Primavera intensifica crises alérgicas em população com histórico de rinite e asma

A coceira intensa é o que marca a alergia — e ela volta todo ano na mesma época
Diferença crucial entre polinose e outras doenças respiratórias durante a primavera.
Mark

Por que a primavera é tão problemática para quem tem alergia, se o pólen existe o ano todo?

Mimi

O pólen existe, sim, mas em quantidade muito menor. A primavera concentra a liberação de pólen de várias plantas simultaneamente — é como se o gatilho fosse puxado com força total durante alguns meses.

Mark

E por que agora, em 2020, isso é ainda mais complicado?

Mimi

Porque as cidades estão reabrindo parques e espaços verdes após meses de isolamento. As pessoas estão voltando a esses ambientes justamente quando a primavera chega. É uma coincidência de timing que deixa os alérgicos vulneráveis.

Mark

Como alguém sabe se está com alergia ou com covid-19?

Mimi

A febre é a grande diferenciadora. Alergia não causa febre. O que você sente é coceira intensa — nariz, olhos, garganta — e isso volta todo ano na mesma época. Covid-19 não tem essa periodicidade.

Mark

E se a pessoa tiver os pulmões afetados?

Mimi

Aí fica mais sério. Cerca de 15 a 20% dos alérgicos desenvolvem sintomas pulmonares — chiado, falta de ar, tosse. Nesses casos, é imprescindível procurar um médico especialista.

Mark

Existe cura?

Mimi

Não exatamente cura, mas controle muito eficaz. Você pode evitar o pólen, tomar medicamentos ou fazer uma dessensibilização com vacina específica. Essa última aumenta sua resistência ao alérgeno ao longo do tempo.

Mark

Então o tratamento é longo?

Mimi

Pode ser. Mas o investimento vale a pena. Quando você consegue controlar a alergia, a primavera deixa de ser uma estação de sofrimento e volta a ser apenas uma estação bonita.

  • A chegada da primavera dispara uma onda previsível de crises de rinite, sinusite e asma em milhões de brasileiros sensíveis ao pólen de gramíneas como o azevém.
  • Em plena pandemia, sintomas alérgicos — espirros, coriza e congestão — são facilmente confundidos com covid-19, criando ansiedade e risco de diagnósticos equivocados.
  • A reabertura de parques e espaços arborizados, após meses de isolamento, reexpõe abruptamente pessoas com histórico alérgico a gatilhos sazonais que estavam temporariamente ausentes de suas rotinas.
  • Médicos alertam: a ausência de febre e a presença de coceira intensa são os sinais que distinguem a alergia da infecção viral, e esse discernimento pode evitar tratamentos desnecessários.
  • O caminho para o controle passa por diagnóstico especializado, medicamentos, disciplina no cotidiano e, nos casos mais persistentes, dessensibilização gradual por vacina específica contra o pólen.

A cada setembro, a primavera brasileira não traz apenas flores — traz também o retorno silencioso de um sofrimento previsível para milhões de pessoas sensíveis ao pólen. A polinose, alergia sazonal que afeta 10% dos adultos no país, ganha contornos ainda mais delicados em 2020, quando seus sintomas se confundem com os do coronavírus e a reabertura dos espaços verdes expõe novamente quem viveu meses protegido pelo isolamento. Especialistas lembram que reconhecer a diferença entre alergia e infecção é, hoje, um ato de cuidado tanto individual quanto coletivo.

Setembro inaugura a primavera e, com ela, o retorno de um ciclo bem conhecido por quem sofre de rinite, sinusite ou asma: a polinose, alergia ao pólen liberado pelas plantas nessa época do ano. A gramínea azevém é a principal vilã no Brasil, e os números revelam a dimensão do problema — 10% dos adultos brasileiros são afetados, com índices ainda mais altos em cidades como Curitiba, onde a rinite alérgica chega a atingir 25% dos adultos.

A otorrinolaringologista Cristiane Passos Dias Levy, do Hospital Paulista, chama atenção para um desafio particular em 2020: com a reabertura de parques e espaços verdes após meses de isolamento pela pandemia, pessoas com histórico alérgico voltam a se expor a gatilhos sazonais sem o mesmo preparo de anos anteriores. E os sintomas — espirros, coriza, congestão nasal — podem ser facilmente confundidos com gripe ou covid-19.

