Polícia descobre dispositivo que adultera taxímetro em táxis do Galeão

Passageiros, principalmente turistas, foram cobrados abusivamente, com casos de corridas chegando a quase R$ 900 entre o Galeão e a Barra da Tijuca.
O motorista acionava o equipamento de forma discreta depois que o passageiro entrava
Assim funcionava o esquema de fraude: o dispositivo oculto permitia cobranças abusivas sem que a vítima percebesse.
Mark

Como exatamente esse dispositivo conseguia enganar o taxímetro? Parece muito sofisticado para algo escondido atrás de um botão.

Mimi

Na verdade, a engenhosidade está na simplicidade. O dispositivo se conectava ao sistema do taxímetro e tinha um acionador que o motorista podia acionar discretamente. Quando acionado, fazia o taxímetro começar a registrar ou interferia no valor cobrado.

Luke

Mas a polícia não deixa claro se o dispositivo fazia o taxímetro "correr" mais rápido ou se simplesmente iniciava a cobrança sem o passageiro saber. São duas fraudes diferentes.

Mark

E como os passageiros caíam nessa? Eles não viam o taxímetro funcionando?

Mimi

Muitos eram turistas chegando ao aeroporto, desorientados. Havia homens — os "jóqueis" — que os abordavam na saída e os direcionavam para esses táxis específicos. Quando entravam no carro, o motorista já acionava o dispositivo discretamente.

Luke

Mas a reportagem não diz quantos passageiros foram afetados ou quantas corridas fraudulentas foram identificadas. Temos um caso de R$ 900, mas não sabemos a escala real.

Mark

Qual era o papel da oficina em Piedade?

Mimi

Era lá que os equipamentos eram instalados nos carros alugados. Os táxis saíam de um pátio no Rocha, iam para a oficina, recebiam o dispositivo e depois começavam a operar no aeroporto.

Luke

E a reportagem diz que a polícia apreendeu "outros equipamentos eletrônicos" que estão sendo investigados. Isso sugere que pode haver mais métodos de fraude além deste dispositivo específico.

Mark

Os motoristas eram profissionais ou pessoas recrutadas para isso?

Mimi

Não eram taxistas oficiais. Alugavam os carros de uma empresa e operavam fora das cooperativas legítimas do aeroporto. Um foi abordado tentando se desfazer do equipamento.

Luke

Mas não sabemos se todos os motoristas que alugavam dessa empresa estavam envolvidos ou se era um grupo específico. A reportagem não deixa isso claro.

  • Um dispositivo escondido atrás do botão do porta-malas acionava o taxímetro sem que o passageiro percebesse, inflando corridas em centenas de reais.
  • Intermediários conhecidos como 'jóqueis' circulavam pelo desembarque do Galeão direcionando turistas desavisados para os táxis equipados com a fraude.
  • Os veículos fraudulentos não pertenciam às cooperativas oficiais do aeroporto — eram alugados de uma única empresa e preparados em uma oficina na Zona Norte.
  • Um dos motoristas investigados tentou se desfazer do equipamento no momento em que foi abordado pela polícia, evidenciando a consciência do crime.
  • A investigação, iniciada em janeiro após denúncia, segue identificando envolvidos e rastreando a cadeia completa — dos instaladores aos organizadores do esquema.

No Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, a confiança depositada por viajantes em um serviço cotidiano foi transformada em instrumento de exploração. A Polícia Civil descobriu um pequeno dispositivo eletrônico capaz de manipular taxímetros, permitindo que passageiros — sobretudo turistas — fossem cobrados por corridas que chegaram a quase R$ 900. O caso revela como a vulnerabilidade do estrangeiro em terra desconhecida pode ser convertida em mercadoria, e como a sofisticação da fraude muitas vezes reside não na tecnologia, mas na invisibilidade da injustiça.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou um esquema de fraude em táxis que operavam no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. No centro da operação havia um pequeno dispositivo eletrônico instalado nos veículos, capaz de interferir no taxímetro e elevar artificialmente o valor das corridas. Turistas foram as principais vítimas — alguns pagaram quase R$ 900 em trajetos entre o aeroporto e a Barra da Tijuca.

O mecanismo era discreto por design. O equipamento ficava oculto atrás do botão de abertura do porta-malas, conectado a um acionador escondido sob o carpete ou no forro do carro. Com o passageiro já sentado, o motorista ativava o dispositivo sem qualquer gesto visível, e o taxímetro passava a registrar imediatamente. Um vídeo produzido durante a investigação demonstra o funcionamento com clareza: o aparelho, parado, começa a marcar assim que o acionador é pressionado.

