Popularidade de Milei desaba na Argentina com arrocho salarial e corrupção em foco

O arrocho salarial e desemprego elevado afetam diretamente a população argentina, reduzindo poder de compra e gerando instabilidade econômica generalizada.
O candidato que prometia limpeza moral agora enfrenta questionamentos sobre integridade
A corrupção destruiu o principal diferencial simbólico de Milei na campanha de 2023.
Mark

Como um presidente que chegou ao poder com promessas de combate à corrupção acaba sendo associado a escândalos éticos?

Mimi

Porque a campanha criou uma expectativa muito alta. Milei não apenas prometeu melhorar a economia — prometeu fazer isso de forma moralmente diferente. Quando surgem controvérsias, elas não são vistas como erros administrativos normais. São vistas como traição.

Mark

Mas a inflação caiu. Não deveria isso contar a seu favor?

Mimi

Deveria, e conta — mas apenas para quem consegue ignorar que seus salário encolheu. A inflação de 27,7% é uma vitória técnica. Mas se você ganha menos em termos reais, se há menos empregos, essa vitória não toca sua vida.

Mark

Por que o peronismo volta a ganhar força agora?

Mimi

Porque o peronismo, apesar de seus próprios problemas, oferece uma narrativa de proteção social. Depois de dois anos de austeridade, as pessoas estão dispostas a tentar algo que prometa recuperar poder de compra.

Mark

Esses números de desaprovação — 62,8% — são reversíveis?

Mimi

Teoricamente, sim. Mas não em um ano. Você precisaria de melhora salarial real, redução de desemprego e resolução dos escândalos. Tudo isso simultaneamente. O tempo está contra Milei.

Mark

E aquele terço de seus próprios eleitores que agora o rejeita?

Mimi

Esse é o sinal mais preocupante. Não é oposição ideológica — são pessoas que acreditaram nele. Quando sua própria base se afasta, não há margem para recuperação.

  • A desaprovação de Milei atingiu 62,8%, e o dado mais corrosivo é interno: um terço dos eleitores que o levaram ao poder em 2023 já rejeita sua administração.
  • Baixos salários e desemprego superaram a inflação como principais preocupações dos argentinos, sinalizando que o custo humano da austeridade agora pesa mais do que o problema que a justificou.
  • A corrupção — com 62,8% de menções — empatou com a crise salarial no topo da agenda, destruindo o principal ativo simbólico de Milei: a imagem de alternativa ética à 'casta' política.
  • Escândalos recentes, incluindo a controvérsia com criptomoedas, aceleraram a erosão da narrativa de integridade que diferenciava Milei da oposição tradicional.
  • Em projeção para 2027, 64,1% dos argentinos preferem mudança, e o peronista Axel Kicillof derrotaria Milei em segundo turno com 48,2% contra 39,3%, tornando o projeto de reeleição da extrema direita cada vez mais improvável.

A Argentina atravessa um momento de reavaliação coletiva profunda: o governo de Javier Milei, eleito como ruptura ética e econômica com o passado, vê sua aprovação recuar para 37,2% — com um terço de seus próprios eleitores entre os insatisfeitos. O que a pesquisa da Universidade de Buenos Aires revela não é apenas desgaste político ordinário, mas uma inversão de expectativas: a inflação, outrora inimigo número um, cedeu lugar ao arrocho salarial e à corrupção como fontes centrais de angústia nacional. Quando um líder perde simultaneamente a batalha econômica e a batalha moral, o terreno eleitoral se torna muito estreito.

Uma pesquisa do Observatório de Psicologia Social Aplicada da Universidade de Buenos Aires, realizada no fim de julho, expôs a dimensão do desgaste político de Javier Milei: 62,8% dos argentinos desaprovam seu governo, e apenas 37,2% o apoiam. O número mais revelador, porém, está dentro do próprio campo que o elegeu — um terço dos eleitores que votaram nele no segundo turno de 2023 já rejeita sua administração.

