Numa sexta-feira de fim de outubro, Wall Street virou o olhar para a conta silenciosa que sustenta a inteligência artificial. A queda de mais de 31% da Intel e o recuo quase generalizado das gigantes de tecnologia revelaram uma dúvida antiga, agora mais pesada: quanto custa construir o futuro e quando ele começará a pagar a própria fatura. Como tantas febres econômicas antes dela, a euforia com a IA encontra o momento em que o dinheiro precisa mostrar retorno.
Nasdaq cai quase 4% com tombo da Intel e temor sobre retorno dos gastos com IA
O mercado cobra a prova de que os bilhões em IA vão dar retorno
Por que a Nasdaq caiu tanto num dia só?
Houve um gatilho, a Intel, que caiu mais de 31% após uma projeção de vendas fraca e preocupação com o consumo de caixa. Mas a queda se espalhou porque reforçou uma dúvida maior: quando os gastos em IA vão render.
Vale separar: a queda da Intel é fato do dia. A ideia de que ela puxou o mercado todo é a leitura dos analistas, não algo provado.
E as gigantes? A nuvem não vai bem?
Vai muito bem. A AWS cresceu 39% e o Google Cloud, 103%. O problema é o custo: o fluxo de caixa livre da Amazon ficou negativo em US$ 42,4 bilhões em 12 meses.
E o da Alphabet, negativo em US$ 9,1 bilhões, segundo o Itaú BBA. Crescimento de receita e geração de caixa são coisas diferentes.
Há também problemas fora da nuvem?
Sim. A publicidade da Amazon cresceu 12%, contra 26% antes, e a busca do Google subiu 12%, contra 17%.
Os riscos dos assistentes de compras com IA são uma avaliação da Swissquote, uma hipótese, não um dado já medido.
O que significa a "indigestão" citada pelo UBS?
Construir infraestrutura mais rápido do que se consegue convertê-la em receita e lucro.
É um alerta de risco, não uma constatação. Ninguém no texto diz que isso já está acontecendo.
Il Polso
- A Intel despencou mais de 31% após uma projeção de vendas que frustrou o mercado, arrastando a confiança dos investidores.
- A Nasdaq chegou a cair quase 4% na sexta-feira, e o pânico se espalhou das fabricantes de chips para os gigantes da nuvem.
- Amazon e Alphabet queimaram caixa: o fluxo de caixa livre ficou negativo porque os investimentos em IA superam o que essas empresas geram.
- Os analistas tentam navegar entre o crescimento forte da nuvem e a desaceleração da publicidade e das buscas, sem saber quando a conta vai fechar.
- O risco de 'indigestão' com os gastos em IA e o custo crescente de financiamento seguem no radar, e os próximos balanços vão definir o rumo.
Numa sexta-feira de fim de outubro, Wall Street virou o olhar para a conta silenciosa que sustenta a inteligência artificial. A queda de mais de 31% da Intel e o recuo quase generalizado das gigantes de tecnologia revelaram uma dúvida antiga, agora mais pesada: quanto custa construir o futuro e quando ele começará a pagar a própria fatura. Como tantas febres econômicas antes dela, a euforia com a IA encontra o momento em que o dinheiro precisa mostrar retorno.
Na sexta-feira (30), as bolsas americanas aprofundaram as perdas, e o motivo tinha nome e valor: a conta da inteligência artificial. A Intel despencou mais de 31% depois de divulgar uma projeção de vendas decepcionante, e a Nasdaq chegou a cair quase 4%. O mercado quer saber quando os bilhões investidos em infraestrutura de IA começarão a dar retorno.
A Amazon recuou mesmo com a nuvem crescendo 39%. Os investimentos para sustentar essa expansão pesaram tanto que o fluxo de caixa livre dos últimos 12 meses ficou negativo em US$ 42,4 bilhões. Outros pontos também desapontaram, como o lucro por ação abaixo do esperado e a publicidade, que perdeu ritmo.
A Alphabet também sofreu. Apesar do salto de 103% na receita do Google Cloud, a decepção com buscas e publicidade ofuscou o resultado, e os investimentos mais que dobraram no trimestre, com caixa livre negativo.
