Portugal regista 14 casos suspeitos de hepatite aguda infantil de origem desconhecida

Globalmente, seis crianças morreram e 26 necessitaram de transplante de fígado; 15% dos menores doentes estiveram em cuidados intensivos.
Há uma dinâmica ecológica diferente entre o fígado destas crianças e o adenovírus
O hepatologista Rui Tato Marinho explica como o confinamento pode ter alterado a exposição viral das crianças.
Mark

Porque é que Portugal tem apenas catorze casos quando a Europa tem trezentos? Isto significa que estamos mais protegidos?

Mimi

Não necessariamente. Portugal tem uma população menor e uma densidade populacional diferente. Mas o que Marinho sublinha é que o ritmo aqui tem sido controlado — um caso a cada dois dias — e todas as crianças evoluem bem.

Luke

Mas precisamos de ser claros: estes são casos suspeitos, não confirmados. A causa ainda não foi identificada. Adenovírus é uma hipótese, não uma certeza.

Mark

E as mortes? Seis crianças morreram globalmente. Porque é que nenhuma morreu em Portugal?

Mimi

A maioria das mortes ocorreu em países com sistemas de saúde muito diferentes. A Irlanda teve uma morte, mas Portugal tem acesso a cuidados intensivos e transplantes de fígado se necessário.

Luke

Verdade, mas também é cedo. Portugal tem catorze casos há um mês. Outros países têm centenas. Não sabemos se o padrão vai manter-se.

Mark

Então a teoria do adenovírus modificado — é isto que causa a doença?

Mimi

É a hipótese mais forte neste momento. O vírus pode ter-se alterado, ou as crianças podem estar numa situação imunológica diferente depois do confinamento.

Luke

Mas Marinho disse claramente: "Não sabemos ainda bem a causa." Há também a hipótese de interacção com o SARS-CoV-2. Nenhuma destas é confirmada.

Mark

Alguns dos casos portugueses podem deixar de ser suspeitos?

Mimi

Sim. À medida que se aprende mais sobre a doença, alguns casos podem ser reclassificados. Isto é positivo — significa que o número real pode ser menor do que parece.

Luke

Ou significa que a definição de caso suspeito era demasiado ampla. De qualquer forma, é um sinal de que o conhecimento está a evoluir.

  • Dois novos casos na Madeira elevam para catorze o total de crianças portuguesas com hepatite aguda de origem desconhecida, mantendo um ritmo de aproximadamente um caso a cada dois dias.
  • A escala global é mais sombria: seis mortes em países como Indonésia, México e Estados Unidos, e vinte e seis crianças que precisaram de transplante de fígado para sobreviver.
  • A hipótese mais forte aponta para um adenovírus modificado que encontrou crianças com imunidade menos exercitada após anos de confinamento pandémico — uma vulnerabilidade ecológica inesperada.
  • Em Portugal, a situação é descrita como 'pacífica' pelas autoridades de saúde, com todas as crianças afectadas em estado estável e sem necessidade de cuidados intensivos.
  • No Reino Unido, onde o surto começou, o número de novos casos está a desacelerar — um sinal que os especialistas lêem com cautela, mas com esperança.

Em Portugal, catorze crianças enfrentam um diagnóstico de hepatite aguda de causa ainda desconhecida — dois dos casos mais recentes descobertos na Madeira. Num mundo que ainda processa as consequências da pandemia, a ciência debate se um adenovírus alterado, combinado com um sistema imunitário infantil menos treinado pelo isolamento, pode estar na origem deste fenómeno. Todas as crianças portuguesas evoluem favoravelmente, e o ritmo de novos casos no Reino Unido começa a abrandar — sinais modestos, mas encorajadores, de que a história pode estar a virar página.

Portugal confirmou catorze casos suspeitos de hepatite aguda infantil de causa desconhecida, dois deles recentemente identificados na Madeira. As crianças madeirenses estão estáveis e acompanhadas em ambulatório. Desde o início do surto, novos casos têm surgido com regularidade no país, mas o director do Programa Nacional para as Hepatites Virais, Rui Tato Marinho, descreveu a situação como "pacífica": algumas crianças foram internadas e desenvolveram icterícia, mas todas evoluem favoravelmente.