Essa erosão se traduz em perspectivas eleitorais concretas. Com 64,1% dos argentinos preferindo mudança à continuidade, uma simulação de segundo turno para 2027 coloca o governador Axel Kicillof à frente com 48,2% contra 39,3% de Milei. Entre os que pedem mudança, quase 40% querem retorno ao kirchnerismo e cerca de 27% optariam por peronismo não-kirchnerista.

A queda não se explica pela inflação. Embora o governo celebre sua desaceleração para 27,7%, o tema caiu para o terceiro plano. O que realmente pesa são os salários deprimidos — citados por 63,1% dos entrevistados — e o desemprego, mencionado por 54,2%. O custo de vida real, o poder de compra encolhido, superou a inflação como fonte de angústia coletiva.

Igualmente grave é a corrupção, apontada por 62,8% como preocupação central — tecnicamente empatada com a crise salarial. Esse dado é particularmente danoso porque atinge o núcleo da identidade política de Milei: durante a campanha, ele se apresentava como alternativa ética à velha 'casta'. Escândalos recentes, incluindo a controvérsia com criptomoedas, corroeram essa narrativa. O projeto de reeleição da extrema direita argentina enfrenta agora dois fronts simultâneos — econômico e moral — que nenhuma métrica isolada consegue contornar.

A Argentina chegou a um ponto de inflexão política. Uma pesquisa do Observatório de Psicologia Social Aplicada, vinculado à Universidade de Buenos Aires, realizada entre 28 e 31 de julho, revelou que o governo de Javier Milei enfrenta rejeição massiva: 62,8% dos argentinos desaprovam sua administração, enquanto apenas 37,2% a apoiam. O número mais revelador, porém, está na erosão do próprio eleitorado que o levou ao poder. Entre aqueles que votaram em Milei no segundo turno de 2023, um terço — 33,6% — agora rejeita seu governo.

Essa queda de popularidade não é abstrata. Ela se traduz em perspectivas eleitorais concretas para 2027. Quando perguntados se preferem mudança ou continuidade, 64,1% dos argentinos escolhem sair. Em uma simulação de segundo turno, o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, derrotaria Milei com 48,2% dos votos contra 39,3%. Entre aqueles que exigem mudança, a preferência se divide: 39,7% querem um retorno ao kirchnerismo, enquanto 26,9% optariam por peronismo não-kirchnerista.

O que explica essa queda tão acentuada? Não é a inflação. Embora o governo celebre sua desaceleração para 27,7%, esse tema caiu para o terceiro plano nas preocupações dos argentinos. O que realmente pesa agora são os salários deprimidos e o desemprego. Quando perguntados sobre suas maiores aflições, 63,1% mencionam baixos salários e 54,2% citam desemprego. Essas duas questões — o custo de vida real, o poder de compra encolhido — superaram a inflação como fonte de angústia nacional.

Mas há um terceiro fator, igualmente grave: a corrupção. Com 62,8% dos argentinos apontando-a como preocupação central, ela empatou tecnicamente com a crise salarial no topo da agenda. Esse dado é particularmente danoso para Milei porque destrói seu principal ativo simbólico. Durante a campanha, ele se apresentava como alternativa ética à velha política, ridicularizando a "casta" tradicional como sinônimo de corrupção e privilégio. Controvérsias recentes — incluindo o escândalo envolvendo criptomoedas — corroeram essa narrativa. O candidato que prometia limpeza moral agora enfrenta questionamentos sobre integridade.

O quadro que emerge é de um governo preso entre duas crises simultâneas. De um lado, as políticas de austeridade que Milei implementou para combater a inflação produziram desemprego e compressão salarial. De outro, escândalos de corrupção destruíram a diferenciação ética que o distinguia da oposição. Não é possível vencer em 2027 com apenas 37% de aprovação e dois terços do eleitorado pedindo mudança. O projeto de reeleição da extrema direita argentina enfrenta obstáculos que nenhuma métrica econômica isolada consegue contornar.

As controvérsias recentes corroeram o principal trunfo simbólico de Milei: a promessa de ser uma alternativa ética à política tradicional
— Pesquisadores do Observatório de Psicologia Social Aplicada (OPSA)
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