Em um momento em que o mundo ainda busca superar os abismos criados pela pandemia, Pfizer e BioNTech firmaram um acordo com a farmacêutica brasileira Eurofarma para produzir localmente sua vacina contra Covid-19 a partir de 2022. O gesto aponta para uma redistribuição da cadeia global de imunizantes, colocando o Brasil — ao lado de Butantan e Fiocruz — como um dos pilares da resposta latino-americana à crise sanitária. Mais do que logística, o acordo carrega uma promessa antiga e sempre urgente: que a proteção contra a doença não seja privilégio de poucos.
Pfizer e BioNTech assinam acordo com Eurofarma para produção de vacina no Brasil
Todos merecem acesso às vacinas que salvam vidas
Por que esse acordo importava tanto naquele momento, em agosto de 2021?
O Brasil ainda estava em plena vacinação. Ter uma terceira vacina sendo produzida localmente significava mais doses disponíveis, mais rapidez na distribuição, menos dependência de importações. Era segurança de suprimento.
Mas a Eurofarma não estava fabricando do zero, certo? Recebia o insumo pronto dos EUA.
Exato. Não era produção completa. Era o que chamam de acabamento — receber o componente ativo e transformar em doses prontas para aplicação. Ainda assim, isso aliviava a pressão nas cadeias globais e criava empregos locais.
E por que exclusivamente para a América Latina?
Estratégia comercial. A Pfizer já tinha outras fábricas no mundo. Designar a Eurofarma para a região latino-americana permitia que ela focasse em um mercado específico, com logística mais simples e custos menores.
Cem milhões de doses por ano — era realista?
Era a projeção em plena capacidade. Na prática, essas metas levam tempo para serem atingidas. Mas mostrava a ambição: o Brasil poderia virar um hub de produção de vacina de verdade.
El Pulso
- A corrida global por vacinas expôs desigualdades profundas no acesso a imunizantes, e a América Latina permanecia vulnerável à dependência de cadeias de produção distantes.
- A formalização do acordo entre Pfizer, BioNTech e Eurofarma sinaliza uma virada estratégica: o insumo farmacêutico ativo virá dos EUA, mas as doses finais serão montadas em solo brasileiro.
- Com capacidade projetada de mais de 100 milhões de doses anuais, a fábrica brasileira pode se tornar um hub regional decisivo para a distribuição exclusiva na América Latina.
- O Brasil reforça sua posição como centro manufatureiro de vacinas contra a Covid-19, reunindo agora três grandes produções: CoronaVac, AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech.
- O CEO da Pfizer, Albert Bourla, enquadrou o acordo como um compromisso ético — acesso equitativo independentemente de renda, etnia ou localização geográfica.
Em um momento em que o mundo ainda busca superar os abismos criados pela pandemia, Pfizer e BioNTech firmaram um acordo com a farmacêutica brasileira Eurofarma para produzir localmente sua vacina contra Covid-19 a partir de 2022. O gesto aponta para uma redistribuição da cadeia global de imunizantes, colocando o Brasil — ao lado de Butantan e Fiocruz — como um dos pilares da resposta latino-americana à crise sanitária. Mais do que logística, o acordo carrega uma promessa antiga e sempre urgente: que a proteção contra a doença não seja privilégio de poucos.
Na quinta-feira, 26 de agosto, Pfizer e BioNTech anunciaram uma carta de intenção com a Eurofarma para levar a produção de sua vacina contra Covid-19 ao Brasil. O modelo prevê que o insumo farmacêutico ativo seja enviado das instalações americanas da Pfizer, enquanto a farmacêutica brasileira ficará responsável pela fabricação das doses prontas para aplicação.
A produção está prevista para começar em 2022 e, em plena capacidade, deve superar 100 milhões de doses anuais — todas destinadas exclusivamente ao mercado latino-americano, ampliando a rede de distribuição global da Pfizer na região.
Para o CEO Albert Bourla, o acordo vai além da logística: representa um passo concreto na democratização do acesso a imunizantes, independentemente de condição financeira, etnia ou localização. A empresa sinalizou que seguirá buscando parcerias semelhantes ao redor do mundo.
Com a entrada da Eurofarma, o Brasil passa a abrigar três grandes produções de vacinas contra a Covid-19 — ao lado da CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac, e da vacina AstraZeneca/Oxford, produzida pela Fiocruz no Rio de Janeiro. O país consolida, assim, um papel central na resposta imunológica da América Latina à pandemia.
Na quinta-feira, 26 de agosto, Pfizer e BioNTech anunciaram um acordo que traria a produção da vacina contra Covid-19 para o Brasil. A parceria, formalizada através de uma carta de intenção, envolveria a farmacêutica brasileira Eurofarma, que receberia o insumo farmacêutico ativo das instalações americanas da Pfizer e se encarregaria de fabricar as doses prontas para aplicação.
O cronograma previa o início da produção em 2022. Quando em plena capacidade operacional, a fábrica brasileira deveria produzir mais de 100 milhões de doses por ano. Todas as vacinas fabricadas no Brasil seriam destinadas exclusivamente ao mercado latino-americano, ampliando assim a rede de distribuição global da Pfizer e ajudando a levar o imunizante para mais países da região.
Para Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer, o acordo representava um passo importante na democratização do acesso à vacina. Em comunicado, Bourla afirmou que independentemente de condição financeira, etnia, religião ou localização geográfica, todas as pessoas mereciam acesso aos imunizantes que salvavam vidas. A colaboração com a Eurofarma, segundo ele, expandia a cadeia global de suprimentos da empresa e reforçava o compromisso de fornecer acesso justo e equitativo. A Pfizer sinalizou que continuaria buscando oportunidades similares para garantir que as vacinas chegassem a quem precisasse.
O acordo colocava a vacina Pfizer/BioNTech como a terceira contra Covid-19 a ser fabricada em solo brasileiro. A CoronaVac, desenvolvida pela chinesa Sinovac, já era produzida em parceria com o Instituto Butantan em São Paulo. A vacina da AstraZeneca em colaboração com a Universidade de Oxford era fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro. Com a entrada da Eurofarma no rol de produtoras, o Brasil consolidava sua posição como um dos principais centros de manufatura de imunizantes contra a pandemia na América Latina.
Citas Notables
Todos — independentemente da condição financeira, etnia, religião ou geografia — merecem acesso às vacinas contra a Covid-19 que salvam vidas— Albert Bourla, presidente e CEO da Pfizer