A distinção, porém, existe e é clara: alergias não causam febre. O que caracteriza a polinose é a coceira intensa no nariz, olhos e garganta, além da periodicidade anual das crises. Em 15% a 20% dos casos, pode haver comprometimento pulmonar com chiado e falta de ar, exigindo atenção médica imediata.

O tratamento combina três frentes: evitar a exposição ao pólen, usar medicamentos adequados e, quando necessário, recorrer à dessensibilização por vacina específica. No dia a dia, medidas simples fazem diferença — evitar parques e jardinagem, lavar olhos e nariz com frequência, e usar óculos e máscara ao andar de bicicleta ou moto. Para quem percebe piora a cada primavera, Levy é direta: buscar um especialista é o primeiro e mais importante passo para recuperar a qualidade de vida nos meses mais críticos do ano.

Setembro chega com as flores da primavera, e com elas vem uma onda previsível de crises alérgicas que afeta milhões de brasileiros. Para quem sofre com rinite, sinusite ou asma, a estação que outros celebram pela beleza se torna sinônimo de congestão nasal, espirros incessantes e olhos vermelhos que ardem. O culpado é simples: o pólen liberado pelas plantas durante essa época do ano, combinado com as mudanças climáticas que caracterizam o período.

Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, explica que a primavera traz consigo uma condição específica chamada polinose — nada mais que uma alergia ao pólen, popularmente conhecida como febre do feno. Os pólens mais problemáticos vêm de gramíneas, ciprestes e pinheiros, mas é a gramínea azevém que lidera como principal desencadeador de polinose no Brasil. Embora esses pólens apareçam em diferentes regiões do país, a prevalência varia. Em Curitiba, por exemplo, a rinite alérgica persistente afeta 12% da população geral, mas sobe para 25% entre adultos. A polinose específica para gramíneas atinge 10% dos adultos e apenas 2% das crianças.

O desafio atual é ainda maior. Após meses de isolamento rigoroso imposto pela pandemia de covid-19, cidades brasileiras começaram a reabrir parques e espaços públicos arborizados, permitindo que as pessoas voltassem a conviver com ambientes verdes. Para quem tem histórico alérgico, essa reabertura exige vigilância redobrada — não apenas contra o novo coronavírus, mas também contra os gatilhos sazonais que retornam com a primavera.

Os sintomas da polinose podem enganar. Congestão nasal, espirros sucessivos e coriza são facilmente confundidos com gripe, resfriado comum ou até mesmo covid-19. A diferença crucial, segundo Levy, é que alergias não causam febre. O que marca a polinose é a coceira intensa no nariz, nos olhos e na garganta, além de uma característica fundamental: a periodicidade anual. Os pacientes também apresentam olhos vermelhos e lacrimejantes. Entre 15% e 20% dos alérgicos podem desenvolver acometimento pulmonar, com chiado, falta de ar e tosse — sintomas que exigem atenção médica imediata.

O diagnóstico correto é o primeiro passo. Levy recomenda que qualquer pessoa que note piora dos sintomas a cada primavera, ou que entre em crise ao ir para o campo, procure um especialista. Existem exames capazes de identificar a causa exata da alergia. Uma vez identificado o agente desencadeador, o tratamento segue três caminhos: evitar o contato com o pólen, usar medicamentos específicos ou submeter-se a um processo de dessensibilização através de uma vacina contra o pólen específico. Essa última opção aumenta gradualmente a resistência do paciente ao alérgeno.

As medidas práticas são simples mas exigem disciplina. Durante a primavera, pessoas alérgicas devem reduzir a exposição ao pólen evitando parques, não cortando grama e afastando-se de trabalhos de jardinagem. Lavar bem os olhos e o nariz regularmente ajuda a remover partículas. Se andar de bicicleta ou moto, o uso de óculos e máscara é essencial. Seguindo essas recomendações, os episódios alérgicos tendem a diminuir significativamente. Mas quando as crises ocorrem com frequência, o acompanhamento médico contínuo é fundamental — não apenas para controlar os sintomas, mas para restaurar a qualidade de vida durante os meses mais críticos do ano.

Os tipos de pólen que mais dão alergia são as gramíneas, ciprestes e pinheiros, sendo a gramínea azevém o principal agente causador da polinose no Brasil
— Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista
O que diferencia a alergia de uma gripe ou covid-19 é que alergias não apresentam febre, além da coceira nasal, ocular e na garganta ser intensa, com periodicidade anual
— Cristiane Passos Dias Levy
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