PF abre inquérito para investigar ministro Pazuello por crise de oxigênio no Amazonas

Dezenas de pacientes com Covid-19 morreram por falta de oxigênio medicinal nos hospitais do Amazonas, com muitos transferidos para outros estados.
Ministério entregou hidroxicloroquina enquanto faltava oxigênio
A PGR apontou a distribuição de 120 mil unidades de droga sem eficácia comprovada no mesmo período da crise de oxigênio.
Mark

O que exatamente está sendo investigado aqui? É sobre negligência ou é algo mais específico?

Mimi

A PGR aponta que o ministério sabia do colapso em dezembro, mas demorou para agir. E enquanto faltava oxigênio, eles entregaram hidroxicloroquina — uma droga sem eficácia comprovada. A questão é se houve omissão intencional.

Luke

Mas "sabia do colapso" — de quem é essa informação? É confirmado que o ministério recebeu aviso em dezembro, ou é uma alegação?

Mimi

A PGR afirma isso no documento enviado ao STF. É baseado em informações que o próprio ministério apresentou.

Mark

E quanto aos atrasos no oxigênio? Há números específicos sobre quanto tempo demorou?

Mimi

A fonte diz que houve "atrasos para o envio efetivo de oxigênio hospitalar", mas não especifica quanto tempo. Sabemos que em janeiro a crise já era grave.

Luke

Então temos uma alegação de atraso, mas não temos a medida exata do atraso. Isso é importante porque "atraso" pode significar dias ou semanas.

Mimi

Verdade. O que sabemos com certeza é que dezenas de pessoas morreram por falta de oxigênio em janeiro.

Mark

E a hidroxicloroquina — por que entregar 120 mil unidades se não funciona?

Mimi

Essa é a pergunta que a PGR está fazendo. Aras aponta que a distribuição começou em março de 2020 com orientações para tratamento precoce, mas sem documentação técnica.

Luke

Mas isso não prova que foi negligência — pode ter sido uma decisão política equivocada, não necessariamente um crime.

Mimi

Exato. Por isso há investigação. O inquérito vai tentar determinar se foi omissão passível de responsabilização criminal ou apenas erro administrativo.

  • Inquérito aberto em 29 de janeiro de 2021 por ordem do ministro Lewandowski
  • Dezenas de pacientes morreram por falta de oxigênio medicinal no Amazonas em janeiro
  • PGR aponta que ministério sabia do colapso em dezembro mas só agiu em janeiro
  • 120 mil unidades de hidroxicloroquina entregues em 14 de janeiro, sem eficácia comprovada

Ministro Ricardo Lewandowski do STF determinou a investigação da conduta de Pazuello durante o colapso da saúde pública amazonense. PGR aponta atrasos na resposta do ministério e distribuição de hidroxicloroquina enquanto faltava oxigênio hospitalar nos estados.

A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o ministro da Saúde Eduardo Pazuello pela crise sanitária no Amazonas, onde pacientes morreram por falta de oxigênio medicinal.

Na sexta-feira 29 de janeiro, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a conduta do ministro da Saúde Eduardo Pazuello durante o colapso sanitário que assolou o Amazonas. A ordem veio do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que designou a investigação após receber um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, baseado em uma representação do partido Cidadania e em informações do próprio ministério. O caso tramitará pelo Serviço de Inquéritos Especiais porque Pazuello, na condição de ministro, possui foro privilegiado — o que significa que ele terá o direito de marcar pessoalmente o dia, hora e local para depor à Polícia Federal.

O que está sendo investigado é a resposta do Ministério da Saúde a uma crise que matou dezenas de pessoas. Em janeiro de 2021, o Amazonas enfrentou um colapso no sistema de saúde pública. Hospitais ficaram sem oxigênio medicinal, e pacientes com Covid-19 morreram pela falta do insumo. Muitos foram transferidos para outros estados em busca de atendimento. Segundo a PGR, o ministério já tinha informações sobre um possível colapso ainda em dezembro, mas só enviou representantes ao estado em janeiro — uma demora que a acusação considera significativa.

O procurador-geral apontou um detalhe que chamou atenção. No dia 14 de janeiro — oito dias depois de Pazuello ter conhecimento do iminente colapso em Manaus — o ministério entregou 120 mil unidades de hidroxicloroquina ao estado. A quantidade era quase equivalente ao número de testes PCR que havia sido enviado ao Amazonas. A cloroquina não possui eficácia comprovada contra a Covid-19. Aras observou que a distribuição dessa droga começou em março de 2020, com orientações para tratamento precoce, mas sem documentação técnica que justificasse a recomendação.

A PGR também destacou atrasos na entrega efetiva de oxigênio hospitalar às cidades amazonenses. Esses atrasos ocorreram enquanto pacientes morriam pela falta do produto. Aras argumenta que Pazuello tinha dever legal e capacidade de agir para mitigar os resultados da crise, e que a possível demora em suas ações pode caracterizar omissão passível de responsabilização civil, administrativa ou criminal.

O procurador-geral defende o aprofundamento das investigações sobre o que chamou de "gravíssimos fatos imputados" ao ministro. Em seu pedido ao Supremo, Aras afirmou que é necessário obter "elementos informativos robustos para a deflagração de eventual ação judicial". Lewandowski, que já é relator de outros temas ligados à pandemia, foi designado para conduzir a análise do caso. A vice-presidente do STF, Rosa Weber, que estava à frente do plantão judiciário durante o recesso, encaminhou o caso a Lewandowski na segunda-feira anterior.

Após o pedido da PGR ao Supremo, o Ministério da Saúde informou que aguardaria a notificação oficial para se manifestar. O inquérito agora segue seu curso, com Pazuello tendo a prerrogativa de escolher quando e onde será ouvido pela Polícia Federal.

A possível intempestividade nas ações do ministro, o qual tinha dever legal e possibilidade de agir para mitigar os resultados, pode caracterizar omissão passível de responsabilização civil, administrativa e/ou criminal
— Procurador-geral da República Augusto Aras
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