Entre o saber científico e a vida cotidiana das mulheres existe uma distância que raramente alguém se propõe a percorrer. Em Ribeirão Preto, estudantes de Medicina da USP decidiram fazer exatamente isso: transformar as dúvidas reais ouvidas nos consultórios em episódios de podcast acessíveis, combatendo a desinformação com a mesma linguagem que as pessoas já usam no dia a dia. O Momento Saúde da Mulher é, em essência, uma aposta de que o conhecimento só cumpre seu papel quando chega a quem precisa dele.
Podcast da USP democratiza informações sobre saúde feminina com linguagem acessível
Há uma lacuna entre a produção científica e o conhecimento que a sociedade realmente apropria
Por que um podcast? Por que não um site, um guia impresso, algo mais tradicional?
Porque as pessoas já ouvem podcasts. Elas estão no carro, na academia, fazendo tarefas. Um podcast entra na vida delas sem exigir que elas mudem de hábito. E há algo na voz de um especialista falando diretamente que cria confiança de um jeito que um texto não consegue.
As dúvidas que vocês abordam — elas vêm de onde? Como sabem o que as mulheres realmente querem saber?
Vêm dos consultórios. Os professores ouvem as mesmas perguntas repetidas vezes, nos mesmos temas. Tensão pré-menstrual, contracepção, o que é seguro na gravidez. Essas são as dúvidas reais, não as que alguém acha que deveriam ter.
E para os estudantes que produzem? O que muda para eles?
Eles deixam de ser apenas receptores de conhecimento. Viram pessoas que precisam entender algo bem o suficiente para explicar para outras. É uma responsabilidade diferente. Uma aluna gravou um episódio e descobriu coisas que nunca tinha pensado — não porque fossem novas, mas porque ninguém tinha perguntado daquele jeito antes.
Qual é o maior obstáculo que vocês enfrentam?
Agendar. Estudantes têm horários, professores têm horários, especialistas têm horários. Fazer tudo isso coincidir é um quebra-cabeça. Mas a gente consegue.
Vocês acham que estão realmente mudando o que as mulheres sabem sobre seus próprios corpos?
Não sabemos ainda. Mas sabemos que há um vazio entre o que a ciência sabe e o que as pessoas sabem. A gente está tentando preencher esse vazio. Se conseguirmos que uma mulher tome uma decisão melhor sobre sua saúde porque ouviu um episódio nosso, já vale.
Der Puls
- A desinformação sobre saúde feminina circula livremente nas redes enquanto o conhecimento científico permanece trancado em artigos e consultórios inacessíveis à maioria das mulheres.
- Estudantes da Liga de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP identificaram que as mesmas dúvidas se repetiam nas consultas — sobre contracepção, menopausa, fertilidade — sem encontrar respostas confiáveis nos espaços que as mulheres realmente frequentam.
- Com apoio de docentes, 22 graduandos em Medicina criaram o podcast Momento Saúde da Mulher, traduzindo conteúdo científico em linguagem acessível para plataformas como YouTube, Spotify e Instagram.
- Duas temporadas já cobriram temas que atravessam toda a vida reprodutiva feminina, e os próprios estudantes relatam que o processo de produção aprofundou sua própria formação médica.
- O projeto avança para novas temporadas sobre puberdade e climatério, consolidando-se como uma ponte duradoura entre a universidade e a sociedade.
Entre o saber científico e a vida cotidiana das mulheres existe uma distância que raramente alguém se propõe a percorrer. Em Ribeirão Preto, estudantes de Medicina da USP decidiram fazer exatamente isso: transformar as dúvidas reais ouvidas nos consultórios em episódios de podcast acessíveis, combatendo a desinformação com a mesma linguagem que as pessoas já usam no dia a dia. O Momento Saúde da Mulher é, em essência, uma aposta de que o conhecimento só cumpre seu papel quando chega a quem precisa dele.
Há uma distância conhecida, mas raramente enfrentada: de um lado, os consultórios onde professores de medicina ouvem as perguntas reais das mulheres sobre seus corpos; do outro, o mundo onde essas mesmas mulheres recebem respostas fragmentadas e frequentemente falsas. Em 2025, estudantes da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto decidiram tentar fechar esse espaço.
Tudo começou em conversas dentro da Liga de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP. A percepção era simples, mas urgente: as dúvidas que se repetiam nos ambulatórios — sobre contracepção, menopausa, câncer de mama, fertilidade — não encontravam respostas claras nos lugares que as pessoas realmente acessam. A professora Rosana Reis, coordenadora do projeto, recorda que a ideia inicial era criar um formato de entrevistas para divulgar conhecimento confiável. Dali nasceu o Momento Saúde da Mulher, produzido por 22 estudantes de graduação com apoio de docentes.
