Prefeitura aprova concessão da praça Roosevelt e deve publicar edital em breve

Grupos temem repetir desvios de finalidade vistos no Anhangabaú
Coletivo Ocupa Roosevelt manifesta preocupação com possíveis eventos privados de grande porte durante os 20 anos de concessão.
Mark

Por que a prefeitura decidiu conceder a praça em vez de mantê-la sob gestão pública?

Mimi

A justificativa oficial é que a concessão qualifica as estruturas existentes, amplia serviços e incentiva atividades culturais. Mas há também a questão prática: a manutenção deteriorou, e a prefeitura vê na iniciativa privada uma forma de resolver isso sem gastar diretamente.

Luke

Mas isso assume que uma empresa privada vai priorizar o interesse público. O contrato tem cláusula de continuidade das atividades culturais — mas cláusulas podem ser interpretadas de formas diferentes.

Mark

Qual é a principal preocupação dos grupos que usam a praça?

Mimi

Eles temem que a concessão desvie a finalidade do espaço. Apontam o exemplo do vale do Anhangabaú, onde eventos privados de grande porte tomaram conta. Também reclamam de não terem sido consultados antes.

Luke

É importante notar que a prefeitura diz que incorporou uma cláusula para garantir continuidade, mas não sabemos ainda como isso será fiscalizado ou o que acontece se a concessionária não cumprir.

Mark

Quanto dinheiro a prefeitura vai receber com isso?

Mimi

O contrato estimado é de R$ 55,8 milhões ao longo de 20 anos. A concessionária pagará um mínimo inicial de R$ 2,9 milhões, mais R$ 1.234 mensais, além de 10% da receita bruta semestral. A prefeitura também pode ganhar 20% de receitas de "naming rights" — se uma marca comprar o direito de adicionar seu nome ao da praça.

Luke

Esses números são estimativas. A receita anual prevista de R$ 4,5 milhões depende de quanto a concessionária conseguir cobrar de estacionamento e outras fontes. Se não atingir essas metas, os números caem.

Mark

E quanto ao ruído? Isso é uma preocupação real?

Mimi

Sim. A praça já é animada à noite pela proximidade de bares e teatros. Com 36 atividades culturais obrigatórias por mês e eventos quinzenais de até 12 horas, o volume de som pode aumentar significativamente.

Luke

O edital permite eventos com aprovação da prefeitura para públicos acima de 250 pessoas, mas não especifica limites de decibéis ou horários rígidos. Isso deixa espaço para interpretação.

Mark

Quando o edital será publicado?

Mimi

A prefeitura não definiu ainda. Disse que será "em breve", mas a Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias e a Secretaria de Governo ainda precisam definir o prazo e a data exatos.

Luke

Enquanto isso, há um túnel estruturalmente comprometido abaixo da praça. A SPObras adiou o edital de recuperação em junho. Não está claro como a concessão da praça se relaciona com o reparo do túnel, que custaria R$ 36,3 milhões.

  • A aprovação do edital em reunião fechada do Conselho Municipal pegou frequentadores, artistas e moradores de surpresa — muitos souberam pela imprensa, sem qualquer consulta prévia.
  • O coletivo Ocupa Roosevelt mobiliza resistência, evocando o precedente do Anhangabaú, onde eventos privados de grande porte teriam desvirtuado o caráter público do espaço.
  • A prefeitura tenta equilibrar a equação inserindo cláusula de continuidade cultural e exigindo ao menos 36 atividades mensais — mas a promessa contratual não dissolve a desconfiança.
  • A possibilidade de venda de 'naming rights' — uma marca acrescida ao nome histórico da praça — concentra parte da polêmica sobre os limites entre concessão e privatização simbólica.
  • Com o edital prestes a ser publicado e a licitação da recuperação do túnel abaixo da praça já adiada, o futuro do Complexo Roosevelt avança em ritmos descompassados.

No coração de São Paulo, a praça Franklin Roosevelt — espaço onde a cidade aprendeu a improvisar cultura entre viadutos e calçadas — será entregue à gestão privada por vinte anos. A Prefeitura aprovou o modelo de concessão em agosto de 2026, estimando um contrato de R$ 55,8 milhões que promete conservar o que o poder público deixou deteriorar. Entre a promessa de continuidade cultural e o temor de que o mercado reescreva a alma do lugar, a cidade negocia, mais uma vez, o preço de seus espaços comuns.

A Prefeitura de São Paulo aprovou o modelo final do edital de concessão da praça Franklin Roosevelt, um dos espaços mais vivos do centro paulistano. A decisão saiu de uma reunião do Conselho Municipal de Desestatização e Parcerias em 12 de agosto, e a licitação deve ser publicada em breve. O contrato terá duração de 20 anos e valor estimado de R$ 55,8 milhões, cobrindo investimentos e manutenção ao longo do período.

Inaugurada em 1970, a Roosevelt consolidou ao longo das décadas uma identidade cultural própria — teatro, slam, batalhas de poesia — moldada por grupos que ocuparam o espaço de forma orgânica. Com a deterioração das estruturas, a gestão Nunes vê na concessão privada uma saída para qualificar o espaço e ampliar serviços. A concessionária será responsável pela operação, manutenção e gestão sociocultural, devendo realizar ao menos 36 atividades culturais, educativas e recreativas por mês.

Mas a promessa não chegou sem resistência. Frequentadores, artistas e o coletivo Ocupa Roosevelt reclamaram de exclusão do processo decisório e manifestaram temor de que a concessão repita o que chamam de desvios de finalidade ocorridos no vale do Anhangabaú — onde eventos privados de grande porte teriam sobreposto o uso comercial ao público. A possibilidade de venda de 'naming rights', que permitiria acrescentar o nome de uma marca ao da praça histórica, tornou-se um dos pontos mais simbólicos do debate.