O esquema tinha camadas. Homens chamados de 'jóqueis' posicionavam-se na área de desembarque e conduziam passageiros até os táxis preparados. Os veículos eram alugados de uma empresa chamada Grupo Império Táxis, retirados de um pátio no Rocha e levados a uma oficina em Piedade, ambos na Zona Norte, onde os dispositivos eram instalados. Os motoristas envolvidos não tinham vínculo com as cooperativas oficiais do aeroporto.

Durante as investigações, um dos motoristas foi abordado enquanto circulava pela cidade e tentou se desfazer do equipamento no momento da abordagem. O delegado Victor Tutmann confirmou o episódio, descrevendo o dispositivo como algo que 'impulsionava o taxímetro para que houvesse um sobrepreço'. O Grupo Império Táxis declarou compromisso com a legalidade e se colocou à disposição das autoridades. A AeroCoop, cooperativa oficial do Galeão, negou qualquer vínculo com os grupos investigados. A apuração segue em andamento.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro descobriu um esquema sofisticado de fraude que funcionava dentro de táxis operando no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. No coração da operação estava um pequeno dispositivo eletrônico capaz de alterar o funcionamento do taxímetro, permitindo que motoristas cobrassem valores muito acima do que deveria ser pago. A investigação, que começou em janeiro após uma denúncia, revelou como passageiros — especialmente turistas — foram sistematicamente enganados em corridas que chegaram a custar quase R$ 900 entre o aeroporto e a Barra da Tijuca.

O mecanismo era engenhosamente simples. O equipamento ficava escondido atrás do botão de abertura do porta-malas, conectado por fios a um acionador oculto sob o carpete ou no forro do veículo. Quando um passageiro entrava no táxi, o motorista podia ativar discretamente o dispositivo, fazendo o taxímetro começar a registrar a corrida ou interferindo diretamente no valor cobrado. Um vídeo gravado durante a investigação mostra um policial demonstrando o funcionamento: com o taxímetro parado, ele aciona o dispositivo e, imediatamente, o aparelho começa a registrar. A genialidade da fraude estava justamente nisso — o passageiro nunca via o acionador sendo ativado.

O esquema envolvia mais do que apenas motoristas desonestos. A polícia identificou a participação de homens chamados "jóqueis" que ficavam na área de desembarque do Galeão abordando passageiros, principalmente turistas, e os direcionavam para os táxis equipados com o dispositivo fraudulento. Um vídeo obtido pelos investigadores mostra um homem de camisa azul falando ao celular na saída do aeroporto, apontado pela polícia como um desses intermediários responsáveis por encaminhar vítimas aos veículos.

A operação tinha uma estrutura clara. Os motoristas investigados não faziam parte das cooperativas oficiais que atendem ao aeroporto. Em vez disso, alugavam veículos de uma única empresa — o grupo Império Táxis — que retirava os carros de um pátio no Rocha, na Zona Norte. Os táxis eram então levados até uma oficina em Piedade, também na Zona Norte, onde os equipamentos fraudulentos eram instalados. Segundo o delegado Victor Tutmann, um dos motoristas foi identificado e abordado enquanto circulava pela cidade. Na ocasião, o taxista tentou se desfazer do equipamento instalado no veículo. "Ele tentou se livrar desse equipamento que estava instalado, que impulsionava o taxímetro para que houvesse um sobrepreço ali", afirmou o delegado.

A investigação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes de Propriedade Imaterial, da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo e da Delegacia do Aeroporto Internacional. A polícia também apreendeu outros equipamentos eletrônicos que estão sendo investigados como possíveis instrumentos usados para alterar preços de corridas. O grupo Império Táxis afirmou que tem compromisso com a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A Oficina Capelinha, onde os equipamentos eram instalados, não respondeu aos contatos da reportagem. A AeroCoop, cooperativa oficial do Galeão, esclareceu que não tem vínculo com os grupos que atuam de maneira ilícita. A investigação continua identificando envolvidos e rastreando a origem completa da operação.

Ele tentou se livrar desse equipamento que estava instalado, que impulsionava o taxímetro para que houvesse um sobrepreço ali
— Delegado Victor Tutmann
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