No cruzamento entre o poder financeiro e a confiança pública, a Polícia Federal aprofunda sua investigação sobre o Banco de Brasília, identificando novos diretores possivelmente envolvidos na compra de carteiras de crédito sem lastro adequado do Banco Master. Com R$ 12,3 bilhões em ativos questionáveis e um ex-presidente preso desde abril, o caso revela como decisões tomadas sob pressão artificial e fora dos ritos institucionais podem comprometer não apenas uma instituição, mas a integridade do sistema financeiro público. A solicitação de mais sessenta dias ao STF sinaliza que a responsabilida
PF aponta suspeitas sobre mais diretores do BRB e pede 60 dias para concluir inquérito
operações conduzidas sob pressão e urgência, tratadas como negócio do presidente
Por que a Polícia Federal pediu especificamente sessenta dias a mais? Isso sugere que o caso é mais complexo do que parecia inicialmente?
Sim. O pedido de prorrogação indica que a investigação expandiu-se além do que foi apurado na primeira fase. Eles precisam colher depoimentos de vários membros da Diretoria Colegiada, não apenas de Costa. Cada depoimento exige tempo para preparação, análise de documentos relacionados e confrontação com os laudos periciais.
Os laudos periciais mencionados no documento — o que eles revelam que não estava claro antes?
Os laudos apontam inconsistências estruturais e vícios documentais nos ativos. Mas mais importante: eles documentam como essas operações foram conduzidas sob pressão e urgência, tratadas como "negócio do presidente". Isso não é apenas má gestão — é evidência de que o processo normal de aprovação foi contornado.
Costa trabalhou na Caixa por quase vinte anos antes de ir para o BRB. Como alguém com esse histórico acaba envolvido em operações fraudulentas?
Essa é a questão que a investigação está tentando responder. Sua experiência na Caixa o qualificava para o cargo. Mas em 2019, quando chegou ao BRB, talvez tenha encontrado pressões políticas ou oportunidades que o levaram a contornar protocolos. A indicação de um governador pode trazer consigo expectativas implícitas.
R$ 12,3 bilhões em ativos sem lastro adequado — como isso passa despercebido em um banco?
Não passou despercebido. Passou aprovado. Isso é o ponto central. Os diretores que aprovaram essas operações sabiam ou deveriam saber que havia problemas. A auditoria independente confirmou o que a Polícia Federal já suspeitava: as operações foram conduzidas de forma irregular, com documentação inadequada e sem análise de risco apropriada.
E os outros diretores que a PF quer ouvir — eles podem argumentar que apenas seguiam ordens de Costa?
Possivelmente. Mas a Diretoria Colegiada tem responsabilidade coletiva pelas decisões. Não é suficiente dizer que alguém ordenou. Eles tinham o dever de questionar operações de R$ 21,9 bilhões que apresentavam sinais de irregularidade. Os próximos sessenta dias determinarão se a Polícia Federal consegue estabelecer negligência ou conivência entre eles.
Il Polso
- A PF identificou indícios de envolvimento de novos diretores do BRB nas operações fraudulentas, ampliando o alcance de uma investigação que já resultou na prisão do ex-presidente Paulo Henrique Costa.
- Cerca de R$ 12,3 bilhões em ativos adquiridos do Banco Master apresentam inconsistências estruturais, problemas documentais e sinais de falta de lastro — em um total de R$ 21,9 bilhões movimentados.
- Relatório de auditoria independente revelou que as compras eram tratadas internamente como 'negócio do presidente', conduzidas sob pressão e urgência artificiais, contornando processos normais de aprovação.
- A PF pediu ao STF sessenta dias adicionais para colher depoimentos de membros da Diretoria Colegiada do BRB, sugerindo que outros executivos podem ser formalmente implicados.
- O ministro André Mendonça deve conceder a prorrogação, mantendo aberta a janela para que o inquérito expanda responsabilidades além de Costa e alcance o núcleo decisório da instituição.
No cruzamento entre o poder financeiro e a confiança pública, a Polícia Federal aprofunda sua investigação sobre o Banco de Brasília, identificando novos diretores possivelmente envolvidos na compra de carteiras de crédito sem lastro adequado do Banco Master. Com R$ 12,3 bilhões em ativos questionáveis e um ex-presidente preso desde abril, o caso revela como decisões tomadas sob pressão artificial e fora dos ritos institucionais podem comprometer não apenas uma instituição, mas a integridade do sistema financeiro público. A solicitação de mais sessenta dias ao STF sinaliza que a responsabilidade pode ser mais ampla do que inicialmente suposta.
