Vídeo de segurança mostra suspeito segurando pá antes de atingir adolescente de 13 anos na cabeça no dia 29 de julho. Vítima apresentou sintomas graves dois dias depois: dor de cabeça intensa, palidez e confusão mental, levando a internação com diagnóstico de hemorragia cerebral.
Câmera registra momento em que aluno segura pá antes de agredir colega em escola
O toque desencadeou algum rompimento de vaso ou veia
Como uma pancada com uma pá pode causar uma hemorragia cerebral que só aparece dois dias depois?
É exatamente o que o delegado está tentando entender. A teoria é que o golpe tenha rompido um vaso sanguíneo que já estava fragilizado — algo que ninguém sabia que existia. O sangramento começou lentamente, e só depois de 48 horas os sintomas ficaram graves o suficiente para o menino desmaiar ou ficar confuso.
Então o adolescente que agrediu pode não ser responsável criminalmente?
Pode ser. Se a perícia confirmar que havia uma fragilidade vascular pré-existente, a lei muda completamente. Ele não sabia que aquele golpe poderia desencadear isso. Pode virar culpa em vez de intenção, ou até deixar de ser crime.
Mas ele pegou uma pá e bateu em alguém. Isso não é agressão?
Tecnicamente foi. Mas a lei distingue entre agredir alguém sabendo que pode causar dano grave, e agredir alguém sem saber que aquela pessoa tem uma condição que tornará o dano grave. São coisas diferentes.
A escola sabia que havia uma pá solta sendo usada como arma?
A pá era uma ferramenta de limpeza da escola. Estava ali para ser usada para limpar. Ninguém esperava que um aluno a pegasse e a usasse para bater em outro. Depois disso, a escola acionou os pais e fez mediação.
E se o menino agredido tivesse morrido?
Aí a história seria completamente diferente. Provavelmente seria investigado como homicídio, mesmo que involuntário. Mas ele sobreviveu, está internado, e agora tudo depende do que a perícia descobrir sobre sua saúde anterior.
O Pulso
- Agressão ocorreu em 29 de julho em colégio cívico-militar de Birigui (SP)
- Vítima é adolescente de 13 anos que sofreu hemorragia cerebral
- Sintomas graves apareceram dois dias depois, levando a internação em Araçatuba
- Delegado investiga se golpe desencadeou rompimento de vaso pré-fragilizado
Vídeo de segurança mostra suspeito segurando pá antes de atingir adolescente de 13 anos na cabeça no dia 29 de julho. Vítima apresentou sintomas graves dois dias depois: dor de cabeça intensa, palidez e confusão mental, levando a internação com diagnóstico de hemorragia cerebral.
Câmeras de segurança registram adolescente agredindo colega com pá em escola de Birigui (SP). Vítima sofreu hemorragia cerebral e permanece internada; polícia investiga se golpe desencadeou rompimento vascular pré-existente.
No dia 29 de julho, as câmeras de segurança de um colégio cívico-militar em Birigui, no interior de São Paulo, capturaram o instante em que um adolescente pegou uma pá — ferramenta usada para limpeza da escola — e a usou para agredir um colega de 13 anos na cabeça. O que pareceu ser um incidente isolado se transformou em uma emergência médica dois dias depois, quando a vítima começou a sofrer dores de cabeça intensas, palidez e confusão mental. Levado ao pronto-socorro local e depois transferido para a Santa Casa de Araçatuba no sábado 1º de agosto, o menino foi diagnosticado com hemorragia cerebral — uma lesão grave que o mantém internado.
A mãe da vítima relatou que seu filho voltou para casa normalmente após a agressão, sem reclamar de dores ou apresentar sinais visíveis de ferimento. Foi apenas no dia 31 de julho que os sintomas começaram a aparecer, levando a família a procurar atendimento médico de emergência. Uma tomografia realizada no hospital confirmou a hemorragia cerebral, revelando que o impacto da pancada havia causado danos internos significativos.
Com as imagens de segurança em mãos, a polícia abriu uma investigação que agora segue por caminhos inesperados. O delegado Ícaro Oliveira Borges trabalha com a hipótese de que o golpe com a pá tenha desencadeado o rompimento de um vaso sanguíneo ou veia que já estava fragilizado — uma condição pré-existente que ninguém sabia que o adolescente possuía. Segundo o delegado, essa possibilidade muda significativamente a natureza do caso. "O toque desencadeou algum rompimento de vaso ou veia e tomou as grandes proporções ao longo de três dias", explicou Borges, que aguarda a confirmação de um médico legista antes de prosseguir.
Essa conclusão abre caminho para diferentes classificações legais. Se confirmado que a agressão apenas ativou uma fragilidade vascular pré-existente, a conduta do adolescente suspeito pode ser enquadrada como culposa — quando não há intenção de causar dano grave — ou até mesmo descaracterizada completamente como ato infracional. Há ainda a possibilidade, segundo o delegado, de que o caso não seja crime ou ato infracional algum, já que o suspeito não tinha como saber sobre uma possível doença pré-existente da vítima. A equipe de investigação está apurando se o menino agredido tinha histórico de condição vascular ou lesão cerebral anterior.
A polícia também investigou a possibilidade de violência doméstica. O delegado descartou qualquer hipótese de que a vítima tivesse sido agredida antes ou depois do episódio na escola. Após visitar a casa do menino, os investigadores não encontraram sinais de violência, e os pais não possuem histórico policial. Os vizinhos também não relataram discussões ou brigas na residência. A pá usada na agressão foi apreendida e encaminhada para perícia, assim como foram requisitados exames de corpo de delito ao Instituto Médico Legal e informações dos hospitais onde o adolescente recebeu atendimento.
A Secretaria Estadual de Educação informou que a equipe gestora da escola adotou as providências cabíveis e convocou os responsáveis pelos alunos envolvidos para uma reunião de mediação. A pasta também afirmou que acompanha o estado de saúde do menino internado e oferece suporte à família. O caso permanece sob investigação, aguardando os resultados periciais que podem redefinir completamente a responsabilidade legal envolvida no incidente.
Citações Notáveis
Há também a possibilidade de não ser crime ou ato infracional, pois ele não sabia de uma possível doença pré-existente— Delegado Ícaro Oliveira Borges
Nós investigamos e fomos à casa da vítima, sem sinais de violência. O pai e a mãe não têm histórico policial— Delegado Ícaro Oliveira Borges