PF aponta que advogado repassou R$ 11 milhões à mulher de senador e comprou casa para ele

Hub financeiro de políticos com diálogos sobre dinheiro vivo
Como a Polícia Federal descreve o papel do advogado Willer Tomaz na investigação.
Mark

O que exatamente a Polícia Federal está alegando que aconteceu aqui?

Mimi

Que o advogado Willer Tomaz funcionou como intermediário financeiro, movimentando milhões através de suas empresas. Mais de R$ 11 milhões foram transferidos para a conta da esposa do senador, e uma casa de R$ 6 milhões foi comprada em nome de uma empresa de Tomaz, mas o senador participava das negociações.

Luke

Mas ele foi acusado formalmente? Está sendo investigado?

Mimi

A defesa dele diz que não figura como investigado no procedimento. Mas a Polícia Federal o descreve como um "hub financeiro" de políticos, então claramente está sob escrutínio.

Mark

E quanto ao senador? Ele está sendo acusado de algo específico?

Mimi

Ele não foi o alvo direto da operação de hoje, segundo seu próprio comunicado. Mas participou das negociações da casa e recebeu transferências para sua esposa.

Luke

Então temos um padrão de movimentação de dinheiro, mas a questão legal ainda está aberta sobre se isso constitui crime. A defesa tem argumentos documentais.

Mark

Qual é a importância da dissociação entre titularidade e domínio econômico que a PF menciona?

Mimi

É o ponto central: se você negocia uma compra, participa das tratativas, mas outra pessoa registra a propriedade em seu nome, isso pode indicar tentativa de ocultar o verdadeiro proprietário ou origem dos fundos.

Luke

Mas a defesa diz que Tomaz é empresário imobiliário, então é plausível que ele compre imóveis como parte de seu negócio. Isso não é automaticamente ilegal.

Mark

O Ministério Público se posicionou contra essas buscas?

Mimi

Sim, segundo o senador, o MPF foi contra as buscas e apreensões contra seus familiares e apoiadores.

Luke

Isso é significativo porque sugere que nem todos os órgãos investigativos veem o caso da mesma forma. A PF prosseguiu mesmo com essa objeção.

  • A PF descreve Willer Tomaz como um 'hub financeiro' de políticos, com diálogos interceptados revelando negociações em dinheiro vivo — um retrato que vai além de um único caso e sugere um esquema estruturado.
  • Mais de R$ 11 milhões teriam sido transferidos a Samya Bernardes Rocha, esposa do senador, por empresas ligadas a Tomaz, transformando uma conta pessoal em canal de movimentação de grandes volumes.
  • Um imóvel de R$ 6 milhões no Lago Sul foi negociado pelo próprio senador, mas registrado em nome de empresa de Tomaz — dissociação que os investigadores apontam como núcleo da suspeita de ocultação patrimonial.
  • A defesa rebate ponto a ponto: os repasses seriam honorários advocatícios documentados, o empréstimo de aeronave teria caráter pessoal, e o imóvel seria parte da atividade imobiliária regular de Tomaz.
  • O senador reagiu com indignação controlada, destacou que o MPF se opôs às buscas contra familiares e reafirmou que todas as movimentações estão declaradas à Receita Federal.
  • A investigação permanece aberta dentro de um contexto mais amplo de fraudes no INSS, mantendo a pressão sobre as conexões entre o mundo jurídico, o empresarial e o político.

Em meio a suspeitas de desvios no INSS, a Polícia Federal aponta o advogado Willer Tomaz como elo entre recursos de origem duvidosa e o senador maranhense Weverton Rocha, do PDT — uma investigação que coloca sob escrutínio não apenas transferências milionárias à esposa do parlamentar, mas também a fronteira entre titularidade formal e domínio econômico real de um imóvel de luxo em Brasília. O caso revela como estruturas empresariais e contas pessoais de cônjuges podem ser usadas para obscurecer o rastro do dinheiro, questão que atravessa democracias ao redor do mundo. Defesa e senador negam irregularidades e invocam a transparência das declarações fiscais como escudo.

A Polícia Federal acusa o advogado Willer Tomaz de ter atuado como intermediário financeiro para políticos, movimentando milhões por meio de empresas e estruturas patrimoniais. No centro da investigação está o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão: sua esposa, Samya Bernardes Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões em transferências de empresas ligadas a Tomaz. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, que descreveu a conta pessoal de Samya como canal alternativo para receber valores elevados.

