Produção cai em setembro, mas vendas avançam 2,3% e Anfavea eleva projeções para 2026

Montagem de peças chinesas representa 70% do crescimento produtivo
Das 173 mil unidades adicionais produzidas em 2026, 123 mil provêm de montagem SKD e CKD importadas da China.
Mark

Como é possível a produção cair mês a mês mas o ano estar tão forte?

Mimi

Setembro foi apenas um recuo pequeno, 1,1%, depois de meses muito bons. Quando você olha para o ano inteiro, a indústria está 8,7% acima de 2025. É o terceiro trimestre que está puxando tudo para cima.

Luke

Mas qual é o tamanho real desse crescimento? Estamos falando de 2,17 milhões de veículos em nove meses. Isso é bom, mas quanto disso é montagem de peças chinesas que não gera emprego de verdade?

Mimi

Ótima pergunta. Calvet foi bem claro: das 173 mil unidades novas produzidas este ano, 123 mil são SKD ou CKD — montagem de kits importados. Isso é mais de 70% do crescimento.

Mark

E as vendas? Elas parecem estar realmente acelerando.

Mimi

Sim. Crescimento de 18,1% no ano, 2,26 milhões de unidades. Os eletrificados triplicaram, o programa Carro Sustentável funcionou. O mercado doméstico está de fato aquecido.

Luke

Mas há quanto tempo não atingíamos esse nível de vendas? Desde 2014, segundo a reportagem. Isso é mais de uma década. Então estamos voltando a um patamar antigo, não criando algo novo.

Mimi

Verdade. Mas o fato é que as pessoas estão comprando carros novamente. Depois de anos difíceis, isso importa.

Mark

E as exportações? Parecem estar caindo bastante.

Mimi

Queda de 24,2% em setembro, 23% acumulada no ano. O mercado argentino encolheu e os chineses estão invadindo a América do Sul com preços mais baixos.

Luke

Espera — os chineses estão invadindo a América do Sul, mas também estão invadindo o Brasil. Importações subiram 30,4%. Então o Brasil está perdendo mercado externo e ganhando concorrência interna ao mesmo tempo?

Mimi

Exatamente. E os chineses já têm 11,3% do mercado nacional. É um movimento duplo que preocupa a indústria.

Mark

Calvet mencionou ajuste fiscal. Por quê?

Mimi

Porque sem estabilidade fiscal, esse crescimento pode não ser sustentável. Ele quer que o próximo governo, seja qual for, priorize isso.

  • As vendas de veículos acumulam alta de 18,1% em 2026, com eletrificados respondendo por mais de 20% dos emplacamentos de zero quilômetro — um salto que redefine o perfil do consumidor brasileiro.
  • A produção caiu 1,1% em setembro ante agosto, e 123 mil das 173 mil unidades adicionais fabricadas no ano vêm de montagens SKD e CKD importadas da China, gerando pouco emprego e quase nenhuma demanda por autopeças nacionais.
  • As exportações despencaram 24,2% em setembro e acumulam queda de 23% no ano, enquanto as importações cresceram 34,9% no mês — veículos chineses já dominam 55% das importações e ocupam 11,3% do mercado interno.
  • A Anfavea revisou sua projeção para 3,1 milhões de unidades vendidas em 2026, crescimento de 15,2%, nível não visto desde 2014, sustentado pelo programa Carro Sustentável e pela explosão dos elétricos puros, que triplicaram suas vendas.
  • O presidente da entidade alertou que o desequilíbrio entre importações e exportações pressiona o setor, e defendeu que qualquer governo eleito precisará de uma agenda de ajuste fiscal — sem tomar partido na disputa eleitoral.

O mercado automotivo brasileiro revela, em setembro de 2026, uma tensão entre forças opostas: enquanto as vendas internas avançam com vigor inédito desde 2014, impulsionadas pela eletrificação e por programas de incentivo, a produção recua levemente e as exportações enfraquecem sob o peso da concorrência chinesa e do encolhimento do mercado argentino. A Anfavea revisou suas projeções para cima, mas o otimismo doméstico convive com alertas sobre a qualidade do crescimento — parte dele construído sobre montagens de baixo valor agregado e mão de obra reduzida. É um retrato de um setor em transformação, onde os números positivos escondem perguntas difíceis sobre o futuro industrial do país.

A indústria automotiva brasileira fechou setembro com um quadro contraditório: a produção recuou 1,1% em relação a agosto, totalizando 268,3 mil veículos, mas as vendas subiram 2,3% no mês e 15,7% na comparação anual, chegando a 281,4 mil unidades. No acumulado de janeiro a setembro, os licenciamentos somam 2,26 milhões de veículos, com crescimento de 18,1% — desempenho que levou a Anfavea a revisar suas projeções para o ano inteiro.

