No entrelaçamento entre família, dinheiro e poder, a Polícia Federal volta seus olhos para uma teia de transferências milionárias que conecta um banqueiro, um senador e um ex-deputado exilado nos Estados Unidos. O que começou como o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro tornou-se uma investigação sobre o destino real de US$ 10,6 milhões — e sobre a fronteira, sempre porosa, entre patrocínio privado e desvio de recursos. A contradição entre versões públicas e registros financeiros coloca em questão não apenas a legalidade dos atos, mas a confiança como moeda de troca na política brasil
PF investiga se recursos de Vorcaro para filme de Bolsonaro financiaram gastos de Eduardo nos EUA
Flávio admitiu ter mentido sobre a relação financeira com Vorcaro
Por que a PF está investigando especificamente os pagamentos de Vorcaro para Flávio?
Porque há evidências de que US$ 10,6 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 com a justificativa de financiar um filme, mas há suspeitas de que parte do dinheiro tenha sido desviado para despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Mas qual é a evidência concreta de desvio? Sabemos que US$ 2 milhões foram para o fundo Havengate, mas isso prova que foram para Eduardo pessoalmente?
E quanto às contradições sobre o financiamento?
Flávio disse que Vorcaro financiou o filme, mas a produtora Goup Entertainment negou ter recebido "um único centavo" de Vorcaro ou do Banco Master. Depois Mário Frias tentou consertar isso dizendo que o dinheiro veio da Entre Investimentos, não diretamente de Vorcaro.
Isso é uma contradição real ou apenas uma questão de estrutura jurídica? Se o dinheiro saiu do Banco Master para a Entre e depois para o fundo, tecnicamente a produtora pode estar certa ao dizer que não recebeu diretamente de Vorcaro.
Eduardo Bolsonaro nega ter recebido dinheiro. Isso encerra a questão?
Não. Ele admite que o advogado Paulo Calixto, que representa o fundo Havengate, cuidou de seu green card e está próximo dele. A questão é se o dinheiro foi para despesas dele sem passar por suas mãos diretamente.
Mas a PF ainda não apresentou evidências de que Eduardo recebeu ou se beneficiou do dinheiro. Sabemos que o fundo existe, sabemos que Calixto está envolvido, mas o elo entre o fundo e despesas específicas de Eduardo ainda não foi estabelecido publicamente.
Por que Flávio admitiu ter mentido sobre Vorcaro?
Ele disse que mentiu porque admitir a relação financeira poderia violar uma cláusula contratual e gerar multas ou exposição dos investidores. Basicamente, ele estava protegendo a estrutura do investimento.
Isso é uma explicação plausível, mas também é conveniente. Ele mentiu, depois foi descoberto, e agora oferece uma justificativa. Não sabemos se essa é a razão real ou se havia outras razões para manter a relação em sigilo.
O que vem a seguir?
A PF vai rastrear todas as movimentações financeiras e analisar os contratos para ver se o dinheiro realmente foi usado no filme ou se houve desvio.
Mas isso depende de acesso a registros financeiros internacionais, contratos do fundo Havengate e documentação do filme. Nem tudo isso pode estar disponível ou ser transparente, especialmente se envolve estruturas nos EUA.
El Pulso
- A PF abriu investigação após mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelarem pagamentos milionários a Flávio Bolsonaro para um filme sobre o pai — dinheiro cujo destino real permanece sob suspeita.
- Pelo menos US$ 2 milhões teriam sido desviados para um fundo sediado no Texas com vínculos ao advogado de Eduardo Bolsonaro, levantando suspeitas de que recursos do projeto cinematográfico financiaram a vida do ex-deputado nos EUA.
- Flávio Bolsonaro admitiu publicamente ter mentido sobre sua relação financeira com Vorcaro, abrindo uma fissura de credibilidade que contamina todas as suas explicações posteriores sobre o uso dos recursos.
- O produtor-executivo do filme e a própria produtora afirmaram que nenhum centavo de Vorcaro consta entre os financiadores da obra — declaração que contradiz diretamente o que Flávio havia dito antes, gerando uma crise de versões.
- Enquanto Eduardo Bolsonaro nega qualquer recebimento irregular e classifica as suspeitas de 'toscas', a PF se prepara para aprofundar a análise dos contratos e movimentações financeiras do projeto 'Dark Horse'.
No entrelaçamento entre família, dinheiro e poder, a Polícia Federal volta seus olhos para uma teia de transferências milionárias que conecta um banqueiro, um senador e um ex-deputado exilado nos Estados Unidos. O que começou como o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro tornou-se uma investigação sobre o destino real de US$ 10,6 milhões — e sobre a fronteira, sempre porosa, entre patrocínio privado e desvio de recursos. A contradição entre versões públicas e registros financeiros coloca em questão não apenas a legalidade dos atos, mas a confiança como moeda de troca na política brasileira.
A Polícia Federal iniciou uma investigação para rastrear pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro, com foco em determinar se parte dos recursos destinados ao filme 'Dark Horse' — sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro — foi desviada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Segundo o Intercept Brasil e O Estado de S. Paulo, Flávio teria solicitado US$ 24 milhões a Vorcaro para o projeto. Entre fevereiro e maio de 2025, cerca de US$ 10,6 milhões foram efetivamente transferidos, conforme mensagens encontradas no celular do banqueiro pela própria PF. Uma das linhas centrais da investigação aponta que pelo menos US$ 2 milhões teriam ido parar no fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e representado por um escritório jurídico próximo a Eduardo Bolsonaro.
