Psoríase vai além da pele e pode elevar o risco de doenças cardiovasculares

Pacientes sofrem discriminação, isolamento, ansiedade e depressão, além de risco de danos articulares permanentes quando a artrite não é tratada.
A psoríase não é apenas uma doença da pele
Romiti, do HC-FMUSP, resume por que o acompanhamento deve considerar a saúde geral do paciente.
Mark

Por que essa notícia importa se a psoríase já é conhecida?

Mimi

Porque o foco muda. Não se trata só de manchas na pele: a inflamação persistente se associa a diabetes, obesidade, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Mark

Isso vale para todos os pacientes?

Mimi

O especialista destaca os quadros moderados a graves, onde o risco é maior.

Luke

Vale notar que é a fala de um especialista, não um estudo apresentado no texto. O artigo diz "associada", não que a psoríase cause essas doenças.

Mark

E a artrite psoriásica?

Mimi

Atinge cerca de um terço dos pacientes. Sem tratamento precoce, pode causar danos permanentes nas articulações.

Mark

Há o lado emocional também, não?

Mimi

Sim. Discriminação, por acharem que é contagiosa, favorece isolamento, ansiedade e depressão. Não é contagiosa.

Luke

Um número para ler com cuidado: doenças associadas em cerca de metade dos pacientes vêm de centros universitários, que costumam receber casos mais complexos. Não dá para estender isso a todos os pacientes.

Mark

E o que o paciente pode fazer?

Mimi

Procurar o dermatologista, relatar sintomas articulares e discutir o tratamento, que é individualizado.

Luke

O texto não compara tratamentos nem diz qual funciona melhor; só descreve as opções.

  • Manchas avermelhadas e descamação, antes vistas como um problema estritamente estético, revelam uma inflamação que pode atingir o corpo inteiro.
  • Obesidade, diabetes, hipertensão e alterações de colesterol surgem associadas à doença, sobretudo nas formas moderadas a graves.
  • Uma em cada três pessoas com psoríase pode desenvolver artrite psoriásica, e os danos articulares podem se tornar permanentes se o quadro passar despercebido.
  • O estigma e a crença equivocada de que a doença é contagiosa alimentam isolamento, ansiedade e depressão, enquanto o tratamento individualizado busca controlar a inflamação e prevenir complicações.

Há doenças que se anunciam na pele, mas cujo alcance vai muito além dela. A psoríase, condição inflamatória crônica que atinge cerca de 1,3% dos brasileiros, é um exemplo de como uma inflamação persistente pode ecoar silenciosamente pelo corpo, aproximando-se do coração, do metabolismo e das articulações. Segundo o dermatologista Ricardo Romiti, do HC-FMUSP, reconhecer essa dimensão sistêmica é o que permite cuidar da pessoa inteira, e não apenas das manchas que a denunciam.

Manchas avermelhadas, descamação e coceira são os sinais que quase todos associam à psoríase. Mas, segundo o dermatologista Ricardo Romiti, coordenador do Ambulatório de Psoríase do HC-FMUSP, a pele é apenas a face visível de um processo mais amplo. A inflamação persistente está ligada a maior risco de obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, especialmente em pacientes com formas moderadas a graves.

A doença é crônica, não contagiosa e relacionada a alterações do sistema imunológico. Ela acelera a renovação das células da pele, que se acumulam em placas. Embora possa surgir em qualquer idade, é frequente em adultos jovens e atinge cerca de 1,3% da população brasileira. Para Romiti, a psoríase "não é apenas uma doença da pele", e o cuidado precisa abranger a saúde geral do paciente.

A artrite psoriásica, que afeta cerca de um terço das pessoas com psoríase, exige atenção especial. Quando não é identificada cedo, pode causar danos permanentes nas articulações, por isso dores articulares devem ser relatadas ao médico. Também há o peso emocional: lesões visíveis, descamação e preconceito podem corroer a autoestima, favorecer o isolamento e abrir espaço para ansiedade e depressão. A psoríase não se transmite pelo contato físico, e informação, segundo a reportagem, é um dos caminhos para combater o estigma.