Na Europa, o quadro é mais amplo, com mais de trezentos casos confirmados ou suspeitos e uma morte registada na Irlanda. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde contabilizava, a 17 de Maio, quatrocentos e vinte e nove casos, seis mortes e vinte e seis crianças que necessitaram de transplante de fígado. Três em cada quatro doentes têm menos de cinco anos.

A causa permanece incerta, mas a hipótese mais sólida envolve um adenovírus modificado que se tornou mais agressivo. A esta alteração viral soma-se uma dinâmica ecológica particular: crianças entre um e quatro anos tiveram menos exposição a vírus durante o confinamento pandémico e chegam agora à escola com um sistema imunitário menos treinado. Investiga-se também uma possível interacção com o SARS-CoV-2. "Não sabemos ainda bem a causa", admitiu Marinho.

Um dado relevante é que alguns dos catorze casos portugueses podem deixar de ser classificados como suspeitos à medida que o conhecimento sobre a doença avança. No Reino Unido, onde o surto foi primeiro identificado, o ritmo de novos diagnósticos começa a abrandar — um sinal que Marinho considerou potencialmente encorajador.

Portugal identificou catorze crianças com hepatite aguda de causa desconhecida, confirmou a Direcção-Geral da Saúde na quinta-feira. Dois desses casos foram descobertos na Madeira e representam a continuação de um padrão que começou há quase um mês no país. As duas crianças madeirenses estão estáveis e sob acompanhamento ambulatório, sem necessidade de internamento urgente.

Desde o início do surto em Portugal, novos casos têm surgido com regularidade — em média, um a cada dois dias. Rui Tato Marinho, director do Programa Nacional para as Hepatites Virais, descreveu a situação portuguesa como "pacífica". Algumas das crianças afectadas foram internadas e algumas desenvolveram icterícia, mas todas evoluem favoravelmente, segundo o hepatologista. Este ritmo de aparecimento de novos casos contrasta com o que se observa noutras partes da Europa, onde o fenómeno ganhou maior escala.

A nível europeu, existem pouco mais de trezentos casos confirmados ou suspeitos. Uma criança morreu na Irlanda. Outras mortes foram registadas em países com sistemas de saúde significativamente diferentes dos europeus — Indonésia, México, Palestina e Estados Unidos. No Reino Unido, onde os primeiros casos surgiram, o ritmo de novos diagnósticos começou a desacelerar, sugerindo que a doença pode estar a abrandar. Marinho salientou este sinal como potencialmente encorajador.

A causa permanece por esclarecer, mas a hipótese que ganha força é a de um vírus modificado. O adenovírus, um agente infeccioso conhecido há décadas, pode ter-se alterado e tornado mais agressivo. Existe também uma dinâmica ecológica particular em jogo: as crianças entre um e quatro anos tiveram menos contacto com vírus durante o confinamento da pandemia de covid-19. Agora, quando regressam à escola e a ambientes sociais normais, enfrentam uma carga viral diferente. "Há uma dinâmica ecológica diferente entre o fígado destas crianças e o adenovírus", explicou Marinho.

Outra linha de investigação examina uma possível interacção com o SARS-CoV-2, o vírus que causa a covid-19. Pode ter ocorrido alguma alteração no fígado das crianças resultante desta sobreposição viral. O sistema imunitário destas crianças também é diferente do de adolescentes ou adultos — estão numa fase de vacinação natural, começam a frequentar a escola e a estar expostas a infecções comuns como gastroenterites e constipações. "Não sabemos ainda bem a causa", admitiu Marinho, reconhecendo a complexidade da situação.

Um aspecto importante é que alguns dos catorze casos suspeitos em Portugal podem deixar de ser classificados como tal à medida que o conhecimento sobre a doença avança. Isto significa que o número de casos pode estabilizar ou até diminuir, em vez de continuar a crescer. A Organização Mundial da Saúde, no seu último balanço de 17 de Maio, contabilizava quatrocentos e vinte e nove casos globalmente, com seis mortes e vinte e seis crianças que necessitaram de transplante de fígado. Três em cada quatro crianças afectadas têm menos de cinco anos, e quinze por cento dos menores internados estiveram em cuidados intensivos.

A situação da doença em Portugal está pacífica. Temos tido, em média, um caso dia sim, dia não, todos com evolução favorável.
— Rui Tato Marinho, director do Programa Nacional para as Hepatites Virais
Há uma dinâmica entre dois vírus. Não sabemos ainda bem a causa.
— Rui Tato Marinho
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