A Polícia Federal identificou indícios de envolvimento de novos diretores do Banco de Brasília em operações financeiras fraudulentas e pediu ao Supremo Tribunal Federal sessenta dias adicionais para concluir sua investigação. O pedido foi acompanhado de laudos periciais que apontam irregularidades nas decisões da Diretoria Colegiada da instituição.
No centro do caso está Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso desde 16 de abril. Costa comandou o banco entre 2019 e novembro de 2025, indicado pelo governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, e antes disso acumulou quase duas décadas na Caixa Econômica Federal. Sua trajetória o colocava como figura central nas operações agora investigadas.
A investigação gira em torno da tentativa de aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da compra subsequente de carteiras de crédito oferecidas pela instituição. O BRB desembolsou R$ 21,9 bilhões nessas operações, mas aproximadamente R$ 12,3 bilhões dos ativos adquiridos apresentam sinais de falta de lastro, inconsistências estruturais e problemas documentais graves. Ao longo do processo, Vorcaro e associados tornaram-se acionistas do BRB.
Um relatório de auditoria independente entregue à PF em abril revelou que as compras eram tratadas internamente como 'negócio do presidente' e conduzidas sob pressão constante e urgência artificial — sugerindo que as decisões contornaram os processos normais de análise de risco exigidos para operações dessa magnitude.
Costa havia sido alvo da investigação desde novembro de 2025, quando o MPF pediu sua prisão sem êxito, obtendo apenas seu afastamento da presidência. Sessenta dias depois foi demitido e substituído por Nelson Souza. Em abril, foi efetivamente preso e permanece detido.
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, deve conceder a prorrogação solicitada. A PF ainda precisa ouvir integrantes da Diretoria Colegiada que aprovaram as operações, o que indica que a investigação pode alcançar outros executivos além de Costa nos próximos dois meses.
A Polícia Federal identificou indícios de envolvimento de novos diretores do Banco de Brasília em operações financeiras fraudulentas e solicitou ao Supremo Tribunal Federal sessenta dias adicionais para encerrar sua investigação sobre a compra de carteiras de crédito do Banco Master. O pedido foi formalizado em documento enviado ao tribunal na quinta-feira, acompanhado de laudos periciais que apontam irregularidades nas decisões tomadas por membros da Diretoria Colegiada da instituição.
No centro da investigação está Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso desde 16 de abril. Costa comandou o banco entre 2019 e novembro de 2025, indicado pelo então governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha. Antes disso, passou quase vinte anos na Caixa Econômica Federal, onde ocupou a vice-presidência de Clientes, Negócios e Transformação Digital. Sua trajetória profissional o posicionava como figura central nas operações que agora são alvo de escrutínio federal.
A investigação concentra-se na tentativa do BRB de adquirir o Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, e na subsequente compra de carteiras de crédito oferecidas pela instituição. Ao longo dessas operações, Vorcaro e seus associados tornaram-se acionistas do Banco de Brasília. O volume total movimentado foi expressivo: o BRB desembolsou R$ 21,9 bilhões em carteiras do banco de Vorcaro. Contudo, aproximadamente R$ 12,3 bilhões desses ativos apresentam sinais de falta de lastro adequado, inconsistências estruturais e problemas documentais graves.
Costa foi alvo de investigações desde a primeira fase da operação, deflagrada em 18 de novembro de 2025. O Ministério Público Federal solicitou sua prisão naquele momento, mas a Justiça Federal negou o pedido, determinando apenas seu afastamento da presidência do banco. Sessenta dias depois, ele foi demitido pelo governador e substituído por Nelson Souza, ex-presidente da Caixa. Em abril, porém, Costa foi efetivamente preso.
Um relatório de auditoria independente entregue à Polícia Federal no início de abril forneceu documentação adicional sobre as operações questionadas. O material revelou que as compras de carteiras do Master eram tratadas internamente como "negócio do presidente" e conduzidas sob pressão constante e urgência artificial. Essa caracterização sugere que as decisões não passaram pelos processos normais de aprovação e análise de risco que deveriam orientar operações de tal magnitude.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, deve conceder a prorrogação solicitada. A Polícia Federal indicou que será necessário colher depoimentos de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB que aprovaram as operações do Master. Essa etapa sugere que a investigação pode expandir-se além de Costa, potencialmente implicando outros executivos que participaram das decisões.
A trajetória de Costa no BRB terminou abruptamente. Afastado judicialmente em novembro de 2025, demitido no dia seguinte, preso em abril de 2026, ele permanece detido enquanto a investigação avança. Os próximos sessenta dias determinarão se outros diretores serão formalmente acusados e qual será o escopo final das responsabilidades identificadas pela Polícia Federal.
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As operações de compra de carteiras do Master eram tratadas internamente como 'negócio do presidente' e conduzidas sob pressão e urgência— Relatório de auditoria independente do BRB