O tratamento não cura a doença, mas pode controlá-la. Casos leves costumam responder a hidratantes e pomadas; os moderados a graves podem exigir fototerapia ou medicamentos sistêmicos. O objetivo, resume Romiti, é controlar a inflamação, melhorar a pele e acompanhar as condições associadas, identificadas em cerca de metade dos pacientes atendidos em centros universitários. Quem convive com a psoríase deve levar ao consultório não só as manchas, mas também as queixas articulares e o histórico metabólico e cardiovascular.

Manchas avermelhadas, descamação e coceira são os sinais que quase todo mundo associa à psoríase. Mas, segundo o dermatologista Ricardo Romiti, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), o que acontece na superfície da pele é apenas parte do quadro. A inflamação persistente está ligada a maior risco de obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, sobretudo em pacientes com formas moderadas a graves.

A psoríase é uma doença crônica e não contagiosa, relacionada a alterações no funcionamento do sistema imunológico. O processo inflamatório acelera a renovação das células da pele, que se acumulam na superfície e formam placas avermelhadas e descamativas. Pode surgir em qualquer idade, embora seja frequente em adultos jovens, e atinge cerca de 1,3% da população brasileira, de acordo com Romiti.

"A psoríase não é apenas uma doença da pele", afirma o especialista. Para ele, a inflamação pode repercutir em outros órgãos e sistemas. Além de obesidade e diabetes, a doença está associada a alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos, e hipertensão e problemas cardiovasculares também exigem atenção no acompanhamento. Por isso, o cuidado não deve se restringir às lesões cutâneas: precisa olhar a saúde geral do paciente.

Outra condição relacionada é a artrite psoriásica, que atinge cerca de um terço das pessoas com psoríase. Ela provoca inflamação nas articulações e, se não for identificada e tratada cedo, pode causar danos permanentes. Por essa razão, dores ou outros sintomas articulares devem ser relatados ao médico. Dependendo de cada caso, o acompanhamento pode incluir reumatologistas e endocrinologistas.

Há ainda o peso sobre a saúde mental. As lesões visíveis, a descamação e o preconceito podem abalar a autoestima e as relações sociais, favorecendo isolamento, ansiedade e depressão. Romiti diz ouvir com frequência relatos de discriminação por parte de quem acredita, erroneamente, que a doença é contagiosa. Há também incômodos do dia a dia, como a descamação que fica evidente nas roupas e interfere nas atividades. A psoríase não é transmitida pelo contato físico, e ampliar a informação, segundo a reportagem, ajuda a combater o estigma e a levar pessoas a buscar acompanhamento sem receio.

O diagnóstico é principalmente clínico: o dermatologista avalia as lesões e o histórico do paciente. Em situações específicas, quando há dúvida ou necessidade de diferenciar a psoríase de outras doenças de pele, pode-se indicar biópsia. A identificação correta orienta a abordagem e permite investigar condições associadas.

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento individualizado, definido pela extensão e gravidade das lesões, pelas características do paciente e por outros fatores clínicos. Nos casos leves, indicam-se hidratantes e medicamentos tópicos, como pomadas. Nos moderados a graves, o tratamento pode incluir fototerapia ou medicamentos sistêmicos, orais ou injetáveis, que agem em diferentes mecanismos da inflamação. Entre os orais estão os inibidores da enzima PDE4, que regulam a resposta inflamatória; a indicação depende de avaliação médica, considerando benefícios, segurança e necessidades de cada pessoa.

O objetivo, diz Romiti, é controlar a inflamação, melhorar a pele e prevenir e acompanhar as doenças associadas, identificadas em cerca de metade dos pacientes atendidos em centros universitários. Quem convive com a psoríase, portanto, deve levar ao consultório não só as manchas, mas também queixas nas articulações e o histórico metabólico e cardiovascular.

A psoríase não é apenas uma doença da pele. A inflamação persistente pode repercutir em outros órgãos e sistemas.
— Ricardo Romiti, coordenador do Ambulatório de Psoríase do HC-FMUSP
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