Promessas de Lula e Flávio na reta final ampliam risco fiscal para o próximo governo

Quem vencer herdará uma conta já aberta
O presidente eleito terá de fechar o Orçamento de 2027 com as promessas feitas por ambos os candidatos.
Mark

Por que esses números importam tanto agora, antes mesmo da apuração?

Mimi

Porque quem vencer terá de fechar o Orçamento de 2027 com as promessas já feitas. As estimativas vão de R$ 53,6 bilhões, do Planejamento, a R$ 83 bilhões, da XP.

Luke

Vale separar: esses números são de fontes distintas, com métodos diferentes. Nenhum é um custo confirmado.

Mark

E o pacote de Lula, de R$ 290 bilhões?

Mimi

É o valor total das medidas, mas o impacto em 2027 é só uma parte. Salto calcula R$ 43,6 bilhões no ano e R$ 195,6 bilhões até 2030.

Mark

E as promessas de Flávio?

Mimi

Não têm detalhamento. A campanha proibiu os assessores econômicos de falar, então analistas olham o que ele diz que não fará.

Luke

Ou seja, não há conta de Flávio para comparar. Qualquer cifra para as promessas dele seria especulação. Só o Perse tem estimativa: até R$ 25 bilhões por ano.

Mark

O que mais pesa depois da eleição?

Mimi

Os subsídios aos combustíveis, difíceis de retirar de uma vez, e uma possível compensação aos empresários pelo fim da escala 6x1.

Luke

Isso é expectativa de analistas, não decisão tomada.

  • Lula acionou um pacote eleitoral de cerca de R$ 290 bilhões em medidas, e cada anúncio de última hora soma uma nova pressão sobre as contas de 2027.
  • As estimativas do impacto no Orçamento divergem fortemente, indo de R$ 53,6 bilhões no Planejamento até R$ 83 bilhões na XP, o que mantém o mercado em alerta.
  • Flávio Bolsonaro promete reduzir impostos, congelar dívidas e recriar o Perse, que sozinho pode custar até R$ 25 bilhões por ano, sem detalhar de onde virá o dinheiro.
  • O próximo governo terá de fechar o Orçamento de 2027 sob o peso de subsídios aos combustíveis e de uma possível compensação pelo fim da escala 6x1, com espaço fiscal cada vez mais apertado.

Às vésperas da decisão das urnas, o Brasil vive um momento em que a disputa pelo voto parece caminhar mais depressa do que as contas que ela deixa para trás. Lula e Flávio Bolsonaro, em seus últimos gestos de campanha, prometem alívios que atraem o eleitor, mas que ainda não encontram lastro nos números. Quem assumir em 2027 herdará menos um cargo do que um orçamento já comprometido, obrigado a negociar entre o que foi prometido e o que o país pode pagar.

No domingo (25), o Brasil escolhe o presidente que governará a partir de 2027, e quem vencer já encontrará uma conta aberta. Nos dias finais do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) transformaram a campanha em uma sucessão de anúncios, disputando quem oferece mais ao eleitor.

Lula lançou um pacote de bondades de R$ 290 bilhões, que inclui o Desenrola 3, perdão de dívidas, reajuste do Bolsa Família, subvenção aos combustíveis, tarifa zero de ônibus aos fins de semana e canetas emagrecedoras no SUS. Há ainda a promessa recente de perdoar dívidas de bares e restaurantes, sem custo informado. O impacto no Orçamento de 2027 varia de R$ 53,6 bilhões, segundo o Planejamento, a R$ 83 bilhões, na estimativa da XP, que alerta que parte dessas medidas reduz o espaço para gastos discricionários.

Flávio, por sua vez, rejeitou medidas de ajuste e prometeu congelar dívidas bancárias, recriar o Perse, reduzir impostos e acabar com o split payment, o que pode diminuir a arrecadação. Como não há detalhamento, analistas observam o que ele diz que não fará para estimar o ajuste possível. Após repercussão negativa sobre a transição do Bolsa Família, ele garantiu manter o reajuste atual.

Para economistas como Silvia Matos, do IBRE-FGV, o populismo fiscal é suprapartidário, e o ajuste se torna mais difícil com juros altos. Já Felipe Salto avalia que o congelamento de dívidas seria a maior bomba, caso se concretize. Depois da eleição, o desafio imediato será voltar às planilhas e fechar o Orçamento de 2027, em meio a pressões previsíveis, como a retirada gradual dos subsídios aos combustíveis e a possível compensação pelo fim da escala 6x1.

