A cada ciclo eleitoral, o Brasil se defronta com uma escolha que transcende nomes e partidos: trata-se de decidir quais ideias terão autoridade para moldar florestas, rios, territórios indígenas e direitos humanos por gerações. Em outubro de 2026, seis decisões simultâneas — da presidência às assembleias estaduais — desenharão a correlação de forças que governará o país nos próximos anos. A consciência exigida não é sentimental; é o exercício de rastrear históricos, examinar projetos concretos e compreender que o voto individual produz consequências coletivas que alcançam até quem não pode vot
Que país queremos construir? Reflexão sobre escolhas eleitorais e seus impactos
A floresta não vota. O rio não vota. A onça não vota.
Por que você insiste que votar é mais do que escolher um presidente? Não é exagero?
Não. Quando você vota em senadores e deputados, está escolhendo quem vai escrever as leis que vão durar décadas. Um presidente sai em quatro anos. Uma lei ambiental pode vigorar por trinta.
Mas a coluna não oferece dados sobre como o Congresso atual votou em questões ambientais ou indígenas. Como o leitor sabe se um candidato vai realmente proteger essas coisas?
Verdade. A coluna é um chamado à consciência, não um guia de voto. Ela diz: olhem para o histórico, para as posições públicas. Mas não lista nomes ou registros específicos.
E essa frase sobre a cavalaria brasileira — o que significa exatamente?
É uma crítica a uma visão de mundo que vê o extermínio indígena como uma falha histórica, não como um crime. É um teste de caráter: que tipo de pessoa pensa assim?
Mas quem disse isso? A coluna não atribui a frase a ninguém. É uma posição que existe no debate público, ou é uma caricatura?
É uma posição que existe. Aparece em certos círculos políticos. Mas você tem razão — sem atribuição, fica vago.
A coluna fala muito em consequências coletivas. Mas como você convence alguém que não se importa com florestas ou povos indígenas a votar pensando neles?
Conectando à vida deles. Água, comida, clima, saúde — essas coisas afetam todo mundo. Não é abstrato.
Ainda assim, a coluna não oferece exemplos concretos. Não diz: 'Quando tal lei foi votada, tal coisa aconteceu.' Ela apela à consciência, mas não fornece munição factual.
É uma coluna de opinião, não um relatório. Seu trabalho é despertar a reflexão, não resolver tudo.
E funciona? As pessoas realmente votam diferente quando leem algo assim?
Não sabemos. Mas a tentativa de conectar voto a consequências reais — florestas, rios, vidas — é importante. Mesmo que não mude todos os votos.
O Pulso
- O pleito de 2026 concentra seis escolhas simultâneas, criando uma pressão incomum sobre o eleitor que precisa avaliar candidaturas em múltiplos níveis de poder ao mesmo tempo.
- Políticas ambientais e direitos indígenas estão no centro do debate, com visões radicalmente opostas sobre se territórios e florestas são patrimônio a proteger ou obstáculos ao desenvolvimento.
- A composição do Congresso emerge como variável decisiva frequentemente subestimada: senadores e deputados aprovam leis, controlam o orçamento e podem desmantelar ou fortalecer décadas de políticas públicas.
- Colunistas e analistas alertam que eleger um presidente sem atenção ao Legislativo pode esvaziar qualquer agenda de governo, tornando a escolha parlamentar tão estratégica quanto a presidencial.
- O debate se encaminha para uma disputa de horizontes: de um lado, projetos que enxergam proteção ambiental como parte inseparável do desenvolvimento; de outro, visões que a tratam como entrave econômico.
A cada ciclo eleitoral, o Brasil se defronta com uma escolha que transcende nomes e partidos: trata-se de decidir quais ideias terão autoridade para moldar florestas, rios, territórios indígenas e direitos humanos por gerações. Em outubro de 2026, seis decisões simultâneas — da presidência às assembleias estaduais — desenharão a correlação de forças que governará o país nos próximos anos. A consciência exigida não é sentimental; é o exercício de rastrear históricos, examinar projetos concretos e compreender que o voto individual produz consequências coletivas que alcançam até quem não pode votar.
A poucos passos de mais um pleito, a coluna propõe uma pausa reflexiva: que Brasil queremos construir? A pergunta não é retórica. Entrar na cabine de votação significa decidir quem terá as mãos sobre florestas, rios, territórios indígenas, vidas de mulheres e crianças e os milhões de brasileiros que dependem de políticas públicas para viver com dignidade.
Este ciclo eleitoral é mais complexo do que os anteriores. Não se vota apenas para presidente — governadores, senadores, deputados federais e estaduais serão escolhidos simultaneamente, seis decisões que, somadas, definirão a correlação de forças do país pelos próximos anos. Isso exige consciência concreta: examinar históricos, rastrear posições públicas e entender o que cada candidatura representa quando sai do discurso e entra na prática.