O projeto abrange um Complexo Roosevelt mais amplo: inclui um belvedere na rua Augusta, intervenções na rua Gravataí com travessias elevadas e jardins, além de iluminação e câmeras abaixo do viaduto Julio de Mesquita Filho. A receita estimada para a concessionária é de R$ 4,5 milhões anuais, com a maior parte vinda do estacionamento subterrâneo. O fechamento da praça com grades será proibido, e eventos de grande porte exigirão aprovação municipal.

Paralelamente, a licitação para recuperação estrutural do túnel da ligação Leste-Oeste — localizado abaixo da praça, com custo estimado de R$ 36,3 milhões — foi adiada em junho, criando um descompasso entre as duas frentes de intervenção. A concessão da praça segue adiante como parte de um pacote maior de requalificação do centro de São Paulo.

A Prefeitura de São Paulo deu o aval final para entregar a praça Franklin Roosevelt a uma empresa privada. O modelo do edital foi aprovado em reunião fechada do Conselho Municipal de Desestatização e Parcerias no dia 12 de agosto, e agora a licitação será publicada em breve — a Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias e a Secretaria de Governo ainda definem o prazo e a data exatos.

A praça, inaugurada em 1970 como parte das obras da ligação Leste-Oeste, é um dos espaços mais vivos do centro paulistano. À noite, atrai frequentadores pela proximidade de bares, teatros e da rua Augusta. Há anos, grupos diversos realizam atividades culturais ali — teatro, slam, batalhas de poesia — que moldaram a identidade do lugar. Mas a manutenção deteriorou, e a prefeitura vê na concessão uma saída para qualificar as estruturas, ampliar serviços e incentivar ainda mais atividades culturais. O contrato terá duração de 20 anos, com valor estimado de R$ 55,8 milhões, cobrindo investimentos, despesas e custos obrigatórios ao longo do período.

O diretor de projetos da São Paulo Parcerias, Kim Ferreira de Souza, afirmou que a prefeitura incorporou uma cláusula no contrato para garantir a continuidade das atividades culturais consolidadas. Mas essa promessa não tranquilizou todos. Frequentadores, moradores, comerciantes e artistas do entorno reclamaram de ter descoberto o projeto pela imprensa, sem participação prévia nas decisões. O coletivo Ocupa Roosevelt se mobilizou contra a concessão, manifestando preocupação com os possíveis 20 anos de contrato e com a possibilidade de repetir o que chamam de "desvios de finalidade" — como eventos privados de grande porte — que ocorreram na concessão do novo vale do Anhangabaú. Há também temor de que a concessão aumente a emissão de ruído.

O projeto vai além da praça. Envolve o chamado Complexo Roosevelt, que inclui a manutenção de um belvedere na rua Augusta, intervenções na rua Gravataí — que liga a praça ao Parque Augusta — e ampliação da iluminação e do monitoramento por câmeras abaixo do viaduto Julio de Mesquita Filho. A proposta para a rua Gravataí deve incorporar ao menos parte de um projeto de boulevard recentemente elaborado pela São Paulo Urbanismo, com travessias de pedestres elevadas, jardins, piso drenante, enterramento de fios e instalação de bancos.

Segundo a minuta do edital divulgada em junho, o fechamento da praça com grades ou outras barreiras para eventos será proibido. A concessionária será responsável pela operação, manutenção e gestão sociocultural, e deverá realizar ao menos 36 atividades culturais, educativas, recreativas e esportivas por mês. O edital permite eventos quinzenais de até 12 horas consecutivas, com aprovação da prefeitura para públicos acima de 250 pessoas. A reforma e reabertura dos quiosques, a exploração econômica do estacionamento subterrâneo e novas intervenções previamente avaliadas pela prefeitura também integram as obrigações.

A receita estimada para a concessionária é de R$ 4,5 milhões anuais, dos quais cerca de R$ 3,5 milhões virão da cobrança de estacionamento. Publicidade, locação ou exploração dos quiosques são outras fontes. O contrato exigirá um pagamento inicial mínimo de R$ 2,9 milhões, além de um "aluguel" mensal de R$ 1.234 e compartilhamento a partir de 10% da receita bruta semestral. Um dos pontos mais polêmicos é a possibilidade de venda de "naming rights" — o nome de uma marca poderia ser acrescido ao atual da praça, com 20% da receita repassada ao município.

A concessão não incluirá os postos da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, nem a área da Paróquia Nossa Senhora da Consolação. Na praça em si, as obrigações incluem ampliação do cachorródromo, recuperação do pergolado e intervenções de drenagem para redução de alagamentos. No viaduto, serão instaladas cinco câmeras e sete pontos de iluminação nas calçadas, com melhorias adicionais de iluminação e câmeras abaixo da estrutura.

Paralelamente, a SPObras adiou o edital para a recuperação estrutural do túnel da ligação Leste-Oeste, localizado abaixo da praça. A licitação foi adiada em 30 de junho, oito dias após sua publicação. A obra teria duração de doze meses e custo de R$ 36,3 milhões, envolvendo reparos de fissuras, remoção de vegetação e recuperação do concreto. Enquanto isso, a prefeitura segue adiante com a concessão da praça, integrando-a a um pacote maior de requalificação do centro paulistano.

A prefeitura resolveu incorporar cláusula no contrato para garantir a continuidade das atividades culturais realizadas por grupos diversos há anos na praça
— Kim Ferreira de Souza, diretor de projetos da São Paulo Parcerias
O projeto integra pacote de ações de requalificação para a região central, seguindo rigorosamente o rito institucional padrão dos demais projetos de concessão do município
— Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias
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