PSD mantém neutralidade no 2º turno; Caiado diz que 'caiu de pé'

não venceu, mas caiu de pé
Caiado descreve sua derrota presidencial com resignação, evitando comprometer-se com o segundo turno.
Mark

Por que o PSD decidiu manter neutralidade se tinha um candidato na disputa?

Mimi

Porque o partido nunca foi realmente unido em torno de Caiado. As lideranças do Norte e Nordeste já tinham afinidade com Lula, enquanto o Centro-Oeste e Sudeste pendiam para Bolsonaro. A neutralidade reconhecia essa realidade.

Luke

Mas isso é uma decisão ou uma admissão de derrota? Kassab diz que foi "natural", mas parece mais que o partido não tinha força para impor uma linha.

Mimi

Talvez seja os dois. O PSD elegeu cinco governadores e garantiu 44 deputados. Não é um fracasso total. Mas presidencialmente, Caiado com 2,18% mostrou que a sigla não conseguiu se consolidar como alternativa.

Mark

E Caiado, como reagiu?

Mimi

Disse que "caiu de pé". Evitou falar sobre segundo turno. O que o animou foi a vitória de Daniel Vilela em Goiás e a eleição de sua esposa ao Senado.

Luke

Mas "caiu de pé" é uma expressão que mascara uma queda real. Com 2,18%, o candidato presidencial do PSD foi praticamente irrelevante.

Mimi

Verdade. Mas no contexto regional, Caiado saiu fortalecido. Seu grupo político domina Goiás agora. Talvez seja por isso que ele conseguiu falar de derrota sem parecer derrotado.

Mark

Então a neutralidade permite que cada região do PSD siga seu caminho?

Mimi

Exatamente. Cada diretório estadual, cada parlamentar, cada filiado tem liberdade para escolher. Não há linha nacional.

Luke

E isso não enfraquece o partido no segundo turno? Se o PSD se fragmenta, perde influência.

Mimi

Pode ser. Mas talvez o PSD já tivesse perdido essa influência quando Caiado não decolou. A neutralidade é uma forma de aceitar a realidade sem forçar uma unidade que não existe.

  • O PSD estreou com candidato próprio à Presidência e saiu do primeiro turno em quarto lugar, com apenas 2,18% dos votos — uma derrota que expôs os limites da terceira via que o partido tentou encarnar.
  • A divisão interna entre alas pró-Lula no Norte/Nordeste e pró-Bolsonaro no Centro-Oeste, Sul e Sudeste tornou qualquer orientação nacional não apenas difícil, mas politicamente impossível.
  • Kassab anunciou neutralidade como diretriz, mas o que se abriu foi um vácuo: sem linha partidária, cada liderança regional seguirá sua própria gravidade eleitoral nos próximos dias.
  • Caiado descreveu a derrota com resignação calculada — 'não venceu, mas caiu de pé' — e encontrou consolo nos resultados de Goiás: governador reeleito no primeiro turno, esposa eleita senadora, grupo regional fortalecido.
  • O PSD consolida 44 deputados federais, cinco governadores eleitos e dois nomes em segundo turno estadual, construindo uma narrativa de sucesso legislativo que amortece, sem apagar, o fracasso presidencial.

Na noite de um primeiro turno que redesenhou alianças, o PSD reconheceu em voz alta o que já era visível por dentro: sem consenso sobre o futuro, a neutralidade é a única honestidade possível. Ronaldo Caiado, primeiro candidato presidencial da sigla, encerrou sua corrida em quarto lugar com 2,18% dos votos, e Gilberto Kassab formalizou a divisão do partido entre inclinações lulistas e bolsonaristas, entregando a cada diretório estadual, parlamentar e filiado a liberdade — e o peso — de escolher seu próprio caminho. É o retrato de um partido que cresce nas margens do poder sem conseguir, ainda, habitar o seu centro.

Na noite de domingo, Gilberto Kassab anunciou que o PSD manteria neutralidade no segundo turno presidencial. A decisão era menos uma estratégia do que um reconhecimento: o partido estava dividido, e fingir unidade seria mais custoso do que admitir a fragmentação. Ronaldo Caiado, o primeiro candidato presidencial da história do PSD, havia terminado em quarto lugar com 2,18% dos votos.

Kassab justificou a neutralidade invocando a diversidade de cenários que o partido havia navegado nos estados durante a campanha. Cada diretório estadual tivera liberdade para construir suas próprias alianças — e agora essa mesma lógica se aplicaria ao segundo turno. Lideranças do Norte e Nordeste inclinavam-se para Lula; as do Centro-Oeste, Sul e Sudeste apontavam para Flávio Bolsonaro. Sem linha nacional, cada parlamentar e filiado escolheria seu caminho.

