. Isso é uma acusação séria.

Mimi

Você tem razão. Ela afirma, mas não fundamenta. É um ponto fraco da coluna.

Mark

Qual é o conselho final dela?

Mimi

Guarde distância emocional. A realidade sempre vence a luxúria, e quando vence, você fica com o coração partido e a reputação pública abalada.

  • A menos de dez dias das eleições, eleitores de esquerda estão sendo varridos por uma atração intensa por Renan Santos — cabelos revoltos, retórica afiada e vídeos que destroem adversários com precisão cirúrgica.
  • O 'love bombing' político funciona como um relacionamento tóxico: o candidato bombardeia o eleitor com os sinais certos no momento certo, criando uma ilusão de heroísmo que a realidade ainda não teve tempo de desmontar.
  • A própria autora já caiu nessa armadilha com Alexandre de Moraes — ignorou todos os sinais de alerta e só percebeu o padrão quando já estava, nas suas palavras, escrevendo poemas de amor com o próprio sangue.
  • O alerta é urgente: uma imagem de Renan fazendo o 'L' já circula gerada por inteligência artificial, sinal de que a mitificação precede qualquer comprovação de competência.
  • A cura existe, mas é amarga — a realidade eventualmente vence a luxúria eleitoral, deixando o eleitor mais sábio e, talvez, um pouco mais preparado para resistir ao próximo herói de tela.

Em cada ciclo eleitoral, uma figura carismática surge e acende nos eleitores uma chama que confunde sedução com substância. A colunista observa esse fenômeno em torno de Renan Santos às vésperas das eleições de 2026, reconhecendo nele o mesmo padrão que já a capturou antes — e que captura a todos, repetidamente. O fetichismo político não é fraqueza individual, mas uma armadilha coletiva tão antiga quanto a democracia: a esperança de que desta vez o herói seja real.

Está acontecendo de novo, e a colunista sabe reconhecer os sintomas. Renan Santos — com os cabelos revoltos, as cortinas vermelhas ao fundo e os vídeos que desmontam Flávio Bolsonaro com prazer evidente — está produzindo naqueles à esquerda o mesmo formigamento familiar que precede toda grande decepção política. Faltam menos de dez dias para a eleição, e com ela, provavelmente, a atração também passa.

O fenômeno tem nome: 'love bombing' político. O candidato apresenta coerência, carisma e atenção calibrada para os pontos sensíveis do eleitorado, criando a ilusão de que desta vez é diferente. A autora não escreve de fora desse ciclo — ela escreve de dentro dele, com a memória viva de ter se apaixonado por Alexandre de Moraes durante o Inquérito das Fake News, ignorando todos os sinais que estavam ali desde o início: o histórico punitivista, os elogios conservadores, a trajetória pelo governo Temer. Quando ele liberou a estrada para os petistas votarem em 2022, ela já estava perdida.

O padrão se repete com variações. Randolfe Rodrigues tinha uma voz que lembrava a da finada dona Yolanda. Janones produz cortisol em quantidades industriais, mas seu ritmo circadiano é de admirar. E agora Renan, cuja foto fofa com criança no Dia das Crianças já circula ao lado de uma imagem gerada por inteligência artificial — ele fazendo o 'L' — que ninguém pediu para verificar antes de compartilhar.

A colunista não propõe abstinência eleitoral, mas distância emocional. O vício em políticos carismáticos é tão perigoso quanto qualquer outro, e os grupos de apoio ainda não existem. A boa notícia é que isso passa. A má notícia é que, quando passa, já apareceu outro na tela — com a mensagem certa, no momento certo, e os cabelos perfeitamente revoltos.

Está acontecendo de novo. Você olha para Renan Santos e sente aquele formigamento familiar, aquela sensação de que desta vez é diferente, que este político é realmente o herói que a gente procura. Calma. Faltam menos de dez dias para a eleição passar, e com ela, provavelmente, essa atração vai embora também.

A colunista reconhece a luta interna que qualquer eleitor apaixonado enfrenta neste momento. Renan postou foto fofa com criança em roupinha vermelha no Dia das Crianças? Postou. Está fazendo vídeos que destroem Flávio Bolsonaro com uma verve que mexe com as emoções? Está fazendo mesmo. Os cabelos revoltos (implante capilar bem-sucedido), as cortinas vermelhas ao fundo, a retórica que toca em pontos sensíveis da esquerda — tudo funciona como um gatilho emocional perfeito. Mas aquela imagem do presidente do partido Missão fazendo o "L" foi gerada por inteligência artificial. O aviso é direto: guarde essa libido esquerdista para a próxima oportunidade.

Isso não é novo. A autora conta sua própria história de fetichismo político anterior, usando Alexandre de Moraes como exemplo. Ela compra banana no supermercado e ainda ouve pessoas gritando "Aê, ainda quer dar seu cartão pro Xandão?". Os sinais estavam todos lá desde o começo: Xandão brigava com sindicatos, tinha fama de punitivista, era elogiado por setores conservadores, cresceu na prefeitura do Kassab e se tornou ministro graças ao Temer. Mas durante o Inquérito das Fake News e depois das Milícias Digitais, ela já estava apaixonada. Quando ele liberou a estrada para os petistas votarem em 2022, ela já estava escrevendo poemas de amor com seu próprio sangue.

O padrão é claro e recorrente. Todo político que se apresenta como herói faz "love bombing" — aquele bombardeio inicial de atenção, coerência e carisma que nos faz acreditar que desta vez é diferente. Quando ele parte seu coração, suas lágrimas podem virar assunto público. A autora menciona Randolfe Rodrigues, cuja voz lembrava a da finada dona Yolanda, vizinha de sua avó. Menciona também Janones, um homem que deve produzir uma quantidade inenarrável de cortisol, cujo ritmo circadiano é admirável — a última vez que ele produziu melanina, os estrategistas políticos da campanha do PT ainda conseguiam almoçar dobrando a alface em cinco etapas.

O período eleitoral é tão perigoso que a gente saliva pensando em risco cardiovascular de ativistas que "puxam ferro". Deveriam existir grupos de apoio ao combate a esse vício de se apaixonar por políticos. Muito se fala dos metais pesados do vape, mas quem nos protegerá de ativistas carismáticos? A realidade, eventualmente, vence a luxúria. Graças a Deus isso passa. E quando passa, a gente fica mais sábio — ou pelo menos preparado para a próxima vez que um político bonito aparecer na tela com a mensagem certa no momento certo.

Não podemos ter político de estimação. Todo político pretensamente herói faz love bombing — e, quando ele partir seu coração, suas lágrimas poderão ser públicas.
— Tati Bernardi, colunista
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