Falar em meio ambiente não é falar em abstração. É falar em água potável, clima estável, saúde pública e economia viável. Falar em povos indígenas não é falar de uma minoria isolada, mas de guardiões de territórios essenciais para a biodiversidade do planeta e de conhecimentos acumulados ao longo de milênios. A coluna questiona diretamente qual é o horizonte de quem enxerga o extermínio indígena como projeto inacabado — e propõe que essa pergunta ecoe em cada seção eleitoral.
Há ainda um ponto que raramente recebe a atenção devida: o Congresso. Senadores e deputados aprovam ou bloqueiam leis, definem o destino do dinheiro público, fiscalizam o Executivo e reescrevem a legislação. A composição do Legislativo pode ser tão decisiva quanto a da presidência — talvez mais, porque as leis que saem daquele plenário podem vigorar por décadas.
O voto é um ato individual, mas suas consequências são coletivas. A floresta não vota. O rio não vota. As crianças que ainda não nasceram não votam. Mesmo assim, todas essas vidas serão tocadas pelas ideias que chegarem ao poder. Algumas ideias protegem a vida; outras a colocam em risco. A eleição que se aproxima não define apenas quem governa — define quais ideias terão força para moldar o país que deixaremos para trás.
A poucos passos de mais um pleito que promete reconfigurar o país, vale fazer uma pausa. Que Brasil queremos construir nos próximos anos? A pergunta não é retórica. Quando entramos numa cabine de votação, não estamos apenas escolhendo nomes para cargos públicos. Estamos decidindo quem terá as mãos sobre as florestas, sobre os rios, sobre os territórios onde vivem povos indígenas, sobre as vidas de mulheres e crianças, sobre as comunidades tradicionais e sobre os milhões de brasileiros que dependem diretamente de políticas públicas para existir com alguma dignidade.
Este ano, a tarefa é maior do que em eleições passadas. Não votaremos apenas para presidente. Simultaneamente, escolheremos governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais — seis decisões que, somadas, vão desenhar a correlação de forças que comandará o país pelos próximos anos. Isso exige consciência. E consciência não é um sentimento vago. Significa examinar históricos, rastrear posições públicas, estudar projetos concretos e, acima de tudo, entender o que cada candidatura realmente representa quando sai do discurso e entra na prática.
Quando se fala em meio ambiente, não se está falando em abstração. Está-se falando em água potável, em comida na mesa, em clima estável, em saúde pública, em cidades habitáveis, em agricultura viável, em economia que funciona, em vida. Do mesmo modo, quando se fala em povos indígenas, não se está falando de um grupo minoritário isolado. Estamos falando de povos que guardam territórios essenciais para a biodiversidade do planeta, para o ciclo das águas, para o equilíbrio climático — e que também preservam modos de vida e conhecimentos acumulados ao longo de milhares de anos. Qual é o horizonte de quem pensa que a cavalaria brasileira foi menos eficiente que a americana porque não conseguiu exterminar os indígenas? Essa é a pergunta que deveria ecoar em cada seção eleitoral.
Mas há outro ponto que raramente recebe a atenção que merece: o que vai acontecer no Congresso? Não é suficiente eleger um presidente e imaginar que ele resolverá tudo sozinho. Senadores e deputados possuem poder imenso. São eles que aprovam ou bloqueiam leis. São eles que definem para onde vai o dinheiro público. São eles que podem desmantelar ou fortalecer políticas ambientais, que podem proteger ou atacar direitos, que fiscalizam o Executivo e reescrevem a legislação. A composição do Congresso é tão decisiva quanto a da presidência — talvez mais, porque as leis que saem daquele plenário podem vigorar por décadas.
Por isso é necessário olhar para o quadro inteiro. Precisamos de representantes que entendam que proteger uma terra indígena não é marcar um ponto no mapa — é defender um sistema vivo de conhecimento e equilíbrio. Precisamos de representantes que não vejam política ambiental como um obstáculo ao desenvolvimento, mas como parte inseparável dele. Precisamos de representantes que saibam que direitos humanos não são privilégios de alguns, mas fundações de uma sociedade que funciona. E precisamos, sobretudo, recuperar a capacidade de pensar para além dos próximos quatro anos — de enxergar as consequências reais de nossas escolhas.
O voto é um ato individual. A responsabilidade por ele também é. Cada pessoa vai entrar na urna e decidir conforme sua consciência. Mas essas decisões individuais produzem consequências que são coletivas, que afetam todos. A floresta não vota. O rio não vota. A onça não vota. As crianças que ainda não nasceram não votam. Mesmo assim, todas essas vidas serão tocadas pelas ideias que chegarem ao poder neste pleito. Algumas ideias, quando ganham poder, conseguem proteger a vida. Outras conseguem colocá-la em risco. A eleição que se aproxima não define apenas quem governa. Define quais ideias terão força para moldar o país que deixaremos para trás.
Citações Notáveis
Votar não é apenas escolher quem ocupará um cargo público. É decidir quem terá poder para definir o destino das nossas florestas, dos nossos rios, dos territórios indígenas, das mulheres, das crianças, das populações tradicionais— Coluna de opinião