Em Goiânia, Caiado descreveu a derrota com uma frase de resignação contida: 'não venceu, mas caiu de pé'. Atribuiu o resultado ao caráter 'totalmente atípico' da eleição e à ausência de debates de ideias. Mas encontrou onde celebrar: Daniel Vilela, seu sucessor no governo de Goiás, venceu no primeiro turno com 58,8% dos votos, resultado descrito como inédito na história política goiana. Sua esposa, Gracinha Caiado, foi eleita ao Senado. O projeto presidencial havia naufragado, mas o grupo regional saía fortalecido.

Kassab, por sua vez, equilibrava o lamento pelo que o Brasil 'havia perdido' ao rejeitar Caiado com a satisfação pelos ganhos legislativos: 44 deputados federais, dois novos senadores, cinco governadores eleitos e dois candidatos em segundo turno estadual — Omar Aziz no Amazonas e Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Em São Paulo, parabenizou Tarcísio de Freitas pela reeleição e destacou a eleição de André do Prado e Guilherme Derrite ao Senado.

A neutralidade abria caminho para apoios fragmentados. O partido que havia tentado se afirmar como terceira via presidencial retornava à sua condição histórica: forte nos redutos regionais, incapaz de unificar-se em torno de um projeto nacional.

Na noite de domingo, o PSD anunciou uma decisão que refletia sua realidade interna: o partido manteria neutralidade no segundo turno da eleição presidencial. Gilberto Kassab, presidente da sigla, fez o comunicado enquanto os números ainda se consolidavam. Seu candidato, Ronaldo Caiado, havia terminado em quarto lugar com 2,18% dos votos, com 99,95% das urnas apuradas.

Era a primeira vez que o PSD lançava um nome próprio à Presidência. Caiado, ex-governador de Goiás, não conseguiu empolgar. O partido, que havia construído alianças regionais distintas em cada estado durante a campanha, agora formalizava aquilo que já era evidente: não havia consenso interno sobre para onde ir no segundo turno. Lideranças do Norte e Nordeste inclinavam-se para Lula. As alas do Centro-Oeste, Sul e Sudeste apontavam para Flávio Bolsonaro. A neutralidade nacional era, portanto, menos uma escolha estratégica e mais um reconhecimento dessa divisão.

Kassab justificou a decisão invocando exatamente essa diversidade. "Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno", explicou. A consequência era clara: cada diretório estadual, cada parlamentar, cada filiado teria liberdade para escolher seu próprio caminho. Não haveria linha partidária.

Caiado, em Goiânia, descreveu sua derrota com uma frase que capturava certa resignação: "não venceu, mas caiu de pé". Evitou antecipar qualquer posicionamento sobre o segundo turno. Atribuiu o resultado à natureza "totalmente atípica" da eleição presidencial e à ausência de debates de ideias entre os candidatos. Questionado sobre os próximos passos de sua carreira, descartou a possibilidade de assumir cargos executivos imediatos.

O que Caiado celebrou foi o que acontecia em seu estado. Daniel Vilela, seu sucessor no governo de Goiás e vice na chapa presidencial, havia vencido no primeiro turno com 58,8% dos votos válidos — um resultado que Caiado destacou como inédito na história política goiana. Sua esposa, Gracinha Caiado, havia sido eleita ao Senado Federal. O grupo político saía fortalecido regionalmente, mesmo que o projeto presidencial tivesse naufragado.

Kassab, por sua vez, enquanto afirmava que "o Brasil perdeu uma oportunidade" ao rejeitar Caiado, celebrava os ganhos legislativos do partido. O PSD garantiria 44 deputados federais e dois novos senadores, números ainda em consolidação. Na disputa por governos estaduais, a sigla havia elegido cinco governadores e tinha dois nomes na disputa de segundo turno: Omar Aziz no Amazonas e Eduardo Paes no Rio de Janeiro.

Em São Paulo, Kassab parabenizou Tarcísio de Freitas, do Republicanos, reeleito com mais de 62,6% dos votos válidos. Destacou também a eleição de dois candidatos ao Senado pela chapa paulista: André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa, e Guilherme Derrite, deputado federal. O resultado legislativo e estadual, portanto, oferecia ao PSD uma narrativa de sucesso que compensava, ao menos parcialmente, o fracasso presidencial.

A neutralidade anunciada por Kassab abria caminho para apoios fragmentados nos próximos dias. Sem orientação nacional, as lideranças regionais seguiriam suas inclinações naturais. O partido que havia tentado se afirmar como uma terceira via presidencial retornava à sua condição histórica: um ator regional, dividido, capaz de vencer em seus redutos mas incapaz de unificar-se em torno de um projeto nacional.

Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno
— Gilberto Kassab, presidente do PSD
Não venceu, mas caiu de pé
— Ronaldo Caiado, candidato presidencial do PSD
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Folha de S.Paulo ↗
Kontakt FAQ