Paraná realiza 1,7 mil transplantes e lidera país em captação de órgãos

Milhares de pacientes beneficiados pelos transplantes realizados, com impacto direto na qualidade de vida e sobrevida de receptores em todo o país.
A menor taxa de recusa familiar do país
O Paraná convence 70% das famílias a doar, contra 55% na média nacional.

No Paraná, onde o luto de algumas famílias tem sido transformado em vida para outras, o estado consolidou em 2025 uma liderança nacional em transplantes que vai além dos números: com a menor taxa de recusa familiar do país, 30% contra 45% da média brasileira, o estado revela que salvar vidas depende tanto de infraestrutura quanto da capacidade humana de dialogar com a dor. Até novembro, foram 1.715 transplantes realizados, sustentados por uma rede de quatro organizações, 34 equipes e cerca de 700 profissionais — um modelo que outros estados já observam com atenção.

  • O Paraná registrou 1.715 transplantes em apenas onze meses, mantendo o dobro de doadores por milhão em relação à média nacional e pressionando o restante do país a repensar seus próprios sistemas.
  • A menor taxa de recusa familiar do Brasil — 30% contra 45% na média nacional — revela uma tensão central: a tecnologia médica avança, mas o elo mais frágil da cadeia continua sendo a conversa com uma família em luto.
  • Quatro Organizações de Procura de Órgãos coordenam 70 hospitais notificantes e 34 equipes transplantadoras, tentando garantir que cada potencial doador se converta em até oito órgãos e tecidos disponíveis.
  • O estado ficou em segundo lugar apenas para Santa Catarina em 2025, com 40,5 doadores por milhão, sinalizando que a liderança é disputada e que o modelo paranaense ainda não é universal.
  • Outros estados observam o Paraná como referência replicável, mas a diferença de 15 pontos percentuais na taxa de recusa sugere que o segredo está em algo ainda não completamente mapeado — treinamento, cultura, confiança.

Até novembro de 2025, o Paraná havia realizado 1.715 transplantes de órgãos e tecidos, consolidando sua posição como referência nacional em um campo onde cada decisão pode significar uma vida salva. O estado lidera em volume — 410 transplantes de rim, 264 de fígado, 29 de coração, além de procedimentos de pâncreas, córnea e outros tecidos — mas também em algo mais delicado: a capacidade de convencer famílias enlutadas a transformar a perda em doação.

Esse desempenho é sustentado por 425 doações efetivas em onze meses, operadas por quatro Organizações de Procura de Órgãos em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba. Juntas, essas organizações coordenam 70 hospitais notificantes, 34 equipes transplantadoras de órgãos, 72 de tecidos e cerca de 700 profissionais. Uma única doação bem-sucedida pode resultar na captação de até oito órgãos e tecidos — cada um destinado a um paciente diferente em fila de espera.

Os números revelam consistência. Em 2024, o estado registrou 42,3 doadores por milhão de população, mais que o dobro da média nacional. Em 2025, manteve-se em segundo lugar com 40,5 doadores por milhão até novembro, atrás apenas de Santa Catarina — ainda o dobro dos 20,2 registrados na média brasileira no mesmo período.

Mas o indicador mais revelador fala menos sobre tecnologia e mais sobre confiança. O Paraná apresenta a menor taxa de recusa familiar do país: 30% em 2025, contra 45% na média nacional. Essa diferença de 15 pontos percentuais não é um detalhe estatístico — é a distância entre um órgão que salva uma vida e um órgão que permanece indisponível. O que explica esse resultado ainda não foi completamente mapeado, mas pode envolver o treinamento das equipes, a forma como o estado estruturou suas campanhas de sensibilização e uma combinação de fatores humanos e institucionais. O que se sabe é que funciona — e que outros estados estão observando.

Até novembro de 2025, o Paraná havia realizado 1.715 transplantes de órgãos e tecidos, consolidando sua posição como referência nacional em um campo onde a diferença entre sucesso e fracasso é frequentemente medida em vidas salvas. O estado não apenas lidera em volume — 410 transplantes de rim, 264 de fígado, 29 de coração, além de procedimentos de pâncreas, córnea e outros tecidos — mas também em algo mais delicado: a capacidade de convencer famílias enlutadas a transformar o luto em doação.

