Num momento de turbulência política provocada por Flávio Bolsonaro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, começou a reunir líderes partidários para esboçar uma reforma eleitoral. Como lembra a coluna de Elio Gaspari, o tema parece árido à primeira vista, mas carrega a capacidade de alterar a forma como o eleitor escolhe quem o representa no Congresso. A questão central é se a busca por simplicidade, inspirada no modelo distrital americano, não abrirá espaço para velhos atalhos, como as listas fechadas, que entregam cadeiras a quem nunca precisou convencer um único votante.
Reforma eleitoral com voto distrital misto pode dar cadeiras a caciques sem voto, alerta coluna
O sonho do cacique que quer mandato sem ter voto
Por que uma reunião de líderes sobre reforma eleitoral merece atenção?
Porque Hugo Motta começou a desenhar um projeto que pode mudar a forma como se elege a Câmara. O colunista Elio Gaspari alerta que o voto distrital misto pode trazer a lista fechada junto.
O que é o voto distrital, na descrição da coluna?
O país é dividido em distritos e os candidatos disputam frente a frente. Quem tem mais votos ganha, como nos Estados Unidos.
Mas isso é uma coluna de opinião. O que está confirmado?
Que Motta reuniu líderes e que as conversas estão no início, com vigência prevista para 2030 e funcionamento pleno em 2034. O resto é a leitura crítica do autor.
E o problema dos distritos?
Quem os desenha decide quem pode vencer. No exemplo carioca, dependendo do traçado, a Rocinha ou a zona rica nunca elegeria ninguém.
Esse exemplo é ilustração do colunista, não proposta real.
Exato, ele mesmo o chama de grosseiro. Serve para mostrar o risco.
E a lista fechada?
Daria cadeiras pela ordem definida pelos caciques, sem votos. Segundo a coluna, a ideia já foi rejeitada duas vezes no Congresso.
Não sabemos ainda se o projeto vai incluí-la. A coluna aponta o risco, não um texto fechado.
Le Pouls
- A Câmara começa a desenhar uma reforma eleitoral em meio a uma crise política que já ocupa o noticiário.
- O voto distrital misto promete clareza, mas traz consigo a sombra das listas fechadas definidas pelas cúpulas partidárias.
- Quem traça os limites dos distritos pode decidir, antes de qualquer urna, quais regiões e quais grupos terão voz no Congresso.
- As listas fechadas já foram rejeitadas duas vezes, mas voltam ao debate como uma possibilidade que exige vigilância.
- O cronograma aponta para vigência em 2030 e funcionamento pleno em 2034, deixando o desfecho em aberto.
Num momento de turbulência política provocada por Flávio Bolsonaro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, começou a reunir líderes partidários para esboçar uma reforma eleitoral. Como lembra a coluna de Elio Gaspari, o tema parece árido à primeira vista, mas carrega a capacidade de alterar a forma como o eleitor escolhe quem o representa no Congresso. A questão central é se a busca por simplicidade, inspirada no modelo distrital americano, não abrirá espaço para velhos atalhos, como as listas fechadas, que entregam cadeiras a quem nunca precisou convencer um único votante.
No meio da confusão provocada por Flávio Bolsonaro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu líderes partidários para dar os primeiros passos de uma reforma eleitoral. Elio Gaspari, em sua coluna na Folha de S.Paulo, alerta que o assunto, embora pareça enfadonho, pode retirar parte do poder de escolha dos eleitores sobre quem os representa.
A novidade central seria o voto distrital, em que o país é dividido em distritos e quem tiver mais votos em cada um ganha a cadeira, como no modelo americano. Mas a pergunta inicial já é delicada: quem desenha os distritos? Gaspari lembra que um traçado mal feito pode excluir comunidades inteiras da representação, como ocorreria no Rio de Janeiro, onde a divisão poderia deixar ou a parte mais pobre ou a mais próspera da cidade sem nenhum representante.
O modelo em estudo seria misto, combinando candidatos distritais com uma lista de notáveis que poderiam receber votos em qualquer lugar. É aí que mora o perigo: listas fechadas, organizadas pelas cúpulas partidárias, dariam cadeiras a nomes escolhidos sem um único voto. A ideia já foi rejeitada duas vezes no Congresso, mas pode reaparecer.
As conversas estão no início, e a nova regra só valeria a partir de 2030, com funcionamento pleno em 2034. Para o colunista, se o objetivo é um sistema simples, não faz sentido complicá-lo para eleger quem não recebeu votos. Nas próximas rodadas, será preciso observar quem desenhará os distritos e se as listas fechadas voltarão ao texto.
No meio da confusão provocada por Flávio Bolsonaro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu líderes partidários para começar a desenhar um projeto de reforma eleitoral. A coluna de Elio Gaspari na Folha de S.Paulo avisa que o assunto, à primeira vista árido, pode resultar numa subtração parcial do direito de escolha dos eleitores sobre quem os representa no Congresso.
Segundo o colunista, trata-se de um tema complicado e enfadonho, mas capaz de mudar a feição da política nacional. Se houver descuido, diz ele, o resultado poderá realizar o sonho do cacique partidário que quer um mandato sem ter voto.
A novidade central seria a criação do voto distrital. O país seria dividido em distritos, e os candidatos disputariam as cadeiras frente a frente: quem tiver mais votos ganha. É o modelo americano, que a coluna descreve como simples, antigo e eficaz.
O primeiro problema, porém, é saber quem vai desenhar os distritos. O colunista dá um exemplo grosseiro, tirado do Rio de Janeiro. Se um distrito for traçado do Leblon à Barra da Tijuca, a Rocinha, mais pobre, nunca elegerá um deputado. Se for desenhado em outro sentido, de São Conrado e da Gávea até a Cidade de Deus, a parte próspera da cidade é que jamais elegerá um representante. O traçado, portanto, já define parte do resultado.
Superada essa questão, surge outra. O modelo em discussão seria distrital, mas misto. Os partidos apresentariam candidatos para a disputa direta nos distritos e também uma lista de notáveis, que poderiam receber votos em qualquer distrito. Até esse ponto, avalia a coluna, tudo bem.
O risco aparece com o modelo das listas fechadas, organizadas pelas cúpulas dos partidos. Nesse arranjo, os afortunados receberiam a cadeira pela ordem de uma lista montada pelos caciques, sem um único voto. Segundo o colunista, essa ideia já circulou duas vezes no Congresso e foi rejeitada nas duas.
As conversas de Motta estão no início. Pelo cronograma mencionado, o novo sistema entraria em vigor em 2030 e só funcionaria plenamente em 2034. Para Gaspari, existindo a possibilidade de replicar o sistema simples dos americanos, a opção por complicá-lo teria um único objetivo: eleger parlamentares que não receberam votos. Vale acompanhar, nas próximas rodadas, quem desenhará os distritos e se a lista fechada reaparecerá no texto.
Citations marquantes
Em vez de replicar o sistema simples dos americanos, complica-se com o único objetivo de eleger quem não recebeu votos.— Elio Gaspari, colunista da Folha de S.Paulo (paráfrase)