Num fim de maio de 2021, em que o petróleo voltava a encostar em patamares que não se viam havia tempos e a economia mundial ensaiava sua recuperação após a pandemia, a Petrobras ganhou um novo olhar de um dos grandes bancos internacionais. O JPMorgan elevou sua recomendação para overweight e fixou em R$ 35,50 o preço-alvo para o fim do ano, apostando que a companhia, sob nova administração, segue o mesmo rumo que vinha traçando. Por trás do movimento de bolsa está uma pergunta antiga do mercado brasileiro: até que ponto a estatal pode ser confiável para quem investe a longo prazo.
Petrobras sobe até 3% com elevação de recomendação pelo JPMorgan e alta do petróleo; Embraer e Azul caem
Menor risco com a nova gestão, diz o JPMorgan sobre a Petrobras
Por que a recomendação do JPMorgan mexeu tanto com a Petrobras?
Porque o banco ligou a ação a menos risco. Citou a venda de refinarias e a promoção de executivos como sinais de continuidade da nova gestão.
E o petróleo?
O brent passou de US$ 70, com expectativa de recuperação econômica, sobretudo nos Estados Unidos. Os dois fatores se somaram.
Convém separar as coisas. O texto não diz quanto da alta veio do relatório e quanto do petróleo; a soma é plausível, mas a proporção não está medida.
O preço-alvo de R$ 35,50 é um fato?
É uma projeção do JPMorgan para o fim de 2021, não um dado. O mesmo vale para os 19% ao ano até 2023.
O múltiplo de 3,2 vezes EV/Ebitda, citado para os ADRs, é a base do argumento de valuation barato.
E os dividendos?
Aparecem como possível catalisador, condicionado à dívida bruta convergir para US$ 60 bilhões. Não há data nem valor no texto.
Por isso o marco da dívida é o ponto a acompanhar.
Il Polso
- O brent rompeu a barreira dos US$ 70 e puxou as ações da Petrobras para uma alta de quase 3% logo nas primeiras horas do pregão.
- O JPMorgan elevou a recomendação para overweight, e o mercado reagiu como quem encontra um argumento novo para uma tese antiga.
- A nova gestão é o ponto de tensão: o banco aposta que a troca de comando não significa mudança de rumo, citando a venda de refinarias e a continuidade de executivos.
- A ação pode subir cerca de 19% ao ano até 2023, mas o caminho passa pela redução da dívida bruta até o teto de US$ 60 bilhões, condição para dividendos.
- Enquanto PETR3 e PETR4 avançam, analistas consideram injustificado o desconto maior das ordinárias, um detalhe que pode ser corrigido com o tempo.
Num fim de maio de 2021, em que o petróleo voltava a encostar em patamares que não se viam havia tempos e a economia mundial ensaiava sua recuperação após a pandemia, a Petrobras ganhou um novo olhar de um dos grandes bancos internacionais. O JPMorgan elevou sua recomendação para overweight e fixou em R$ 35,50 o preço-alvo para o fim do ano, apostando que a companhia, sob nova administração, segue o mesmo rumo que vinha traçando. Por trás do movimento de bolsa está uma pergunta antiga do mercado brasileiro: até que ponto a estatal pode ser confiável para quem investe a longo prazo.
Na sexta-feira, 28 de maio de 2021, as ações da Petrobras subiam entre 2,5% e 3% na B3. O petróleo brent chegou a superar US$ 70 o barril, animado pelas expectativas de retomada econômica, sobretudo nos Estados Unidos, e o JPMorgan elevou sua recomendação para a estatal.
Para o banco, a nova administração da companhia não apenas preserva a direção estratégica, como trabalha para dar continuidade a ela. A venda de refinarias e a promoção de executivos-chave aparecem como sinais de que o risco diminuiu. Com preço-alvo de R$ 35,50 para o fim de 2021, os analistas enxergam potencial de valorização de cerca de 19% ao ano até 2023, mesmo sem uma revisão de múltiplos. O principal catalisador seguinte seria o pagamento de dividendos, previsto para quando a dívida bruta chegar a US$ 60 bilhões.
No restante do pregão, a Embraer recuava após a alta da véspera, a Azul seguia em queda, e o mercado observava outras movimentações, como a compra da Unigranrio pela Afya e acordos judiciais da Tecnisa. Para a Petrobras, a atenção agora se volta para a trajetória da dívida.