Esse desempenho repousa sobre uma infraestrutura que envolve 425 doações efetivas de órgãos em 11 meses, operadas por quatro Organizações de Procura de Órgãos espalhadas por Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba. Essas organizações trabalham em 70 hospitais notificantes, coordenando 34 equipes transplantadoras de órgãos, 72 de tecidos e aproximadamente 700 profissionais em todo o processo. Uma única doação, quando bem-sucedida, pode resultar na captação de até oito órgãos e tecidos — rins, fígado, coração, pâncreas, pele, ossos, córneas — cada um deles destinado a um paciente diferente em fila de espera.

Os números revelam um padrão consistente de liderança. Em 2024, o Paraná registrou 42,3 doadores por milhão de população, mais que o dobro da média nacional de 19,2. Nos primeiros nove meses de 2025, o estado manteve-se em segundo lugar com 39,7 doadores por milhão, atrás apenas de Santa Catarina. Os dados mais recentes, até novembro, mostram uma recuperação para 40,5 doadores por milhão — ainda o dobro da média brasileira, que chegou a 20,2 nesse período. O Registro Brasileiro de Transplantes também documenta 325 transplantes de medula óssea realizados no estado até setembro.

Mas talvez o indicador mais revelador seja aquele que fala menos sobre tecnologia e mais sobre comunicação, sensibilidade e confiança. O Paraná apresenta a menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos em todo o país. Em 2024, apenas 28% das famílias abordadas recusaram a doação, enquanto a média nacional ficou em 46%. Em 2025, os dados parciais mantêm o estado, junto com Santa Catarina, com a menor taxa de recusa — 30% — contra uma média nacional de 45%. Essa diferença de 15 pontos percentuais não é um detalhe estatístico. É a diferença entre um órgão que salva uma vida e um órgão que permanece indisponível.

O que explica essa diferença? Não há resposta simples em um comunicado de imprensa. Pode ser treinamento das equipes que conversam com as famílias. Pode ser a forma como o estado estruturou suas campanhas de sensibilização. Pode ser uma combinação de fatores culturais, institucionais e humanos que ainda não foi completamente mapeada. O que se sabe é que funciona — e que outros estados estão observando.

Uma única doação pode resultar na captação de até 8 órgãos e tecidos, beneficiando múltiplos pacientes
— Sistema Estadual de Transplantes do Paraná
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a taxa de recusa familiar é tão mais baixa no Paraná do que no resto do país?

Model

Não sabemos com precisão. Os números mostram que é 15 pontos percentuais menor, mas o que está por trás disso — se é treinamento, comunicação, cultura, ou uma combinação — não está documentado nos dados públicos. É uma pergunta que merecia investigação.

Inventor

Uma doação pode gerar até oito órgãos. Isso significa que uma pessoa pode salvar oito vidas?

Model

Teoricamente, sim. Mas nem sempre os oito órgãos são viáveis, e nem sempre há receptores compatíveis esperando. O que é certo é que uma doação bem-sucedida beneficia múltiplos pacientes — alguns imediatamente, outros em semanas ou meses.

Inventor

O Paraná tem o dobro de doadores da média nacional. Como um estado consegue isso?

Model

Através de infraestrutura — quatro organizações de procura, 34 equipes transplantadoras, 700 profissionais. Mas também através de algo menos tangível: a capacidade de convencer famílias em momento de luto a dizer sim.

Inventor

Se Santa Catarina está à frente do Paraná em doadores por milhão, por que o Paraná é chamado de referência?

Model

Porque lidera em volume absoluto de transplantes realizados e em taxa de recusa familiar. Santa Catarina tem mais doadores por população, mas o Paraná faz mais transplantes e convence mais famílias. São métricas diferentes.

Inventor

Esses 1.715 transplantes — quantas pessoas estão vivas hoje por causa deles?

Model

Todos os receptores que receberam órgãos viáveis. Alguns transplantes falham, alguns receptores morrem depois. Mas a maioria desses 1.715 procedimentos resultou em anos ou décadas de vida adicional para pessoas que, sem eles, estariam em fila de espera ou morreriam.

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