IA aumenta multas em quase 25 vezes na D. Pedro I; falta de cinto lidera

A máquina não se cansa, não pisca, não deixa passar
Reflexão sobre como a inteligência artificial muda a capacidade de vigilância contínua em rodovias.

Na rodovia D. Pedro I, um sistema de inteligência artificial começou a enxergar infrações que a fiscalização humana deixava escapar — e os números revelam a dimensão do que antes permanecia invisível. Em apenas dois meses, as autuações saltaram 2.369%, expondo não uma epidemia nova de desobediência, mas a lacuna histórica entre o que sempre aconteceu e o que finalmente passou a ser visto. A máquina não criou o problema; ela apenas iluminou o que a limitação humana tolerava em silêncio.

  • Em dois meses de operação, a IA registrou 1.136 infrações — mais do que o quádruplo de tudo que foi multado em 2025 inteiro no mesmo trecho.
  • A infração mais flagrada não é o celular ao volante, mas o cinto de segurança — uma obrigação legal ignorada em massa e agora multiplicada por 70 nas autuações.
  • O sistema funciona em parceria: câmeras e algoritmos identificam a irregularidade, mas um policial rodoviário valida cada imagem antes de lançar a multa.
  • O salto de 23 para 568 multas mensais levanta uma questão urgente: os motoristas vão se adaptar às novas regras do jogo, ou as penalidades continuarão escalando?

Na rodovia D. Pedro I, região de Campinas, um sistema de inteligência artificial entrou em operação oficial em abril e transformou radicalmente o ritmo da fiscalização de trânsito. A média mensal de multas saltou de 23 para 568 autuações — e em apenas dois meses foram registradas 1.136 infrações, superando em quatro vezes o total de todo o ano de 2025 no mesmo trecho.

A concessionária Rota das Bandeiras implantou a tecnologia para apoiar a Polícia Militar Rodoviária. Câmeras e sensores monitoram continuamente os veículos, verificando documentação e capturando imagens do interior dos carros. Quando o algoritmo detecta uma irregularidade, um alerta chega ao Centro de Controle Operacional, onde um policial valida a imagem antes de lançar a multa. A máquina vê; o humano confirma.

A infração mais detectada surpreende: não é o uso do celular ao volante, mas a falta do cinto de segurança. Entre abril e maio, foram 559 multas por esse motivo — um crescimento de 70 vezes em relação às 46 registradas em todo o ano anterior. O número expõe não uma novidade, mas um hábito antigo que a fiscalização humana simplesmente não conseguia alcançar em escala.

O aumento geral de 2.369% nas autuações revela a distância entre o que sempre foi proibido e o que era de fato detectado. A IA não se cansa, não pisca, não deixa passar — e ao tornar a vigilância quase total, ela muda a equação fundamental entre infração e consequência. A D. Pedro I se tornou um laboratório dessa transformação, e a pergunta que fica é se os motoristas vão se adaptar ao novo ambiente — ou se as multas continuarão crescendo enquanto os hábitos resistem.

Na rodovia D. Pedro I, região de Campinas, um sistema de inteligência artificial começou a enxergar o que os olhos humanos deixavam passar. Desde abril, quando a tecnologia entrou em operação oficial, o número de multas de trânsito disparou de forma vertiginosa — saltando de uma média de 23 autuações por mês para 568. Em apenas dois meses, entre abril e maio, foram registradas 1.136 infrações. Para ter dimensão da mudança: em todo o ano de 2025, antes da IA, a polícia havia aplicado apenas 281 multas naquele mesmo trecho.

A concessionária Rota das Bandeiras implantou o sistema para auxiliar a Polícia Militar Rodoviária. O funcionamento é relativamente simples. Câmeras e sensores monitoram continuamente os veículos que passam pela via, verificando documentação e capturando imagens do interior dos carros. Quando o algoritmo detecta uma possível irregularidade, um alerta aparece na tela do Centro de Controle Operacional. Dali, um policial rodoviário faz a validação final da imagem antes de lançar a multa no sistema oficial. É um trabalho híbrido: a máquina vê, o humano confirma.

Mas o que exatamente a IA está vendo com tanta frequência? A resposta surpreende. Não é o uso do celular ao volante, infração que costuma dominar as preocupações de segurança viária. É a falta do cinto de segurança — uma obrigação legal há quase três décadas no Brasil. Entre abril e maio, o sistema flagrou 559 infrações por este motivo. O crescimento é espantoso: em 2025, foram apenas 46 multas por falta de cinto em todo o ano. Com a IA, esse número multiplicou-se por 70.

O aumento geral de 2.369% nas autuações reflete uma capacidade de vigilância que simplesmente não existia antes. Câmeras humanas, por mais atentas que sejam, não conseguem monitorar simultaneamente centenas de veículos passando por uma rodovia. A IA não se cansa, não pisca, não deixa passar. Ela registra cada carro, cada condutor, cada detalhe do comportamento dentro do veículo. É uma forma de fiscalização que muda fundamentalmente a equação entre o que é permitido e o que é detectado.

O sistema representa um ponto de inflexão na segurança viária brasileira. Não porque a tecnologia seja nova — câmeras de trânsito existem há anos — mas porque a inteligência artificial consegue interpretar o que vê de forma muito mais precisa e abrangente do que sistemas anteriores. Ela não apenas registra placas; ela lê comportamentos. E quando um policial confirma o que a máquina viu, aquela multa sai do mundo das possibilidades e entra no mundo das consequências reais.

O que vem a seguir é uma pergunta em aberto. A tecnologia continuará expandindo por outras rodovias? Os motoristas se adaptarão, usando cinto e respeitando as regras, ou as multas continuarão crescendo? E há uma questão mais profunda: quando a vigilância se torna tão eficiente, quando nenhuma infração passa despercebida, como muda o comportamento das pessoas nas ruas? A D. Pedro I se tornou um laboratório dessa transformação.

A infração mais flagrada pelo novo sistema não é o uso do celular ao volante, mas sim a falta do cinto de segurança
— Dados do sistema de IA da Rota das Bandeiras
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a falta de cinto disparou tanto? Parece estranho que isso fosse tão invisível antes.

Model

Porque ninguém estava realmente olhando para dentro dos carros em movimento. Um policial na beira da estrada vê o cinto de quem passa perto dele. A IA vê todos. E vê com clareza.

Inventor

Mas o sistema precisa de um policial para confirmar. Então não é totalmente automático.

Model

Não. É um híbrido. A máquina faz o trabalho pesado de vigilância contínua, mas um humano valida antes de gerar a multa. Talvez seja assim que conseguem legitimidade legal.

Inventor

E quanto aos motoristas? Eles sabem que estão sendo observados dessa forma?

Model

Essa é a questão. Se sabem, podem mudar de comportamento. Se não sabem, estão sendo fiscalizados sem saber. Ou talvez saibam e simplesmente não usem cinto mesmo assim.

Inventor

O crescimento de 70 vezes em multas de cinto parece desproporcional. Não é um pouco assustador?

Model

Depende de como você vê. Para quem acredita que cinto salva vidas, é eficácia. Para quem vê vigilância crescente, é preocupante. A tecnologia não escolhe lado; apenas expõe o que estava acontecendo invisível.

Want the full story? Read the original at G1 ↗
Contact Us FAQ