A associação agora espera 3,1 milhões de unidades emplacadas em 2026, crescimento de 15,2% ante 2025 e o melhor resultado desde 2014. A produção nacional também deve superar 2,8 milhões de unidades, o melhor índice desde 2019. Dois vetores explicam o aquecimento do mercado: o programa Carro Sustentável, que adicionou 84 mil unidades no segmento de entrada, e os veículos eletrificados, responsáveis por 242 mil vendas adicionais — com os elétricos puros triplicando seu volume. Hoje, os eletrificados representam 20,1% de todos os emplacamentos de veículos leves zero quilômetro.

O cenário externo, porém, acende alertas. As exportações caíram 24,2% em setembro e acumulam recuo de 23% no ano, reflexo da retração do mercado argentino e da expansão chinesa na América do Sul. As importações, por sua vez, cresceram 34,9% no mês e 30,4% no acumulado, com veículos de origem chinesa representando 55% do total importado e já ocupando 11,3% do mercado nacional.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, celebrou o aquecimento doméstico, mas advertiu que parte do crescimento da produção ocorre via montagem de kits importados da China — os chamados SKD e CKD —, que empregam pouca mão de obra e não movimentam o parque de autopeças brasileiro. Das 173 mil unidades adicionais produzidas neste ano, 123 mil têm essa origem. Sobre o cenário político, Calvet afirmou que qualquer governo eleito precisará de uma agenda de ajuste fiscal, sem se posicionar sobre os candidatos à presidência.

A indústria automotiva brasileira apresentou um quadro misto em setembro: a produção recuou ligeiramente na comparação mensal, mas as vendas seguiram em trajetória ascendente, e as projeções da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores para o ano inteiro foram revisadas significativamente para cima. Os números divulgados na quarta-feira revelam um mercado doméstico aquecido que contrasta com a fraqueza nas exportações.

Em setembro, a produção caiu 1,1% em relação a agosto, totalizando 268,3 mil veículos. Mas quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, o resultado foi positivo: crescimento de 10,2%. O acumulado de janeiro a setembro chegou a 2,17 milhões de unidades, com alta de 8,7% no período. As vendas, medidas pelo número de licenciamentos, subiram 2,3% em relação ao mês anterior e 15,7% na comparação anual, alcançando 281,4 mil unidades em setembro. No acumulado do ano, as vendas já somam 2,26 milhões de veículos, representando crescimento de 18,1%.

A Anfavea revisou suas projeções para 2026 de forma expressiva. A expectativa agora é que o mercado nacional atinja 3,1 milhões de unidades emplacadas no ano, o que representaria crescimento de 15,2% em relação a 2025. Esse patamar não era alcançado desde 2014. A produção nacional também deve crescer, chegando a mais de 2,8 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019, com taxa de crescimento revisada para 6,7%. O desempenho do terceiro trimestre foi determinante para essas revisões otimistas.

O avanço é liderado pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, que devem crescer 16,4% no ano. As vendas de automóveis já subiram 22,5% no acumulado de 2026. Dois fatores impulsionam esse crescimento: o programa Carro Sustentável adicionou 84 mil unidades no segmento de entrada, enquanto os veículos eletrificados geraram outras 242 mil unidades vendidas, com os elétricos puros triplicando suas vendas. Atualmente, os eletrificados representam 20,1% de todos os registros de veículos leves zero quilômetro. Em contraste, o segmento de veículos pesados deve encerrar o ano com retração de 6,5%.

O cenário externo, porém, é preocupante. As exportações caíram 24,2% em setembro na comparação anual, para 39,8 mil unidades, enquanto as importações subiram 34,9%, chegando a 57.196 veículos. No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou 334 mil unidades, queda acumulada de 23%. A projeção para o ano inteiro é de queda de 17,7% nas exportações, reflexo da retração do mercado argentino e da maior presença de veículos chineses na América do Sul. As importações cresceram 30,4% no ano, totalizando 463,9 mil autoveículos. Veículos de origem chinesa representam 55% desse total e já ocupam 11,3% de participação no mercado nacional.

Igor Calvet, presidente da Anfavea, destacou que o aquecimento do mercado doméstico impulsiona a produção e a geração de empregos. Mas alertou para os reflexos negativos da alta de importações e do recuo de exportações. Calvet explicou que parte do crescimento da produção ocorre por meio da montagem de veículos totalmente desmontados, importados da China, conhecidos como SKD, que empregam pouca mão de obra e não utilizam o parque de autopeças nacional. Das 173 mil unidades adicionais produzidas no país neste ano em relação a 2025, 123 mil são provenientes de montagem SKD e CKD.

Em relação ao cenário político, Calvet afirmou que qualquer governo que assumir deve ter uma agenda de ajuste fiscal, independentemente do resultado das eleições. Segundo o executivo, essa agenda é necessária para o país, e não importa se com mais ou menos ímpeto e velocidade. A Anfavea, disse, sempre trabalhou com os governos, independentemente de sua orientação política, e não se posiciona na corrida eleitoral entre candidatos a presidente.

A Anfavea sempre trabalhou com os governos, não importa se são de direita ou se são de esquerda
— Igor Calvet, presidente da Anfavea
Qualquer governo que assumir deve ter uma agenda de ajuste fiscal, independentemente do resultado das eleições
— Igor Calvet, presidente da Anfavea
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