PF divulga indiciamentos no caso Voepass; chefe de pilotos entre acusados

O acidente matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, sendo o mais grave da aviação brasileira desde 2007, com impacto duradouro nas famílias das vítimas.
Tripulações omitiam panes graves para evitar que a aeronave ficasse parada
A perícia revelou uma prática sistemática de ocultação de problemas técnicos que contribuiu para a tragédia.
Mark

Por que a investigação da Polícia Federal é diferente do relatório da FAB?

Mimi

A FAB buscava entender o que aconteceu tecnicamente e como prevenir futuros acidentes. A PF está investigando se houve crimes — se pessoas ou empresas agiram de forma criminosa ou negligente.

Mark

E o que a perícia descobriu sobre essas falhas?

Mimi

Que não foi um acidente isolado. Pilotos anteriores escondiam problemas no diário de bordo para manter o avião voando. O despachante liberou a decolagem mesmo sabendo que havia gelo severo e equipamentos quebrados.

Mark

Então não foi apenas um problema técnico?

Mimi

Não. Foi uma série de decisões humanas — omissões, negligências — que se acumularam. Cada barreira de segurança que deveria ter funcionado falhou.

Mark

Por que as famílias tiveram que esperar tanto para ouvir as conversas dos pilotos?

Mimi

A transcrição fazia parte do laudo pericial. Levou meses para ser concluída e liberada. As famílias queriam saber se os pilotos tinham consciência do problema com o degelo.

Mark

E tinham?

Mimi

Segundo a caixa-preta, sim. Os pilotos mencionaram que o sistema não estava funcionando. Mas isso não foi suficiente para evitar o que aconteceu.

Mark

O que muda agora com os indiciamentos?

Mimi

Os acusados responderão criminalmente. Mas para as famílias, o que importa é que finalmente há responsabilização — não apenas explicações técnicas, mas nomes e consequências legais.

  • 62 pessoas morreram na queda do voo 2283 em 9 de agosto de 2024
  • Chefe dos pilotos e funcionários da administração da Voepass foram indiciados
  • Tripulações omitiam panes no diário de bordo; despachante liberou voo com equipamentos inoperantes
  • Investigação da PF apurou responsabilidades criminais, diferente do relatório técnico da FAB

Investigação criminal da PF apura responsabilidades criminais pela tragédia, diferente do relatório técnico da FAB que focou em fatores contribuintes. Chefe dos pilotos e funcionários da administração da Voepass devem ser indiciados por falhas recorrentes no sistema de degelo e omissão de panes no diário de bordo.

A Polícia Federal apresenta investigação criminal sobre queda de avião ATR 72-500 que matou 62 pessoas em agosto de 2024, com indiciamento de funcionários da Voepass, incluindo chefe de pilotos.

Na manhã de quinta-feira, 6 de agosto de 2026, a Polícia Federal apresentaria ao país o resultado de sua investigação criminal sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrida quase dois anos antes. O avião ATR 72-500 havia caído em Vinhedo, São Paulo, em 9 de agosto de 2024, matando todas as 62 pessoas a bordo. Diferentemente do relatório técnico divulgado pela Força Aérea Brasileira em julho, que buscava identificar fatores contribuintes e prevenir futuros acidentes, a investigação policial tinha um objetivo distinto: determinar se houve crimes e apontar os responsáveis pela tragédia.

Segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, funcionários da administração da companhia aérea seriam responsabilizados criminalmente. Entre os indiciados estava o chefe dos pilotos da Voepass. Os acusados responderiam por processos criminais sob acompanhamento do Ministério Público Federal. A companhia aérea, por sua vez, aguardava a divulgação oficial do relatório para se manifestar integralmente sobre o conteúdo.

O laudo da Polícia Federal, que integrava o inquérito criminal, havia sido elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística e chegava a uma conclusão abrangente: a tragédia resultou da combinação entre falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em uma área de formação severa de gelo, falhas na execução dos procedimentos previstos pelo fabricante e sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar. O documento destacava que o acidente havia sido precedido por uma sucessão de falhas que envolveram diferentes pilotos e o despachante operacional — o profissional que atua no solo e auxilia no planejamento do voo.

Segundo a perícia, tripulações anteriores haviam omitido panes graves no diário de bordo técnico para evitar que a aeronave ficasse parada. Enquanto isso, o Despachante Operacional de Voo liberou a decolagem mesmo com equipamentos obrigatórios inoperantes e com previsão de gelo severo na rota. Em junho, representantes das famílias das vítimas haviam tido acesso pela primeira vez à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave — um documento de quase 200 páginas que ajudava a esclarecer os momentos finais do voo, incluindo se os pilotos haviam comentado ou acionado o sistema de degelo.

A investigação do Cenipa, órgão da FAB que funcionava em paralelo, havia realizado dezenas de perícias para reconstruir o voo. Analisaram as duas caixas-pretas, reconstruíram completamente a sequência de eventos, examinaram os motores e sistemas de proteção, estudaram mais de 15 mil voos da mesma frota, realizaram testes em simuladores e até verificaram quais lâmpadas dos painéis estavam acesas no momento da queda. O órgão havia apontado uma "cultura de normalização de desvios" na Voepass.

Para as famílias das vítimas, a investigação criminal representava um caminho paralelo às ações judiciais de indenização já em andamento. O advogado Leonardo Amarante explicava que a medida buscava a responsabilização de empresas, pessoas físicas e eventuais instituições que tivessem contribuído, por ação ou omissão, para a tragédia. O acidente de agosto de 2024 havia sido o mais grave da aviação brasileira desde o desastre com o voo da TAM em 2007.

A Voepass, em sua nota, afirmava que o acidente havia sido o episódio mais difícil de seus mais de 30 anos de operações. A companhia destacava que a tripulação do voo 2283 era experiente, com mais de 5 mil horas de voo acumuladas, e que sempre havia adotado procedimentos sérios de segurança. Desde o momento do acidente, a empresa havia se mantido solidária às famílias das vítimas. Agora, com os indiciamentos da Polícia Federal, a responsabilização criminal começaria a tomar forma, enquanto as famílias continuavam buscando respostas e justiça pela perda de seus entes queridos.

A tragédia resultou da combinação entre falhas recorrentes no sistema de degelo, operação em área de gelo severo, falhas na execução de procedimentos e sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar
— Laudo da Polícia Federal
O acidente foi o episódio mais difícil da história da Voepass em mais de 30 anos de operações
— Voepass
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