Os temas não são escolhidos por interesse acadêmico abstrato — eles vêm das perguntas que pacientes fazem e das lacunas que os professores identificam. Ao longo de duas temporadas, o podcast percorreu sexualidade na pós-menopausa, tensão pré-menstrual, contracepção, câncer de mama, parto humanizado, vacinas e fertilidade, cobrindo diferentes fases da vida feminina. Para os estudantes, produzir os episódios também significou aprender: uma das alunas, ao gravar sobre cosméticos na gestação, descobriu dúvidas que nunca havia considerado e que enriqueceram sua própria formação.
Os desafios de conciliar agendas foram reais, mas a equipe manteve regularidade. Agora olha para frente: as próximas temporadas devem abordar puberdade e climatério, enquanto o alcance cresce no YouTube, no Spotify e no Instagram — onde reels tornam a informação ainda mais rápida e acessível. O que começou como uma conversa sobre uma lacuna óbvia tornou-se um espaço onde a ciência encontra as pessoas onde elas estão.
Há uma lacuna que ninguém consegue preencher sozinho. De um lado, estão os consultórios e as salas de aula, onde professores de medicina conhecem as perguntas reais que as mulheres fazem — sobre contracepção, menopausa, gravidez, câncer de mama, fertilidade. Do outro lado, está o resto do mundo, onde essas mesmas mulheres recebem informações fragmentadas, contraditórias, frequentemente falsas. Em 2025, um grupo de estudantes da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto decidiu tentar fechar essa distância.
Tudo começou em conversas informais entre membros da Liga de Ginecologia e Obstetrícia da FMRP. Eles perceberam algo óbvio mas urgente: as dúvidas que ouviam em consultas ambulatoriais — as mesmas dúvidas que cercam temas sensíveis como saúde reprodutiva e ginecológica — não estavam sendo respondidas com clareza em lugar nenhum que as pessoas realmente acessassem. Rosana Reis, professora coordenadora do projeto, descreve o momento: havia uma conversa proveitosa, e a ideia inicial era simples — criar um formato de entrevistas para divulgar conhecimento confiável. Dali nasceu o Momento Saúde da Mulher, um podcast produzido por 22 estudantes de graduação em Medicina, com apoio de docentes.
O projeto funciona de forma direta. Os temas não são escolhidos por acaso ou por interesse acadêmico abstrato. Eles vêm das perguntas que pacientes fazem, das dúvidas que se repetem nos consultórios, das lacunas que os professores identificam na compreensão das mulheres sobre seus próprios corpos. Ao longo de duas temporadas, o podcast abordou sexualidade na pós-menopausa, tensão pré-menstrual, contracepção, câncer de mama, menopausa, vacinas, parto humanizado, infecções na gravidez e fertilidade — temas que cobrem diferentes fases da vida. Cada episódio transforma conteúdo científico em linguagem acessível, com o objetivo explícito de combater a desinformação e as fake news que frequentemente influenciam as decisões de saúde das mulheres.
Mas o projeto não serve apenas ao público que o ouve. Para os estudantes que o produzem, representa algo diferente: uma chance de se posicionarem como amplificadores do conhecimento que recebem diariamente na universidade. Uma aluna, por exemplo, gravou um episódio sobre o uso de cosméticos na gestação com o professor Marco Andrey. Ela se surpreendeu com o que aprendeu — não porque fosse informação nova em abstrato, mas porque o episódio trouxe dúvidas pertinentes que ela nunca havia parado para considerar, e que no final agregaram muito conhecimento à sua formação.
Os desafios foram reais. Conciliar a agenda de estudantes com a de profissionais convidados para as entrevistas exigiu organização e flexibilidade. Mas a equipe conseguiu manter a regularidade das gravações e agora olha para frente. As próximas temporadas devem abordar puberdade e climatério, expandindo ainda mais a cobertura de cada subtema. O alcance também está crescendo: o podcast está disponível no YouTube e Spotify, e conteúdos em formato de reels foram publicados no Instagram do projeto, @momentosaudefmrp, para quem prefere informação rápida e acessível.
O que começou como uma conversa entre estudantes sobre uma lacuna óbvia virou um espaço onde a ciência encontra as pessoas onde elas estão — não em artigos acadêmicos, mas em plataformas que usam, em linguagem que entendem, respondendo às perguntas que realmente fazem.
Bemerkenswerte Zitate
O objetivo do projeto também é combater a disseminação de informações equivocadas e fake news que frequentemente impactam as decisões de saúde das mulheres— Rosana Reis, coordenadora do projeto
Essa experiência proporcionou aos estudantes a oportunidade de se posicionarem como amplificadores do conhecimento que recebem diariamente na Universidade— Rosana Reis