Em São Paulo, a Câmara Brasileira do Livro celebrou pela terceira vez o conhecimento que nasce nos laboratórios, nas bibliotecas e nos campos — reconhecendo, com o Prêmio Jabuti Acadêmico, que a ciência também tem sua forma de beleza quando se torna livro. Com mais de dois mil títulos inscritos em trinta categorias, a premiação revela a vitalidade de uma produção intelectual que vai da teologia à psicanálise, da ecologia à economia, como se o Brasil precisasse, mais do que nunca, nomear e honrar o que pensa.
Prêmio Jabuti Acadêmico anuncia vencedores em obras científicas e técnicas
Separar permite que cada um seja avaliado em seus próprios termos
Por que criar um prêmio específico para obras acadêmicas e técnicas, separado do Jabuti tradicional?
Porque a pesquisa e o conhecimento técnico precisam de visibilidade própria. Um livro de ficção e um tratado de neurocirurgia competem por atenção de formas muito diferentes. Separar permite que cada um seja avaliado em seus próprios termos.
Dois mil inscrições é um número grande ou pequeno para uma premiação assim?
É significativo. Mostra que há produção robusta acontecendo. Mas também mostra que muita coisa boa não vai ganhar prêmio. O número real de obras publicadas em áreas científicas no Brasil é certamente maior.
Qual é o peso de ter colunistas da Folha entre os finalistas?
Indica que jornalistas que escrevem sobre ideias estão também produzindo livros. Não é coincidência. Quem pensa em público, em coluna, frequentemente tem mais a dizer em formato longo.
As instituições que apoiam — ABC, Fapesp, SBPC — elas ganham algo com isso?
Ganham legitimidade e visibilidade para suas agendas. Mas também cumprem missão: essas são instituições que existem para fortalecer a ciência brasileira. Um prêmio que valoriza publicação acadêmica está alinhado com isso.
Por que R$ 5 mil? Parece pouco para um livro que levou anos.
É pouco mesmo. Mas o prêmio não é principalmente sobre dinheiro. É sobre reconhecimento público, sobre a editora ganhar uma estatueta, sobre o livro ficar marcado como vencedor. O dinheiro é simbólico.
Qual categoria você acha mais interessante?
Divulgação científica. Porque ali o desafio é traduzir complexidade sem perder rigor. É mais difícil escrever bem sobre ciência para leigos do que para pares. E é mais importante socialmente.
Il Polso
- Com 2.085 inscrições e 30 categorias temáticas, o Jabuti Acadêmico cresce em escala e ambição a cada edição, pressionando o mercado editorial a levar a sério a produção científica e técnica.
- A presença de cinco colunistas da Folha entre os finalistas tensiona a fronteira entre jornalismo e academia, mostrando que vozes públicas também habitam o espaço do rigor intelectual.
- A cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, transmitida ao vivo pelo YouTube, transforma um ato institucional em evento cultural acessível, ampliando o alcance do reconhecimento acadêmico.
- O apoio de ABC, Fapesp e SBPC confere legitimidade científica ao prêmio, enquanto patrocinadores como Mercado Livre sinalizam que o conhecimento técnico tem valor também no mercado.
- Ao premiar desde estudos sobre coral-sol invasor até livros sobre caranguejos nos manguezais de Aracaju, o Jabuti Acadêmico afirma que a diversidade temática é, ela mesma, uma forma de política cultural.
Em São Paulo, a Câmara Brasileira do Livro celebrou pela terceira vez o conhecimento que nasce nos laboratórios, nas bibliotecas e nos campos — reconhecendo, com o Prêmio Jabuti Acadêmico, que a ciência também tem sua forma de beleza quando se torna livro. Com mais de dois mil títulos inscritos em trinta categorias, a premiação revela a vitalidade de uma produção intelectual que vai da teologia à psicanálise, da ecologia à economia, como se o Brasil precisasse, mais do que nunca, nomear e honrar o que pensa.
A Câmara Brasileira do Livro anunciou nesta terça-feira os vencedores da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, criado em 2024 para reconhecer obras científicas, técnicas e profissionais. A cerimônia aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista, em São Paulo, e foi transmitida pelo canal da CBL no YouTube.
