Petróleo Brent sobe 41% em 2021 e atinge maior patamar desde abril de 2019

A alta reflete a retomada de um mundo que busca voltar à normalidade
O Brent chegou a US$ 74,39 em junho de 2021, impulsionado pela retomada após a vacinação.
Mark

Então o Brent chegou ao maior valor em mais de dois anos?

Mimi

Sim. Fechou a US$ 74,39 em 16 de junho, o maior desde abril de 2019. Depois recuou para US$ 73,19 na sexta.

Mark

Por que recuou?

Mimi

O Fed sinalizou juros mais altos em 2023, antes do esperado. O dólar subiu e isso pressionou o petróleo.

Luke

Vale separar: a ligação entre o anúncio do Fed e a queda é a explicação apresentada pela reportagem, não algo demonstrado com dados.

Mark

E a alta de 41,3% no ano?

Mimi

Reflete a retomada pós-vacinação. André Braz, da FGV, fala em lei da oferta e da procura.

Luke

Lembrando que 41,3% parte de uma base deprimida pela queda de 21,5% em 2020. E a previsão de preços altos nos próximos meses é opinião de um economista, não fato.

Mark

E o consumidor brasileiro?

Mimi

Os combustíveis subiram 47,49% em 12 meses até maio, pelo IPCA. Gasolina e diesel nas refinarias subiram 37,5% e 34,2% em 2021.

Luke

Esses números não dizem quanto da alta vem do petróleo e quanto de outros fatores, como câmbio. Isso a reportagem não separa.

  • O Brent disparou 41,3% em 2021 e ultrapassou US$ 74 por barril, o maior nível desde 2019, reacendendo a preocupação com preços em alta.
  • Os combustíveis subiram 47,49% em 12 meses até maio, e a gasolina e o diesel nas refinarias já acumulavam altas de 37,5% e 34,2% no ano.
  • A Petrobras, presa à política de preços atrelada ao mercado internacional, tenta separar movimentos passageiros de altas duradouras antes de reajustar.
  • Economistas veem preços elevados por alguns meses e alertam para risco de inflação, enquanto o mercado observa se a demanda sustentará o barril nas alturas.

Em meados de junho de 2021, o petróleo Brent, referência do Mar do Norte, alcançou o maior patamar desde abril de 2019, fechando a US$ 74,39 o barril. A escalada reflete a lenta e desigual volta à vida econômica depois de um ano marcado pela pandemia, com a vacinação abrindo portas e aquecendo a demanda. No Brasil, esse movimento atravessa as refinarias e chega ao bolso das famílias e ao custo de produção, lembrando que o petróleo sempre carrega consigo a história do mundo que o consome.

Na quarta-feira, 16 de junho de 2021, os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 74,39 por barril, o maior valor desde abril de 2019. Dois dias depois, a cotação recuou para US$ 73,19, após o Fed sinalizar juros mais altos em 2023, antes do esperado pelo mercado, o que fortaleceu o dólar e pressionou o petróleo para baixo.

Mesmo assim, o ano é de forte valorização. Depois de cair 21,5% em 2020, quando os preços despencaram com a pandemia, o Brent acumulava alta de 41,3% em 2021. Com o início da vacinação em grandes economias, a atividade voltou a acelerar, e a demanda por commodities subiu junto com a retomada.

Para André Braz, economista da FGV, o movimento é a lei da oferta e da procura em um mundo que busca se recuperar, e os preços devem seguir altos por alguns meses. Ele alerta que o crescimento econômico, inclusive no Brasil, pode elevar o custo das matérias-primas e trazer mais inflação.

No país, o efeito chega às refinarias. Entre 2020 e 2021, a gasolina e o diesel tiveram comportamentos opostos, e em 2021 já acumulavam altas de 37,5% e 34,2%. A Petrobras, que atrela seus preços ao mercado internacional, costuma ignorar altas que parecem passageiras para reduzir a volatilidade da inflação. Nos 12 meses até maio, os combustíveis subiram 47,49%, pesando sobre famílias, indústria e serviços. A dúvida que resta é se a demanda sustentará o petróleo nesse patamar e até onde isso chegará aos preços brasileiros.

Na quarta-feira, 16 de junho de 2021, os contratos futuros do petróleo Brent, referência do Mar do Norte, na costa do Reino Unido, fecharam a US$ 74,39 por barril. Foi o valor mais alto desde 24 de abril de 2019, quando o barril encerrou a US$ 74,57, segundo a tabulação do Investing.

Na sexta-feira, 18 de junho, a cotação recuou para US$ 73,19. A queda veio depois que o Fed, o banco central dos Estados Unidos, anunciou que pretende elevar os juros em 2023, antes do que o mercado financeiro esperava. A expectativa frustrada ajudou a puxar o dólar para cima, o que pressionou o preço do petróleo para baixo.

Mesmo com o recuo, o balanço do ano é de forte valorização. Depois de cair 21,5% em 2020, ano marcado pela pandemia, o Brent acumulava alta de 41,3% em 2021 até a sexta-feira. O preço despencou em março e abril de 2020 e voltou a se recuperar no segundo semestre. Com o início da vacinação nos Estados Unidos, na União Europeia, na Rússia e no Reino Unido, o petróleo passou a retomar o patamar anterior à pandemia. A volta à normalidade e os incentivos fiscais aumentaram a atividade econômica e empurraram para cima o preço das commodities.

Para André Braz, economista e coordenador do núcleo de preços ao consumidor da FGV, trata-se do efeito do aquecimento da economia com o fim dos isolamentos e com os estímulos. Ele resume: é a lei da oferta e da procura, com demanda maior de um mundo que busca a retomada, principalmente nos países mais avançados na vacinação. Braz acredita que os valores devem continuar altos nos próximos meses, porque o aquecimento das economias dura algum tempo.

O economista alerta para o risco inflacionário. Segundo ele, todo país que prevê crescimento do PIB, como o Brasil, está sujeito a aumento no custo das matérias-primas, o que pode trazer mais inflação.

No Brasil, o efeito aparece nas refinarias. A política de preços da Petrobras é atrelada ao mercado internacional. Em 2020, o preço médio da gasolina nas refinarias caiu 4,2% e o do diesel, 13,7%. Em 2021, até 18 de junho, já subiram 37,5% e 34,2%, respectivamente. Braz explica que a estatal tenta reajustar quando o movimento externo parece temporário: se percebe uma alta que não vai se sustentar, descarta o movimento, para reduzir a volatilidade da inflação brasileira.

Nos 12 meses até maio de 2021, os combustíveis subiram 47,49% no Brasil, segundo o IPCA do IBGE. Braz lembra que o combustível tem peso enorme no país, pois afeta o custo de vida das famílias e o custo de produção de indústrias, comércio e serviços.

Em comparação internacional, segundo a Global Petrol Prices em 14 de junho, a média nacional da gasolina era de US$ 178,35 (valor citado na fonte como preço do barril), o que colocava o Brasil na 89ª posição entre os países com o combustível mais caro. O diesel, a US$ 141,15, ficava na 114ª posição. O que se observa daqui em diante é se a demanda sustentará o petróleo em patamar elevado e como isso chegará à inflação brasileira.

É a lei da oferta e da procura: há uma demanda maior de um mundo que busca a retomada.
— André Braz, economista da FGV
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