No conjunto, Amazon, Google, Microsoft e Meta investiram mais de US$ 200 bilhões no terceiro trimestre. Analistas alertam que esse volume aumenta a necessidade de empréstimos e emissão de ações, e que juros podem consumir fatias maiores do dinheiro. O UBS fala em uma possível 'indigestão': a infraestrutura crescendo mais rápido que a capacidade de transformá-la em lucro. É esse descompasso, e o custo de financiá-lo, que os investidores devem acompanhar nos próximos balanços.
Na sexta-feira (30), as bolsas americanas aprofundaram as perdas ao longo do dia, e o motivo tinha nome e valor: a conta da inteligência artificial. A Intel despencava mais de 31% depois de divulgar uma projeção de vendas que decepcionou, e a Nasdaq chegou a cair quase 4%. O mercado queria saber quando os bilhões gastos em infraestrutura de IA começarão a dar retorno.
O consumo de caixa da Intel também preocupou os investidores. O alerta da fabricante reforçou o receio sobre quanto custa construir a estrutura que sustenta a IA. Ipek Ozkardeskaya, analista sênior da Swissquote, resumiu o problema: o investimento inicial é enorme e, embora haja evidências de demanda muito forte, isso não garante retornos atraentes automaticamente.
A Amazon recuava mesmo com um bom desempenho na nuvem. Suas ações caíam 2,42%, a US$ 237,90. A receita da AWS, que fornece infraestrutura de computação a outras empresas, cresceu 39% em relação ao ano anterior, mas os investimentos para sustentar essa expansão pesaram na geração de caixa. O fluxo de caixa livre da empresa, medido nos 12 meses encerrados em setembro, ficou negativo em US$ 42,4 bilhões. Um ano antes, havia sido positivo em US$ 14,8 bilhões.
Outras frentes da Amazon também desapontaram. Segundo a análise da XP, assinada por Raphael Figueredo e Maria Irene Jordão, o lucro por ação ajustado ficou 4,1% abaixo do esperado, e a antecipação do Prime Day para o segundo trimestre distorceu a comparação das vendas do varejo. Para os analistas, a nuvem está cada vez mais forte, enquanto os demais negócios enfrentam instabilidade. A Swissquote notou ainda que a publicidade da Amazon perdeu ritmo: cresceu 12%, contra 26% no trimestre anterior. Ozkardeskaya vê riscos nos assistentes de compras com IA, que pesquisam e comparam preços entre lojas e podem reduzir tanto as vendas na plataforma quanto a exposição a anúncios patrocinados.
A Alphabet também sofria. As ações da dona do Google recuavam 2,20%, a US$ 277,57, depois de uma queda superior a 13% na quinta-feira. Segundo Ozkardeskaya, o salto de 103% na receita do Google Cloud foi ofuscado pela decepção com buscas e publicidade. A receita de buscas subiu 12%, abaixo dos 17% do segundo trimestre. Em relatório liderado por Stephano Gabriel, o Itaú BBA informou que os investimentos da empresa mais que dobraram no trimestre, chegando a US$ 51,4 bilhões, com fluxo de caixa livre negativo em US$ 9,1 bilhões.
No conjunto, Amazon, Google, Microsoft e Meta investiram mais de US$ 200 bilhões no terceiro trimestre. Para Ozkardeskaya, esse volume aumenta a dúvida sobre como financiar a expansão da IA, já que o caixa pressionado eleva a necessidade de empréstimos e emissão de ações. O risco, segundo ela, é que juros e despesas com dívida consumam fatia maior dos recursos, deixando menos dinheiro para novos projetos e para o pagamento de obrigações.
O UBS, em relatório liderado por Ulrike Hoffmann-Burchardi, aponta a possibilidade de uma "indigestão" dos gastos com IA: a infraestrutura crescendo mais rápido do que a capacidade das empresas de transformá-la em receita e lucro. É esse descompasso, e o custo de financiá-lo, que os investidores devem acompanhar nos próximos balanços.
Citazioni salienti
Há evidências de que a demanda é muito forte, mas isso não garante automaticamente retornos atraentes.— Ipek Ozkardeskaya, analista sênior da Swissquote (paráfrase)
Há risco de uma 'indigestão' dos gastos com IA, com expansão mais rápida que a geração de receitas e lucros.— UBS, relatório liderado por Ulrike Hoffmann-Burchardi (paráfrase)