Flávio admitiu em entrevista à GloboNews ter mentido anteriormente ao negar relação financeira com Vorcaro, alegando que a revelação poderia gerar multas contratuais. Sustentou, porém, que todos os valores foram usados exclusivamente na produção do filme. A versão entrou em colapso quando o produtor-executivo Mário Frias e a produtora Goup Entertainment afirmaram que nenhum recurso de Vorcaro constava entre os financiadores da obra — contradição que Frias depois tentou suavizar falando em 'diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento'.
Eduardo Bolsonaro negou ter recebido dinheiro do fundo, classificou as suspeitas como 'toscas' e explicou que apenas cedeu seus direitos de imagem ao projeto. Confirmou ter indicado o advogado Paulo Calixto para estruturar juridicamente o filme, justificando a produção nos EUA pelo caráter internacional da obra. Flávio, por sua vez, respondeu à repercussão pedindo a criação de uma CPI para investigar o Banco Master e reforçando que não houve uso de dinheiro público. A PF agora deverá mapear o caminho percorrido pelos recursos e verificar se houve utilização indevida.
A Polícia Federal está abrindo uma investigação para rastrear pagamentos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco central é determinar se parte dos recursos destinados a financiar um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro foi desviada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que vive nos Estados Unidos desde o ano passado.
Segundo informações reveladas pelo Intercept Brasil e confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, Flávio Bolsonaro solicitou ao banqueiro uma contribuição de US$ 24 milhões para o projeto cinematográfico intitulado "Dark Horse". Entre fevereiro e maio de 2025, pagamentos efetivos de aproximadamente US$ 10,6 milhões foram realizados, conforme mensagens encontradas no celular de Vorcaro pela própria PF. Uma das principais linhas de investigação busca verificar se o dinheiro foi realmente utilizado na produção do filme ou se houve desvio para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Os indícios apontam para movimentações financeiras complexas. Segundo o Intercept Brasil, pelo menos US$ 2 milhões teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas. Esse fundo tem como representante legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", do advogado Paulo Calixto, descrito como próximo de Eduardo Bolsonaro. Nos diálogos analisados pela PF, Vorcaro teria sugerido que os pagamentos fossem feitos "via Entre" após dificuldades operacionais envolvendo o câmbio do Banco Master. Informações do jornal O Globo indicam ainda que o Banco Master pagou R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos, conforme declarações de Imposto de Renda da instituição financeira.
Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado recursos ao banqueiro, mas negou qualquer irregularidade. Em entrevista à GloboNews, o senador admitiu que havia mentido anteriormente ao negar relação financeira com Vorcaro, justificando que isso poderia gerar multas contratuais e exposição dos investidores. Ele sustentou que todos os valores foram destinados exclusivamente à produção do filme e não foram direcionados a Eduardo Bolsonaro. Quanto à participação do advogado Paulo Calixto na estrutura financeira, Flávio explicou que era necessário contratar um profissional de confiança para cuidar das questões legais e burocráticas do fundo, alguém que inclusive havia cuidado do processo de green card de Eduardo.
No entanto, as explicações de Flávio entraram em choque com declarações anteriores. O deputado Mário Frias, produtor-executivo do filme, e a produtora Goup Entertainment afirmaram que "não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário" entre os financiadores da obra. Essa declaração contradizia falas do próprio Flávio, que havia mencionado parcelas em atraso referentes à ajuda financeira de Vorcaro. Diante da repercussão, Mário Frias divulgou uma nova nota tentando harmonizar as versões, argumentando que não havia contradição, mas "diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento". Segundo ele, o relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta, e não diretamente com Vorcaro ou o Banco Master.
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, negou ter recebido dinheiro do fundo de investimento ligado ao filme. Nas redes sociais, o ex-deputado classificou as suspeitas como "toscas" e afirmou que não exerceu qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedeu seus direitos de imagem. Ele argumentou que teria problemas com as autoridades migratórias dos Estados Unidos caso recebesse recursos de maneira irregular devido ao seu status migratório no país. Eduardo confirmou ter apresentado o advogado Paulo Calixto ao deputado Mário Frias para estruturar juridicamente o projeto cinematográfico, justificando a escolha pela competência profissional. Ele também explicou que toda a produção foi estruturada nos Estados Unidos porque o filme teria caráter internacional, e acrescentou que ninguém se arriscaria a investir em um filme sobre Bolsonaro no Brasil devido ao que chamou de "estado de exceção".
Em resposta à repercussão do caso, Flávio Bolsonaro divulgou nota defendendo a criação de uma CPI para investigar o Banco Master. O senador afirmou que o que ocorreu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, ressaltando que não houve utilização de dinheiro público ou da Lei Rouanet. A Polícia Federal agora deverá aprofundar a análise das movimentações financeiras e dos contratos relacionados ao projeto "Dark Horse", buscando identificar o caminho percorrido pelos recursos e verificar se houve eventual utilização indevida do dinheiro.
Citas Notables
Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores— Flávio Bolsonaro, em entrevista à GloboNews
Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme— Flávio Bolsonaro