Quando o petróleo sobe e a produção recua, o balanço de uma gigante como a Petrobras passa a depender menos do que se extrai e mais do que o mundo está disposto a pagar. Analistas esperam que o segundo trimestre de 2022 traga Ebitda robusto, puxado pela alta de cerca de 13% a 15% do barril, mesmo com a produção em queda de 5,1%. Nesse cenário, o olhar se volta menos para o caixa operacional e mais para uma decisão ainda não tomada: se a estatal antecipará proventos a acionistas a pedido do governo, num momento em que a empresa equilibra o interesse público e o retorno aos investidores.
Petrobras deve apresentar resultado forte no 2T22, com dividendos no centro das atenções
Produção em queda, Ebitda em alta: o petróleo caro compensa tudo
Se todo mundo espera um bom resultado, por que os dividendos viraram o centro da conversa?
Porque o resultado já está precificado nas projeções. O que pode surpreender é o quanto a Petrobras vai distribuir, ainda mais com o pedido do governo para antecipar caixa.
Vale separar: o pedido e a discussão no conselho circularam como notícia, com o condicional "teria". Não há confirmação no texto.
E os números de dividendos?
O Bradesco BBI espera US$ 12 bilhões, podendo chegar a US$ 16 bilhões com antecipação.
São estimativas de um banco, não anúncio da empresa. O US$ 16 bilhões é um cenário, não a previsão central.
A produção caiu 5,1%. Como o Ebitda sobe mesmo assim?
Petróleo 13% mais caro no trimestre e combustíveis mais caros no Brasil, segundo o BBI.
Note a dispersão: Ebitda de R$ 83,27 bi no consenso Refinitiv, R$ 86,8 bi no BofA, R$ 89,1 no BBI e R$ 94 bi no Itaú BBA. Ninguém sabe ainda onde cai. E o texto traz o valor do BBI como "milhões", provável erro de unidade.
Por que o lucro líquido deve cair se o Ebitda sobe?
Os bancos citam efeitos não caixa da depreciação do real sobre a dívida em dólares.
Der Puls
- Bancos projetam Ebitda de até R$ 94 bilhões, num salto que contrasta com a produção em queda de 5,1%.
- O pedido do governo para antecipar dividendos ameaça elevar a distribuição de US$ 12 bilhões para até US$ 16 bilhões.
- A alta do petróleo e dos combustíveis no Brasil funciona como colchão, compensando a perda de volume e a valorização do real.
- O lucro líquido deve recuar levemente por efeitos cambiais sobre a dívida em dólares, e o mercado aguarda a confirmação do conselho.
Quando o petróleo sobe e a produção recua, o balanço de uma gigante como a Petrobras passa a depender menos do que se extrai e mais do que o mundo está disposto a pagar. Analistas esperam que o segundo trimestre de 2022 traga Ebitda robusto, puxado pela alta de cerca de 13% a 15% do barril, mesmo com a produção em queda de 5,1%. Nesse cenário, o olhar se volta menos para o caixa operacional e mais para uma decisão ainda não tomada: se a estatal antecipará proventos a acionistas a pedido do governo, num momento em que a empresa equilibra o interesse público e o retorno aos investidores.
A Petrobras (PETR3;PETR4) chega ao balanço do segundo trimestre de 2022 cercada de expectativas positivas. Os analistas apontam para um Ebitda forte, impulsionado pelo petróleo mais caro e pelos combustíveis mais altos no Brasil, mesmo diante de uma produção que caiu 5,1% na comparação anual e trimestral.
O ponto de maior tensão, porém, está nos dividendos. Circulou a informação de que o governo federal pediu às estatais que antecipassem a distribuição de caixa a acionistas. O Bradesco BBI espera US$ 12 bilhões em proventos, com possibilidade de chegar a US$ 16 bilhões caso a antecipação se confirme.
As projeções de Ebitda variam entre os bancos, de R$ 86,8 bilhões no Bank of America a R$ 94 bilhões no Itaú BBA. Já o lucro líquido deve recuar levemente, em torno de 5% a 11% frente ao trimestre anterior, por efeitos não caixa da desvalorização do real sobre a dívida em dólares. A pergunta que resta é se o conselho confirmará a antecipação e qual valor acompanhará o balanço.
Quando a Petrobras (PETR3;PETR4) divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2022, o consenso entre analistas já era de um bom resultado, e o que mais chamou atenção foi a distribuição de proventos. Na temporada do segundo trimestre, o cenário se repete, com uma diferença: os dividendos podem ganhar ainda mais peso.
O motivo é uma notícia que circulou nesta semana. O Governo Federal teria pedido às estatais que antecipassem a distribuição de caixa a seus acionistas, e o conselho da Petrobras teria discutido a possibilidade internamente. Os analistas do Bradesco BBI, em relatório, esperam que a empresa anuncie US$ 12 bilhões em dividendos neste trimestre. Se houver antecipação de valores, eles não descartam que o montante suba para US$ 16 bilhões.
O pano de fundo operacional não é dos melhores. Segundo a prévia operacional da companhia, a produção de barris de óleo equivalente (boe) caiu 5,1%, tanto na comparação anual quanto na trimestral. Ainda assim, o BBI projeta que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresça 49% sobre o segundo trimestre de 2021 e 14% sobre o primeiro trimestre de 2022, chegando a R$ 89,1 milhões, número como aparece no relatório citado.
A explicação está nos preços. Para o BBI, haverá bom crescimento sequencial, principalmente porque o petróleo subiu 13% no trimestre e os combustíveis ficaram mais caros no Brasil. Segundo o banco, esses fatores mais do que compensarão tanto a queda de produção quanto o fortalecimento de 6% do real no período.
O Bank of America tem visão parecida. Seus analistas esperam alta acentuada dos resultados, tanto sobre o ano anterior quanto sobre o primeiro trimestre, puxada pelos preços do petróleo bruto e dos derivados, e estimam Ebitda de R$ 86,8 bilhões. O banco projeta o petróleo subindo 15% na base trimestral, a US$ 112,85 em média, com Ebitda da área de exploração e produção de R$ 76,3 bilhões. No refino, prevê Ebitda de R$ 10,5 bilhões, alta de 45% no trimestre e de 101% no ano, com preços de produtos mais altos.
O Itaú BBA vai além e vê Ebitda de R$ 94 bilhões. Além dos fatores já citados, o banco lembra que a Petrobras tinha diesel armazenado e, por isso, deve ter aproveitado a alta dos preços.
No lucro líquido, porém, a maioria espera leve queda frente ao primeiro trimestre: 5% para o BBI, a R$ 40,8 bilhões; 11,7% para o BBA, a R$ 39,7 bilhões; e 8% para o BofA, a R$ 41,04 bilhões. Os bancos atribuem o recuo a efeitos não caixa da depreciação do real no fim do primeiro trimestre, que pesaram sobre a dívida em dólares.
O consenso Refinitiv aponta lucro de R$ 38 bilhões, Ebitda de R$ 83,27 bilhões e receita de R$ 162,39 bilhões. O que resta saber é se o conselho confirmará a antecipação e qual valor de dividendos acompanhará o balanço.
Bemerkenswerte Zitate
Esperamos que a empresa anuncie US$ 12 bilhões em dividendos; se antecipar valores, não descartamos US$ 16 bilhões.— Analistas do Bradesco BBI, em relatório