Nesta edição, o prêmio recebeu 2.085 inscrições distribuídas em 30 categorias — de administração pública e ciências agrárias a filosofia, medicina e tradução. Cada vencedor recebe uma estatueta e R$ 5 mil em dinheiro; as editoras das obras premiadas também são homenageadas, reconhecendo seu papel na circulação do conhecimento.
Entre os finalistas, cinco colunistas da Folha de S.Paulo: Juliano Spyer, com um livro sobre o fenômeno religioso; Laura Müller Machado e Michael França, ambos na categoria Economia; Marcelo Leite, em Divulgação Científica, com uma obra sobre a jurema e pesquisas psicodélicas; e Vera Iaconelli, em Psicologia e Psicanálise.
O prêmio conta com apoio da Academia Brasileira de Ciências, da Fapesp e da SBPC, além de patrocínio de empresas como Mercado Livre e Skeelo. A amplitude das categorias — que inclui desde bioinvasão de coral-sol até vivências com caranguejos nos manguezais de Aracaju — revela a intenção deliberada de valorizar a diversidade da produção intelectual brasileira e de afirmar o livro como veículo central para a disseminação de ideias complexas.
A Câmara Brasileira do Livro anunciou nesta terça-feira os vencedores da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, uma iniciativa criada em 2024 para reconhecer obras nas áreas científicas, técnicas e profissionais. A cerimônia de entrega aconteceu no Teatro Sérgio Cardoso, na região da Bela Vista, no centro de São Paulo, a partir das 19 horas, transmitida pelo canal da CBL no YouTube.
O prêmio reflete o crescimento da produção acadêmica brasileira. Nesta edição, a instituição recebeu 2.085 inscrições distribuídas em 30 categorias temáticas que cobrem desde administração pública e ciências agrárias até filosofia, medicina e tradução. Cada vencedor recebe uma estatueta do Jabuti Acadêmico e R$ 5 mil em prêmio em dinheiro. As editoras das obras premiadas também ganham uma estatueta, reconhecendo seu papel na publicação e circulação desses trabalhos.
Entre os finalistas da premiação estão cinco colunistas da Folha de S.Paulo: Juliano Spyer, Laura Müller Machado, Marcelo Leite, Michael França e Vera Iaconelli. Spyer aparece como coautor de "Crentes: Pequeno Manual sobre um Grande Fenômeno", publicado pela Record, na categoria Ciências da Religião e Teologia. Machado integra a autoria de "Bolsas de Estudo e Evasão: Avaliação de Impacto Ex-ante", lançado pela Autografia, na categoria Economia. Leite é autor de "A Ciência Encantada de Jurema: Como uma Raiz da Caatinga Uniu Indígenas e Africanos na Resistência Anticolonial e Hoje Inspira Pesquisas Psicodélicas", publicado pela Fósforo, na categoria de Divulgação Científica. França coescreveu "A Loteria do Nascimento: Filha do Porteiro Termina Universidade, mas Não Alcança Filho do Rico", pela Jandaíra, também em Economia. Iaconelli é autora de "Análise", pela Zahar, na categoria Psicologia e Psicanálise.
O prêmio conta com apoio de instituições científicas de peso no país. A Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) estão entre os apoiadores. Além delas, há patrocínio da Skeelo e do Mercado Livre, e apoio da TecHub e da Gráfica Santa Marta.
A amplitude das categorias contempladas mostra a intenção do prêmio de valorizar a diversidade da produção intelectual brasileira. Nas ciências biológicas, por exemplo, há obras sobre bioinvasão de coral-sol, desenvolvimento comparado de vertebrados e conservação de cetáceos. Na área de comunicação e informação, destacam-se títulos sobre desinformação, história dos jornais brasileiros e até um livro sobre vivência com caranguejos nos manguezais de Aracaju. Educação, engenharia, geografia, história e letras também recebem atenção especial, com categorias dedicadas a temas que vão desde a formação docente até geopolítica e estudos literários.
O Jabuti Acadêmico diferencia-se do tradicional Prêmio Jabuti por focar especificamente em obras de natureza científica, técnica e profissional, em vez de literatura de ficção e ensaio geral. Essa especialização reflete uma estratégia deliberada de reconhecer e estimular a publicação de pesquisa e conhecimento técnico em formato de livro, um meio que continua sendo central para a disseminação de ideias complexas e de longo alcance no Brasil.
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O Jabuti Acadêmico concentra-se em obras de áreas científicas, técnicas e profissionais— Câmara Brasileira do Livro