Na sexta-feira, 28 de maio de 2021, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) operavam em alta de 2,5% a 3% na B3. Dois fatores puxavam o movimento: o petróleo tipo brent chegou a superar os US$ 70 o barril, em meio a expectativas de recuperação da economia, sobretudo a americana, e o JPMorgan elevou a recomendação dos papéis.
Segundo relatório enviado a clientes, os analistas do banco passaram a recomendar PETR3 e PETR4 como 'overweight' e fixaram o preço-alvo em R$ 35,50 para o fim de 2021. O argumento central é a menor percepção de risco: a nova administração, dizem, não só mantém a direção estratégica como age para dar continuidade a ela. O relatório cita o avanço na venda de refinarias e a promoção de executivos-chave de seus cargos como sinais de continuidade e, portanto, de risco menor.
O banco também destacou o desempenho operacional robusto e seu efeito sobre os yields de fluxo de caixa, além de um valuation considerado barato. Os ADRs da petrolífera negociavam a um múltiplo de 3,2 vezes a relação entre valor da firma (EV) e Ebitda. Mesmo sem nenhum 're-rating', os analistas enxergam potencial de expansão do valor da ação de 19% ao ano até 2023. Entre os catalisadores à frente, apontam o pagamento de dividendos, que se tornaria realidade à medida que a dívida bruta da companhia convergir para o limite de US$ 60 bilhões.
No início do pregão, por volta das 10h50 (de Brasília), as ações ordinárias subiam cerca de 3%, enquanto as preferenciais avançavam perto de 2,5%. Analistas ouvidos destacaram que o desconto maior de PETR3 em relação a PETR4 é injustificado.
Na direção oposta, a Embraer (EMBR3) caía cerca de 3%, depois de disparar 6% na véspera. Duas notícias estavam no radar: a Breeze Airways passou a operar com jatos da fabricante, e a Força Aérea Brasileira informou que, diante da crise sanitária e do contexto econômico, decidiu renegociar o contrato de produção do KC-390. A Azul (AZUL4) recuava 4%, na sequência da queda da véspera e após saltar 11,30% na quarta-feira com notícias sobre consolidação do setor, vista com ceticismo por alguns analistas.
Entre os demais destaques, a Afya, listada na Nasdaq, anunciou acordo para comprar a Unigranrio, avaliando a companhia em R$ 700 milhões, com 60% em dinheiro e o restante em quatro parcelas anuais iguais. A Tecnisa (TCSA3) informou que sua controlada Brest fechou acordos com a CPE para encerrar processos judiciais sobre a compra de um terreno em São Paulo; o total envolvido é de R$ 107 milhões, com impacto negativo esperado de cerca de R$ 42 milhões nos resultados.
O Credit Suisse avalia que os preços da celulose na China atingiram o pico, após altas de 56% para madeira de coníferas (US$ 780 por tonelada) e de 46% para folhosas (US$ 980). Fabricantes de lenços de papel chinesas operam com 50% da capacidade, e nova oferta deve vir com o moinho da Bracell e o projeto Mapa, da Arauco. O banco projeta folhosas a US$ 550 e coníferas a US$ 720 em 2022, mas considera o cenário já precificado em Suzano, Klabin e CMPC. Manteve Suzano e Irani como favoritas, com preço-alvo de R$ 92 e R$ 10,10, e Klabin neutra, com alvo de R$ 31,50.
Outras notícias: o Bradesco BBI iniciou cobertura da Blau (BLAU3) com outperform e alvo de R$ 59, potencial de 36%; a Hidrovias do Brasil firmou memorando não vinculante com a VLI para avaliar a Ferrogrão, de 993 km entre Sinop (MT) e Miritituba (PA); e o grupo controlador da Mitre subiu de 48,92% para 50,02% das ações. Para a Petrobras, o marco a observar é a trajetória da dívida bruta rumo ao limite de US$ 60 bilhões.
Citazioni salienti
O progresso na venda de refinarias e a promoção de executivos-chave de suas posições apoiam a ideia de continuidade e assim de menor risco.— Analistas do JPMorgan, em relatório a clientes