Os investigadores interceptaram comunicações nas quais o próprio senador negociava a compra de um imóvel no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, discutindo R$ 4 milhões de sinal e R$ 2 milhões de saldo. A transação, porém, foi formalizada em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa de Tomaz, pelo valor total de R$ 6 milhões. Essa separação entre quem negociou e quem assinou o contrato é apontada pela PF como um dos pontos centrais da apuração.

A defesa de Tomaz negou qualquer irregularidade: afirmou que ele não figura como investigado, que o empréstimo de aeronave ao senador foi estritamente pessoal, que os repasses a Samya correspondem a honorários advocatícios devidamente documentados, e que sua atuação no mercado imobiliário de Brasília é regular e conhecida. O senador, por sua vez, disse esperar ataques políticos dada sua candidatura, mas não a inclusão de familiares na operação. Ressaltou que o Ministério Público Federal se posicionou contra as buscas a seus familiares e apoiadores, e garantiu que todas as movimentações estão declaradas à Receita Federal.

A investigação se insere em um contexto mais amplo de suspeitas sobre fraudes no INSS, com Tomaz sendo apurado por possível lavagem de dinheiro relacionada a esses desvios. O caso levanta uma questão que transcende os envolvidos: como recursos podem circular por estruturas empresariais e contas de cônjuges de modo a dificultar a rastreabilidade de sua origem.

A Polícia Federal apresentou acusações de que o advogado Willer Tomaz funcionou como intermediário financeiro para políticos, canalizando milhões de reais através de suas empresas e estruturas patrimoniais. No centro da investigação está o senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, cuja esposa Samya Bernardes Rocha teria recebido mais de R$ 11 milhões em transferências de empresas ligadas a Tomaz durante o período examinado.

Segundo a decisão do ministro André Mendonça que autorizou a operação, a conta pessoal de Samya funcionou como canal alternativo para receber valores elevados. A investigação descreve Willer Tomaz como um "hub financeiro, patrimonial e logístico" de políticos, com diversos diálogos interceptados mencionando pagamentos em dinheiro vivo. Os investigadores encontraram comunicações nas quais Rocha negociava a compra de um imóvel no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, discutindo valores de R$ 4 milhões como sinal e R$ 2 milhões como saldo.

O que torna o caso particularmente relevante para a investigação é a estrutura da transação imobiliária. Embora o senador tenha participado das tratativas para adquirir a propriedade, a compra foi formalizada em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa vinculada a Willer Tomaz, pelo valor total de R$ 6 milhões. Essa dissociação entre quem registra a titularidade do imóvel e quem efetivamente o controla constitui um dos pontos centrais da apuração, segundo a documentação da Polícia Federal.

A defesa de Willer Tomaz negou qualquer irregularidade. Em comunicado, o advogado afirmou que jamais esteve envolvido nos fatos apurados na operação e que não figura como investigado no procedimento. Quanto à aeronave disponibilizada ao senador, Tomaz esclareceu que o empréstimo ocorreu em caráter estritamente pessoal e amistoso, sem vínculo com os fatos investigados. Sobre Samya Rocha, a defesa informou que ela atua como associada do escritório de advocacia há vários anos e que todos os valores repassados decorrem de prestação de serviços advocatícios, devidamente documentados e regularmente declarados. Quanto ao imóvel, Tomaz ressaltou que atua como empresário no ramo imobiliário em Brasília, possuindo e negociando diversos imóveis na capital federal, com atividades realizadas regularmente.

O senador Weverton Rocha respondeu à operação com uma declaração que misturava indignação e tranquilidade. Reconheceu que esperava sofrer ataques políticos dada sua candidatura ao Senado e suas posições políticas, mas disse não ter previsto que a Polícia Federal envolveria sua família e apoiadores. Afirmou que todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais devidamente declaradas à Receita Federal. Destacou ainda que o Ministério Público Federal se posicionou contra as buscas e apreensões contra seus familiares e apoiadores, e reafirmou sua disposição de continuar lutando pelo Maranhão.

A investigação está inserida em um contexto mais amplo de suspeitas sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social, com Willer Tomaz sendo investigado por possível lavagem de dinheiro relacionada a essas fraudes. A operação levanta questões sobre como recursos podem ser canalizados através de estruturas empresariais e contas pessoais de cônjuges para contornar a rastreabilidade de origem dos fundos.

Jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados e não figura como investigado no procedimento
— Defesa de Willer Tomaz
Nada tenho a esconder. Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais e foram devidamente declaradas à Receita Federal
— Senador Weverton Rocha
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