No domingo (25), o Brasil escolhe o presidente que governará a partir de 2027, e quem vencer herdará uma conta já aberta. Nos últimos dias do segundo turno, a campanha virou uma sequência acelerada de anúncios e promessas dos dois candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), em busca do voto até o último momento.

Lula acionou um pacote de bondades eleitorais de R$ 290 bilhões. Entre as medidas estão o Desenrola 3, a renegociação e o perdão de dívidas, o Pix para o MEI, o Pé-de-Meia Universitário e o do ensino médio, a proibição das bets, o reajuste do Bolsa Família, a subvenção ao preço dos combustíveis, a desoneração de PIS e Cofins sobre combustíveis, canetas emagrecedoras no SUS e tarifa zero de ônibus aos fins de semana. Mais recentemente, ele prometeu um projeto de lei para perdoar dívidas de bares e restaurantes, sem apresentar o custo.

O impacto dessas medidas no Orçamento de 2027 varia conforme a fonte: R$ 53,6 bilhões nas estimativas do Ministério do Planejamento e R$ 82 bilhões nas projeções do mercado. O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, calcula até R$ 43,6 bilhões em 2027 e R$ 195,6 bilhões entre o próximo ano e 2030. Em relatório desta semana, a XP aponta necessidade de até R$ 83 bilhões no Orçamento de 2027 e avisa que, dado o limite de despesas atual, algumas medidas reduzem o espaço para gastos discricionários. Segundo a XP, as medidas que reduzem receitas e o possível pagamento das subvenções aos combustíveis afetariam o resultado primário e poderiam exigir ajustes de cerca de R$ 30 bilhões, por novas receitas ou cortes.

Flávio, por sua vez, rejeitou medidas de ajuste, como a contenção de gastos, e passou a disputar com Lula quem oferece mais. Entre as promessas estão o congelamento de dívidas bancárias por até seis meses para pessoas físicas e até um ano para micro e pequenas empresas, a recriação do Perse, um Pix que devolve parte dos gastos ao consumidor, pedágio zero para motociclistas, atualização da tabela do SUS e renegociação das dívidas das Santas Casas. As três últimas foram anunciadas no debate da TV Globo, na sexta-feira (23).

Seu custo é mais difícil de medir, porque não há detalhamento. Por decisão da campanha, os assessores econômicos foram proibidos de falar sobre medidas, para evitar ruídos. Analistas passaram então a observar o que ele diz que não fará, para estimar o ajuste que poderia tentar sem quebrar compromissos. Ele prometeu preservar todos os programas sociais, garantir aumento real do salário mínimo, manter os pisos constitucionais de saúde e educação, não desvincular benefícios da Previdência do mínimo, reduzir impostos e manter e melhorar o Pé-de-Meia. Após a fala da assessora econômica Daniella Marques sobre dois anos de transição para beneficiários do Bolsa Família gerar repercussão negativa, ele prometeu manter o reajuste dado por Lula e melhorá-lo se necessário.

Flávio também quer rever a reforma tributária e acabar com o split payment, mecanismo de recolhimento automático de tributos. Como a tendência era que ele reduzisse a sonegação, interrompê-lo pode custar arrecadação e prejudicar o ajuste. O Perse, extinto em 2025, pode custar até R$ 25 bilhões por ano. A economista Silvia Matos, do IBRE-FGV, criticou a ideia e disse que o retorno mostraria um governo refém dos empresários. Para ela, o populismo fiscal é ecumênico nas eleições, e o ajuste fica mais difícil com juros altos no Brasil e no mundo. Salto afirmou que o congelamento de dívidas seria a maior bomba, mas exigiria detalhes.

Há ainda pressões previsíveis. O desmame da subvenção aos combustíveis adotada por Lula neste ano não deve ser rápido, como ocorreu em 2023, quando ele herdou a redução de impostos de Jair Bolsonaro. Também se espera cobrança de compensação aos empresários caso seja aprovado o fim da escala 6x1. Para Salto, o primeiro desafio depois do segundo turno é voltar às planilhas e acertar o Orçamento de 2027.

O populismo fiscal é ecumênico nas eleições. Dar dinheiro para todo mundo é mais popular.
— Silvia Matos, coordenadora do Observatório de Produtividade do IBRE-FGV
Será preciso, após o segundo turno, colocar a bola no chão e voltar às planilhas.
— Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos
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